Não esperem coerência e coesão em meus textos. As ideias aqui expressadas por mim, se dispõem de modo prolixo, com sentido e articulação que só eu percebo ninguém mais. contudo, não descarto a possibilidade de que, eventualmente, alguns de vocês possam concordar ou discordar delas. Afirmo, portanto, que este blog é uma tentativa minha de organizar e saber a quantas andam meu confuso pesamento, muitas vezes irônico e tantas outras cáustico.

sábado, 17 de setembro de 2011

Ode ao encontro

Passamos por tantas fases na vida. Hoje ao ler o poema (A Selva e o Mar - Cantos do pássaro encantado - Rubem Alves) , tenho certeza de que o encontro seguido da despedida é mais estável do que a permanência do encontro.

A selva e o mar

Vou contar uma estória de separação,
Todo separação é triste.
Ela guarda memória de tempos felizes
(ou de tempos que poderiam ter sido felizes...).
E nela mora a saudade.
A saudade ficou no rosto de uma criança,
partida entre dois lugares,
e o seu corpinho se estendia
de viagem a viagem,
entre a casa do pai e a casa da mãe,
esticado, querendo fazer uma ponte imensa
que juntasse de novo
aquilo que a vida separara.
E ela ficava a se perguntar: Por quê?
E é por isso que conto,
para ajudar a entender...

Sua mãe nasceu no mar
e era, inteirinha,
amor ao mar.
Ah! Você que saber
o que é o amor...
Amar é querer trazer para bem perto
aquilo que está longe,
abraçar, esforço de pôr dentro
aquilo que está fora,
beber, com prazer, aquilo que fez
os olhos sorrir.
Pois é: ela bebia do mar
tudo o que via,
e o mar nela morava
e ela o mar namorava:
a imensidão azul mistério,
as coisas que viviam nas suas funduras:
corais vermelhos,
algas verdes,
peixes de cores brilhantes,
icebergs branco-gelados
de mares não vistos,
músicas silenciosas de catedrais encantadas.

Assim era o corpo da jovem.
Você acha estranho?
Pensava que o corpo era feito de carne,
de sangue e de ossos?
Puro engano.
Nosso corpo é feio daquilo
que o amor pôs lá dentro.
E onde o amor quis, mas não pôde,
ficou um vazio,
que é onde mora a saudade...
Assim era o corpo daquela jovem,
quase menina:
havia os sons acolhidos
por seus ouvidos, barulhos de ondas,
um paciente ir e vir sem fim
como a vida...
Odores de coisas marinhas
entravam lá dentro
pelas narinas pulsantes
e faziam bem a lugares ocultos;
perfumes azuis de marolas
e aromas de pérolas brancas...
(Você já sentiu isso, o bem
que um perfume faz, num lugar de dentro da mente
que a gente nem sabe onde fica?)

Sua pele brincava com a água
e se arrepiava toda
quando a brisa lhe fazia cócegas.
E em seus olhos se viam gaivotas de brancas asas
e barcos a vela ao vento.
Quem lhe ouvisse o coração bater
juraria que eram ondas...
Seus seios, conchas lisas que abrigavam
criaturas macias.
Seu ventre, lugar de mistérios,
como a vida secreta do mar,
caverna escura onde nadavam peixes minúsculos
e invisíveis sementes ficavam à espera.
Mas havia uma coisa que ela não podia entender:
era uma tristeza,
suave,
nostalgia.
Não lhe bastava o mar infinito.

Havia os Vazios,
Desejos,
Ausência imensa,
Saudade de algo que lhe faltava.
E ela sonhava com coisas longínquas,
e as amava:
o mar e a selva se encontrassem
e o azul e o ver se misturassem.

Ela amava o mar que nela morava,
e a selva, ausência,
pedaço que lhe faltava.
E cantava o nome de seu amado:
“Os bosques são belos, sombrios,
fundos...” (Frost).
Seus olhos se voltavam então
para o alto das montanhas, ao longe,
e viam as silhuetas de árvores
ao céu, e imaginavam
belezas e mistérios diferentes
daqueles do mar.
E amava a floresta
com que sonhava.

