Não esperem coerência e coesão em meus textos. As ideias aqui expressadas por mim, se dispõem de modo prolixo, com sentido e articulação que só eu percebo ninguém mais. contudo, não descarto a possibilidade de que, eventualmente, alguns de vocês possam concordar ou discordar delas. Afirmo, portanto, que este blog é uma tentativa minha de organizar e saber a quantas andam meu confuso pesamento, muitas vezes irônico e tantas outras cáustico.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Para a poeta Rita Magnago

Comecei o dia visitando o poeta Lédio Rosa de Andrade. Queria começar o dia com suas poesias de forma reduzida e de incomensurável teor. Lá encontrei o Chico Buarque e, 


por interpretação, a Clarice Lispector e sua Macabéa, além do encontro com a "insignificância do ser". 
A poesia do Lédio me incomodou, talvez pelo fato de me lembrar que a vida é uma construção e que hoje, mais do que nunca, eu tenho certeza disso. Mas esse fator não me intimida. Contudo, pensar nessa ação em relação ao pouco tempo que nos resta, dá uma certa aflição por achar que estou disperdiçando tempo com coisas idiotas e não em algo que realmente valha a pena. Mas como saber se é válido ou não?  O título é "Construções" (http://www.lediorosa.com.br/)

Em resposta a esse incômodo, respondo com alguns versos avulsos em homenagem ao dia de hoje. Sabe por quê? Porque hoje a amiga Rita Magnago concretizará um sonho: disporá ao "vento, palavras libertas" em seu primeiro livro de poesias. 

Esse belo dia é para você Rita Magnago
 Quero ser testemunha ocular do nascimento público dessa estrela poética. No teatro desejamos MERDA para os atores, não sei que cumprimento desejamos aos poetas e por não saber, adoto o do teatro. Rita MUITA MERDA para você (rsrsrsrsr, estarei lá para contribuir com minha torcida bjs para você e Helena em convalescência. Diga-lhe que estamos juntas e misturadas em pensamento para que saia logo do hospital e venha nos visitar no Clube de Leitura).

Hoje eu não quero ter em mente
a nossa insignificância ante a sociedade. 
Hoje não quero ser poeira. 
Hoje, especificamente hoje, 
quero a ilusão 
de que sou uma peça necessária
nesse mecanismo cósmico.

Completando o meu relato sobre o lançamento do livro de Rita.

A Sala Carlos Couto, no Teatro Municipal de Niterói estava recheada de poesia e música. Os cantores entoavam lindamente suas vozes com seus chorinhos (como não entendo muito de música, acho que era esse o gênero).

A poeta autografava seus pequenos e grandiosos fragmentos poéticos para os amigos que lá chegavam. Sua filha, fotógrafa oficial do evento, registrava tudo. Não pude ficar até o final, mas pelos relatos nos e-mails, eu perdi o melhor da festa. Teve apresentação de um vídeo, vinhos (oferecidos pelas mãos amigas da amiga de todas as horas, salgadinhos (ai me deu até fome agora, que pena que perdi tudo isso!) e discursos dos amigos.

A chuva, dores e outras circunstâncias não intimidaram os amigos que tiveram o privilégio de compartilhar esse momento mais do que especial com a família da poetisa. O Clube de Leitura de Icaraí se fez presente. Ele tem um movimento cíclico: lê, produz (para quem tem talento é claro, não é o meu caso rsrsr), lê outra vez e vamos que vamos. Temos excelentes escritores lá. Enumeraria (se tivesse pedido autorização) uns sete muito bons. Enfim, esse Clube é um espaço mais do que crítico. É criativo e um reduto amigo.

Darei minhas primeiras impressões sobre o livro, apenas li poucas coisas, mas já dá uma ideia do capricho que foi sua elaboração.


Capa e contra capa: diria que tem cores que nos traz esperança, vivacidade e paz interior. É um aconchego logo de cara. Também não poderia ser para menos, já que foi criação do maridão com a colaboração de suas duas filhas, que nos proporciona o enlevo de suas pinceladas românticas, uma verdadeira ode à primavera.

A revisão foi feita por uma criatura adorável que conheci no Clube. Assim como a orelha (não sei se é assim que chamamos hoje) foi escrita por um outro amigo do clube. Primorosas palavras que diz que o escritor deve enfrentar algo e "Esse algo é entregar-se, expor-se, mostrar sua alma e colocar sangue e carne nas páginas, para que o leitor, qual antropófago, o deguste". Muito bela essa analogia e tantas outras palavras que exaltam a coragem feminina no lançar-se às águas da escrita.

No prefácio, a autora faz uma belíssima e original retrospectiva a respeito de seu contato e abandono momentâneo da poesia. "De lá pra cá, não escrevi mais poesia, acho que deixei a sensibilidade guardada junto com as meias, sempre me tocando os pés, porém longe do coração. (...) Hoje, se não fosse o computador, guardaria meus versos em outra gaveta, a dos sutiãs, bem mais pertinho do coração". Vamos combinar, não é uma delicadeza de extrema sensibilidade e feminilidade. 

Um aperitivo: é a poesia intitulada "Cacos de Mim". Poesia visual (não posso reproduzir, primeiro porque não pedi autorização e segundo porque ela tem uma disposição espacial que esse formato não permite, só se fosse como imagem - acho eu). Mas posso falar a respeito do que interpretei. Vamos lá! Ela afirma que é o que não sabe. As letras da palavra cacos estão dispostas como num caça palavras e com elas podemos formar as palavras caos, cacos e caso (acho que para a Rita essas palavras, como abertura de seu livro, devem ter um significado "fênix). Em seguida ela revela que esses cacos dela estão espalhados e espelhados em muita gente. Singelo e complexo, pois quem de nós, em nossa existência não está presente em alguém e alguns até nos toma como espelho. 

Enfim, esse dia foi perfeito. Encontrei um amigo que não via a quase um ano, assisti a leitura dramatizada da obra "O retratro de Dorian Gray" e fui ao lançamento dessa travessia poética. Que mais posso querer? Agora, tenho junto à cabeçeira o livro da amiga poetisa e do poeta amigo Carlos Brunno que encerram meu dia, me acalmando ou excitando minha alma antes de fechar os olhos para abrí-los na manhã seguinte. Em breve, também comentarei sobre os versos do Carlos, outro poeta porreta de bão.

2 comentários:

  1. Neide, fiquei muito feliz e lisonjeada com sua homenagem. Você é muito sensível, participativa, atenciosa e excelente companheira, qualidades raras reunidas em uma mesma pessoa. Grande beijo e meu muito obrigada.

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    1. O mesmo acho de você Rita. bjs e que bom que gostou. Até daqui a pouco.

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