Seu pai nascera no meio da selva
e o seu corpo crescera
com árvores velhas de muitos anos,
frutas silvestres de muitas aves,
musgos macios de muitos verdes,
borboletas de asas de muitas cores,
aves de vozes de muitos cantos,
grilos ocultos em muitas noites,
correntes de águas de muitas pedras,
flores silvestres de muitos cheiros,
terra macia de muitos brotos,
vidas que renascem de muitas formas...
Ah! Assim era o seu corpo.
“E como ele se entregava!
Amava seu mundo interior, caos selvagem,
bosques antiqüíssimos,
sobre cujo silencioso despertar verde-luz
seu coração se erguia.” (Rilke).

Mas ele também tinha
um sentimento triste, vazio,
doía-lhe o lugar da Falta.
E quando o sol
se punha sobre o mar,
ele sentia
uma nostalgia imensa.
Como se a floresta
não lhe bastasse,
o desejo por algo
belo-distante,
ausente.
E, da sombra
verde das árvores,
olhava a luz azul do mar,
solene no horizonte,
brincalhão na areia,
e desejava mergulhar nele,
e pensava que a felicidade é isto:
a selva penetrando no mar.

Um dia os dois
se encontraram,
se amaram,
a floresta mergulhou no mar,
o mar abraçou a floresta,
suas sementes se misturaram
e uma criança nasceu...
e ela tinha no seu corpo
um pouco de mar
e um pouco de selva...

Ah! felicidade maior
não poderia haver,
e até pensaram que seria eterna...
Foram morar lá em cima,
no lugar do Pai,
os três.
Felizes...
O pai, no seu mundo verde,
velho amigo, conhecido.
A mãe, no mundo verde,
mistério com que sempre
sonhara e desejara.
A criança, feliz,
por ser selva e ser mar.

Mas o tempo passou
e a felicidade acabou.
No peito da jovem
foi crescendo uma dor.
Primeiro era saudade mansa
que virou tristeza:
e a floresta, tão bela de longe,
virou prisão...
E o jovem que tanto amara
ficou estranho, gigante verde,
senhor da floresta,
seu carcereiro.

Ah! Ela já não podia amar a selva
e sua face se transtornou.
E o mar que morava nela ficou sinistro,
uma tempestade enorme
cresceu por dentro,
e no seu rosto quebraram ondas
em cuja fúria até mesmo a criança
se debatia. E a jovem virou tristeza
por se ver assim, tão feia.
(É preciso que você saiba disto:
nós amamos as pessoas
por aquilo de belo que elas fazem
nascer em nós.
Como se fossem espelhos.
Se nos vemos belos
naqueles olhos que nos contemplam,
nós as amamos.
Mas, se nos vemos feios, as odiamos...)

E ela então compreendeu que,
por belas que as matas fossem,
ela seria sempre uma estranha,
exilada, sem lar.
E foi o que disse ao seu companheiro,
que a entendeu
e disse que não importava.
Viveriam à beira-mar
para que ela reencontrasse
a felicidade perdida.
E assim aconteceu.
A alegria voltou.

Mas o tempo passou
e a saudade chegou
agora ao peito do jovem,
onde a solidão foi crescendo,
tristeza de quem vive em degredo,
prisioneiro de ilhas cercadas de mar sem fim.
E a jovem que ele tanto amara
se transfigurou num mar de tristeza,
ondas que repetiam
de noite e de dia,
sem parar:
“Nunca mais, nunca mais...”

E a floresta que morava nele
se enfureceu,
e acordaram bichos sinistros,
que dormiam nela,
cobras e escorpiões,
e aflorou tudo naquele rosto
outrora manso,
e ele ficou sinistro,
e havia fogo no seu olhar,
e espinhos cortantes no seu falar.
E ele chorou ao ver o espanto
nos olhos da sua criança,
espelhos tristes,
e sentiu que já não era o mesmo,
e nunca o seria,
longe da selva,
que era o seu lar.
E então compreenderam que,
para continuar a ser belos,
era preciso que o mar e a floresta
fossem verdadeiros consigo mesmos
e morassem nos seus lugares.

E assim viveram, longe:
a jovem, à beira-mar, saudosa da floresta,
o jovem, na floresta, com saudades do mar...
E é por isso que as pessoas se separam,
por mais que isso as dilacere,
para ficarem bonitas de novo
e voltarem aos mares e florestas perdidos...
Cada separação é uma busca
de um amor que se perdeu:
em cada partida, um desejo de reencontro.

Quanto à criança,
diziam os outros, que nada sabiam:
“Não tem onde morar...”
Ignoravam os mundos onde vivera
e que no seu corpo pequeno moravam
um mar e uma selva.
E se ora estava com a mãe, à beira-mar,
ora com o pai, na floresta,
não é que um lar lhe faltasse.
Ela era mar,
era floresta,
e podia sentir-se em casa
onde quer que estivesse."


(Cantos do pássaro encantado - Rubem Alves)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Os reflexos dos espelhos I

Estou a pensar na imagem que fazemos de nós mesmos e, me passou pela cabeça que esse pensar em nós mesmos é furada, pois estamos sempre imbuidos do reflexo de um espelho interior que é comandado pelo nosso consciente, isso quer dizer que se eu não conseguir assimilar bem o que constato, tentarei relevar ou mesmo escamotear. Por outro lado, temos a visão do espelho exterior, que tanto pode ser o espelho material quanto o "outro", esse nem sempre vê o que nós mesmos consideramos que seja o nosso eu, mas sim aquilo que parecemos ser para esse outro. Desse modo, ficamos entre a cruz e a espada. Navegamos entre as águas do Ego e do Outro, será que o que verdadeiramente somos é o Inconsciente???????????????? Vivemos sempre por trás do pano de fundo e nunca entramos em cena?????

Os reflexos dos espelhos II

No post anterior, manifestei minha inquietude com relação a imagem do que supostamente somos. Hoje, lendo HEGEL, encontrei em um fragmento algo desassossegador.

"(...) essa violência que a consciência sofre - de se lhe estragar toda a satisfação limitada - vem dela mesma. No sentimento dessas violência, a angústia ante a verdade pode recuar e tentar salvar o que está ameaçada de perder. mas não poderá achar nenhum descanso: se quer ficar numa inércia carente-de-pensamento, o pensamento perturba a carência-de-pensamento, e seu desassossego estorva a inércia. Ou então, caso se apóie no sentimentalismo, que garante achar tudo bom a seu modo, essa garantia sofre igualmente violência por parte da razão, que acha que algo não é bom, justamente por ser um modo. Ou seja: o medo da verade poderá ocultar-se de si e dos outros por trás da aparência de que é um zelo ardente pela verdade, que lhe torna difícil e até impossível encontrar outra verdade que não aquela única vaidade de ser sempre mais arguto que qualquer pensamento - que se possua vindo de si mesmo ou de outros. Vaidade essa capaz de tornar vã toda a verdade, para retornar a si mesma e deliciar´se em seu próprio entendimento; dissolve sempre todo o pensamento, e só sabe achar seu Eu árido em lugar de todo o conteúdo ..." (HELGEL, Fenomenologia do Espírito - número 80)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

FREUD

Freud diz: o homem nasce com pênis, mas precisa confirmar o falo. Interessante essa afirmação. É uma carga muito pesada para o homem carregar, mas parece que ele tem se saido bem até hoje (é claro que há exceções). Talvez seja por isso que eles pensem 24h em se autoafirmar. As mulheres corroboram com essa ideia, mas não aceito que a mentalidade desse mesmo homem seja uma nulidade.

domingo, 28 de agosto de 2011

O Mito da Caverna de Platão

 Acho que estou começando a despertar de uma longa hibernação e a luz do dia está me cegando um pouco, preciso primeiro me acostumar a luz.

Uma amiga disse que estou em convalescença conjugal ou resguardo matrimonial, concordo com ela. Quero ter luz propria, por isso quero um relacionamento e não um compromisso. 
  Isso tem me custado muito psicologicamente, mas nao vou deixar um idiota me derrubar, acredite, tenho uma força interior assustadora.


sábado, 27 de agosto de 2011

Covardia e medo

Aos 17 anos era a pessoa mais surpreendente e sonhadora do mundo. Mas após o casamento, tornei-me a pessoa mais covarde e medrosa. Hibernei nesses estados durante 19 anos e após esse longo tempo, eis-me aqui a relatar isso. A hibernação não me aleijou de todo, porém, estou me reabilitando desse mal. Por vezes tenho atitudes tão retroativas e percebo que minha adolescencia e fase adulta tão reprimida busca no mais primitivo em mim, algo para reativar o sistema psiquico -quimico para estimular emoções antes nao vivenciadas, não sei se isso é bom ou ruim, mas posso pelo menos olhar a situação de modo "metalinguistico", uma reflexão sobre o proprio ato que na adolescencia isso seria inviável.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O Dia D

São Gonçalo, 02 de agosto de 2011.
Há 18 anos estou me preparando para esse dia. Sentia um medo profundo do dia em que veria o homem com quem convivi ir embora. Na verdade não sei bem o que senti ou o que estou sentindo. Só sei que não está doendo. Um amiga (meu grilo falante) quando ficou sabendo do acontecido, porque liguei para ela já meio chorosa, disse: "que bom, só assim você vai poder seguir sua vida, pois ele já não estava ai mesmo, estava só ocupando espaço". Não é maravilhoso ter amigos, muito mais do que maridos as vezes.

Não chorei, já não havia mais lágrimas para isso. Estou sim, apreensiva porque agora sou eu que tenho que administrar as rédeas de minha vida e a situação financeira, que sem emprego é preocupante. Mas não posso sofrer de véspera. Agora é viver um dia de cada vez e esperar pelo que vem.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Pilha de louça suja

Estive pensando em minha separação e o quanto é dolorido ser trocada como se fosse um objeto a ser substituido sem o menor respeito e consideração. Uma tralha a ser jogada fora sem titubeios.

Mas o pior é você ter consciência de tudo isso e ainda assim teimar em que tudo vai ser diferente outra vez. É como uma pia que inicialmente tem dois pratos sujos. Deixamos para lavar depois e no outro dia, mais dois pratos sujos, isso sucessivamente. No fim, já não há mais possibilidade de apenas se lavar os pratos, existirá resíduos putrefatos que se impregnaram e não consegue sair mais. O único jeito é jogar todos os pratos fora e, se possível pia e casa.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Separação

Eis que a separação para mim está transfigurada num parto de natimorto. Esse útero-casamento gestou por 19 anos, mas finalmente as dores do parto aceleram-se, respiração cachorrinho, num último desespero de expulsar esse corpo estranho de dentro de mim. Está morto mesmo, mas infelizmente sei que as mãos cheias de terra ainda se moverão muitas vezes até cobrir o esquife.


A casa também é lúgubre. É um sepulcro onde ainda reside vermes em decomposição. Contudo, alguns pedaços de carne com vida ainda resistem. Há uma guerra travada entre estas nesgas de fluidos vitais e os vermes, mas estes, serão inevitavelmente os vitoriosos. Portanto, ou regeneramos estas nesgas ou sucumbiremos aos vermes completamente. Preciso descobrir o segredo das lagartixas que, por instinto de sobrevivência, têm a capacidade de soltar o rabo como mecanismo de defesa contra o ataque de seus predadores e, depois de algum tempo seus rabos se regeram.

terça-feira, 8 de março de 2011

O SILENCIO OPRESSOR DAS BIBLIOTECAS

Querida Lilian,

Assim como você, sou uma apaixonada pela literatura, mas literatura para mim é o mundo do conhecimento de forma geral, quer seja ele ficcional ou não.

Quando você fala de bibliotecas, sabe a imagem que simbioticamente se forma? um cemitério onde os cadáveres ficam aguardando serem exumados por determinados peritos. É um local em que a ditadura do silêncio é a regra. Não há vida pulsante que intermedie os que não conhecem esse mundo silencioso dos espaços disponíveis a esse encontro e a turba imensurável de vozes dos livros que urge pela companhia de um leitor ávido pelos "menus" de conhecimentos que ali se oferecem de modo recatado, mas esperando uma relação inteiramente explicita sem pudores.

Para mim, a estrutura física das bibliotecas me sufocam, me oprimem. Como chamar o outro a compartilhar esse mundo que sabemos ser apaixonante, se o silêncio e o mutismo é o que impera. Como seduzir sem tocar os sentidos do outro.

Desculpe-me as bibliotecárias, mas o que eu gostaria de fazer ao entrar numa biblioteca era gritar para todos qual foi o último livro que me encantou, que me apaixonou, que me deixou estarrecida pela trama espetacular e inimaginável para mim. Ora diriam para mim: SILÊNCIO! eu gostaria de responder: F..... quem quer silêncio, vá para uma sala à prova de som quem assim o desejar.

bjs,

Dia Internacional da Mulher

ÀS MULHERES

Confesso que não me sinto grata por ter um dia reservado a figura da mulher, pois a mulher já deveria fazer parte do todo e não de uma exceção a se impor no grito. Civilização para mim já parte do principio de que somos todos iguais. Mas o que mais vemos são minorias tentando se afirmar para não serem exterminadas.

O meu agradecimento à Maria da Penha, à Mary Wollstonecraft, à Nise da Silveira, à Hildegard von Bingen e tantas outras mulheres que nadam e nadaram contra a correnteza em seus respectivos "tempos".

Neste dia desejo a todos (homens e mulheres) que um dia tenhamos um dia Internacional do Ser Humano.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Os ventos

Perdida na noite, o vento trouxe-me esse pequeno texto:

"Os ventos que as vezes tiram algo que amamos, são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar... Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim, aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que realmente é nosso, nunca se vai para sempre."

Parece clichê, mas é o que preciso nesse instante.

A noite

Grande espelho onde a angústia, o desassossego e a incompletude se revelam. Reflete o que deveria ser descanso, torna-se num frenesi desenfreado. O que se busca no escuro? Só o desespero impeli o indivíduo a se arriscar.

Lembrete

1 - Existe diferença entre desistir e aceitar o fato como ele é.

2 - 07-03-2011 --> 4:30 da manhã.

3 - Não é medo, é pura tentativa de compensação.

4 - A mudança não é desejável. Não vale a pena começar do zero e com um agravante: saber que o outro já conheçe algumas artimanhas. Trabalho em dobro.

Cérebro: o grande ilusionista

É simplesmente impressionante o poder que o cérebro tem de nos iludir. É o grande oráculo. Uma grande usina que coordena o físico, psiquico, psicológico e químico no homem.

Quando um indivíduo resigna-se à ilusão, tudo o mais que aponta o engano é esquecido. Basta um gesto, uma palavra e o coração volta a uma serenidade ilusória. O indivíduo tem consciência disso, mas parece fraco demais para reagir ou com muita preguiça ou medo para enfrentar a ilusão.

O fato é que acaba se tranformando em um cãozinho, bastando apenas um carinho na cabeça para se abanar o rabo e deitar sossegado para tirar mais uma sonequinha. A descarga química gerada anteriormente pela tensão é completamente dissolvida e o corpo adormece pela exaustão provocada por essa descarga. O bote armado é frustrado, restando apenas aceitar o fracasso e pôr o rabo entre as pernas, ganir num último sopro de pura frustração e impotência.
 
A dúvida está em saber se isso é permanente ou apenas provisório (apesar do longo sono, espera-se não morrer durante o processo).

sábado, 5 de março de 2011

Dicas para mulheres pobres que se separaram

As ricas vão a um spa relaxar, trocam de carro, estouram o cartão de crédito, etc....
 
As pobres, no máximo compram um henê e mudam o cabelo, podem tirar as sobrancelhas (ou "sombrancelhas") com a pinça em casa e fazer as unhas. Reformar as únicas roupas que sobrou depois que engordou ou emagreceu demais, isso vai depender da fisiologia de cada uma.

Ah! elas podem, caso tenham ficado com a casa, comprar uma piscina de plástico e instalar na laje para aproveitar o verão e ficar queimada (brozeada nao é desejável, tem que ficar com a marquinha bem visível) para mostrar para todo mundo que está se divertindo muito sozinha.

Fazer dieta, já que falta dinheiro mesmo para fazer as compras.

Fazer exercício, afinal de contas, pouco alimentadas, tendo que subir a morranca duas ou três vezes por dia, com certeza se manterá em forma.

Dicas para conflitos conjugais de pobre

1° Fazer terapia de casal: vê se pobre pode se dar a esse luxo. Lava-se a roupa mesmo é em casa bem alto que é para extravasar toda a raiva e manter os vizinhos bem informados.

2° Diálogo: pqp, cadê a roupa limpa e a comida ainda não está pronta? Batida de porta às 9h e retorno ás 2 ou 3 da manhã, quando volta.

3° Fazer programas juntos: esse é mais complicado. Pergunta-se primeiro com que dinheiro? Se tem um pouco, escolhe o cinema (a companhia é superagradável, pois pode-se ser carinhosa e limpar a baba do companheiro que já está a sono solto e, ocasionalmente, dá um cotoveladinha muito de leve para ele mudar de posição e parar de roncar). 

Num ato mais ousado: cada um liga para uma prostituta ou prostituto e fazem um programa. E ainda há uma outra opção mais "muderninha": os cônjuges assumem a função tão glamourosa hoje em dia de profissionais do sexo e podem fazer um pé de meia: a mulher ganhará duplamente, pois terá dinheiro extra e como quase sempre ela está na seca mesmo, não precisará subir nas paredes, aliviará a tensão e ficará tudo azul.

Tem gente que acredita nisso. Eu, por minha vez, não sei se rio, choro ou tenho um ataque histérico.

Separação

Se o término de casamento de rico é difícil por causa da divisão de bens, imagine o do pobre. É deprimente, pois como não se tem o que dividir, deve-se decidir quem fica debaixo do viaduto e quem fica com a cafofo.

Desamparo

Desamparo! É assim que me sinto hoje. Não tenho a quem recorrer. Uma blogueira afirmou que terapia de pobre é blog. Ela está certa, por isso, eis-me aqui.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Encurralada!

É assim que me sinto. Completamente encurralada. Onde está a luz no fim do túnel? Que gosto amargo e como me sinto injustiçada em alguns momentos. 

Em outros, só quero pôr o último punhado de terra e terminar de fechar a cova funda, nem em sonho quero que seja rasa.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Doxa Cinéfila

O Leitor

Duas palavras me vêem a mente neste filme: vergonha e omissão. Esses dois sentimentos identificam um pathos do povo alemão. Embora a nova geração já não o sinta tanto quanto as gerações anteriores que foram partícipes direta ou indiretamente de evento tão chocante quanto foi o holocausto.

Vergonha e omissão da personagem Hannah em não se declarar analfabeta, e assumir toda a culpa pelo assassinato de 300 pessoas, minimizando assim, a culpa das outras 5 acusadas. Ela não sente vergonha pelas mortes. Ela se sente inferiorizada por não saber ler nem escrever, preferindo a prisão perpétua a ter que se expor a tamanha "humilhação".

Charlie, por sua vez, se envergonha por ter sido considerado fraco, segundo a revelação da sobrevivente durante o julgamento de Hannah. A vítima diz que o critério que a guarda utilizava para escolher as 10 vítimas para serem levadas à morte, era por serem as mais fracas, em seguida, as obrigava a ler para ela. 

No relacionamento amoroso entre a ré e o aluno de Direito, não há companheirismo. Hannah aproveita-se da ingenuidade do “menino”, induzindo-o a fazer o que ela quer em troca de favores sexuais. No entanto, esse relacionamento aprisionou Charlie a ela, fazendo com que ele não se entregasse inteiramente a outra pessoa. Os personagens são dúbios, se por um lado revelam-se fracos, em outro momento são fortes, alternando uma dependência mútua.

Uma outra questão é o Direito. Como algo que proclama justiça, tem suas bases fora do humano. Detendo-se apenas no que prescreve o livro das “Leis” e nada mais.
Simplesmente Complicado

Não classificaria propriamente como comédia. É um filme que revela o lado entorpecedor do divórcio. Nada há de cômico em brincar com sonhos de uma vida em comum desfeita. O que se pode dizer no máximo sobre esse filme é que ele sirva de “auto-ajuda” àquelas que ainda sonham em recuperar algo de um relacionamento que obviamente não pode ser remendado.
O Fim da Escuridão

Muito interessante a abordagem do filme. Uma trama que se desenrola apartir de uma conspiração dos EUA em atacar outros países com armas fabricadas com matéria-prima de outros países para incriminá-los. Talvez tenha sido inspirado no “11 de setembro” que também foi aludida a idéia de que o próprio EUA tenha derrubado as torres gêmeas.

Expor as teias políticas que promovem corrupção em todos os âmbitos institucionais. É tão plausível e análoga às questões atuais, que chega a ser assustador encontrar na realidade, verossimilhança na ficção.
Percy Jackson e o Ladrão de Raios
Um filme razoável para quem não conhece a mitologia grega. Como uma personagem é colocada como autor das batalhas entre a hidra, a medusa que são feitos do semideus Hércules. O encantamento aludido no filme é uma clara alusão à obra “Odisséia”.Achei a temática e seus efeitos especiais um tanto quanto repetitivos e sem nenhum espanto.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A matemática dos relacionamentos

Por que é tão duro admitir para o outro que não o amamos mais, ou melhor, que há muito não o amamos. É simplesmente a inversão do papel de vítima para criminoso. A ordem dos fatores altera o produto. Não me sinto a vontade nesse papel.

Acho que é pior do que descobrir não ser amada pelo outro.

Que impasse!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Filosofesta II

Icaraí, 16 de julho de 2010.

RELATO DA SEGUNDA FESTA DE FILOSOFIA DA UFF

Em primeiro lugar quero agradecer a gentileza de Henrique e Almerinda por nos ter disponibilizado o local da festa e a boa vontade com que ele e sua esposa organizaram tudo para nos receber.

Aos poucos estamos nos conhecendo individualmente e não apenas como alunos do curso de Filosofia, nomeados numa pauta. A relação que estabelecemos em sala de aula não é a mesma que temos na esfera pessoal (mas isso todos já sabemos, é só uma estratégia para recordar os acontecimentos, já que se passaram cinco dias). Essa relação me parece mais viva e mais intensa. Nela somos reconhecidos de forma diferente do círculo acadêmico. Na festa encontramos indivíduos plenos de experiências vividas e ainda por viver, quer sejam elas equivocadas ou acertadas. Pensando nessa perspectiva, prefiro o âmbito individual ao geral.

Bem, deixemos de lero-lero e partamos para o relato que começa a partir das 14h até aproximadamente às 10:30, porque esse foi o período em que lá fiquei. Gradativamente o número de pessoas está aumentando em nossos encontros. Mesmo a festa tendo se realizado num sexta à tarde, o quorum pareceu maior do que na primeira festa. Tinha alunos da primeira, segunda e terceira turmas.


Quero publicamente me desculpar com alguns colegas como o Antônio e seus amigos por não cumprimentá-los, mas quando fui procurá-lo, já haviam ido embora. E também por não ter me despedido adequadamente da nossa anfritriã Almerinda. Perdão, aproveitei uma carona, por isso, sai às pressas. Senti falta de algumas pessoas e lamentei o contratempo de Denise, melhoras para seu pequerrucho.

Ai vão alguns mexericos. Tivemos dois churrasqueiros: Henrique e Miguel. Levy revelou seu lado piadista. Por falar nisso Levy, “choquei” com os côcos e as nozes. Mas a festa começou mesmo a ficar agitada quando Viviane e Alexandre chegaram com sua “filhoquinha”. Não imaginam que vigor essa PEQUENA criança tem.

Estão pensando que ficou entediada por estar rodeada de adultos na festa, enganam-se redondamente. Encarou todos nós tête-à-tête com desenvoltura. Eu estava um pouco afastada, mas deu para perceber que ela, de posse de um taco de sinuca que tinha o dobro de seu tamanho, aconselhava os rapazes e as meninas a jogar sinuca e pingue-pongue. Andou, correu, conversou com quase todos e, por fim, dormiu nos braços de Henrique e de Nádia (não sei se essa é a grafia correta de seu nome, só sei que não é assim:EDNA, rsss), esposa do Ricardo.

A Nádia, pobrezinha, sofreu conosco. Ficamos falando mal do marido dela, dizendo que ele era um arrogante, pois havia falado no nosso antepenúltimo encontro no “Bin”, que seria difícil alguém tirar uma nota maior que a dele, no máximo igual a dele. Foi mal Ricardo, sabemos que você não é uma pessoa torpe e, quando pedimos algum esclarecimento a respeito de algo que você compreendeu e nós não, sempre se predispõe a nos auxiliar. Agora, cá entre nós, você e Henrique combinaram disputar notas em uma determinada disciplina nesse semestre, isso é verdade não é? (ops! ouvi até os guizos e um gosto de veneno na boca) Gente, façam suas apostas.

Continuando a falar em Ricardo, vocês não podem imaginar o nosso “guru” despido de toda seriedade, numa disputa renhida com Henrique no pingue-pongue. Acreditem, vi esses dois homens voltarem a ser crianças, completamente absortos nessa competição. Querem saber quem ganhou? HENRIQUE, foi o vencedor (se escutei bem). Afinal de contas, ganhar Ricardo não é uma tarefa fácil. Portanto Henrique, PARABÉNS! Almerinda, coroe nosso colega de louros e o trate muito bem nessas férias como prêmio, mas, se ele vacilar, puna-o exemplarmente, com as bençãos das mulheres.

Passemos então a segunda parte de nossa festa. Com a chuva e o vento frio, nos transferimos para o salão fechado e, como de praxe, fizemos um pequeno sarau. Desta vez, não me intimidei com a competência da performance de Vivi em recitar seus versos, perdi a vergonha e li alguns poemas também. Os autores lidos na reunião foram, Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Mário de Andrade, Marco Lucchesi e Hilda Hilst.

Alexandre (de visual novo) propôs uma leitura coletiva do poema “Tabacaria” do Pessoa. Ótima pedida, pois só assim ouvimos a voz de nossos colegas mais tímidos, como o Luiz, que quando de posse da palavra, transforma-se num verdadeiro porto seguro, sua voz sai límpida e precisa.

Agora, vejam que exemplo de apuro poético, Miguel recitou de cor, Fernando Pessoa, apesar de baco insistentemente querer lhe atrapalhar, ainda assim, ele foi até o fim. Não se contentando com um poema apenas, ele recitou mais um, só que esse era muito profundo e de difícil compreensão (para nós ouvintes), já que depois de tantos vinhos, cervejas e outros néctares dionisíacos, não conseguiamos concatenar as ideias com muita clareza. Então ele repetiu os versos para que tivessemos a chance de irmos para casa com a alma imbuída de tão belas palavras. Surtiu tanto efeito que até a filhinha de Viviane falou “ele está repetindo tudo de novo”. Valeu Miguel!

Dessa vez não houve muita música, acho que ficamos acanhados. Por outro lado, tivemos uma voluntária para cantar, porém, o Nelson não sabia acompanhá-la no violão, que lastima. Marcos, por sua vez, só mostrou seus instrumentos na hora em que eu estava indo embora, não sei se ele tocou. Espero que sim. Apreciarei seus dons na próxima.

Uma outra novidade é que além de lermos coletivamente, também criamos um poema a vinte e duas mãos, os autores: Viviane, Natan, Marcos, Luiz, Alexandre, eu (Maria), Ricardo, Levi, Henrique, Érico e uma outra pessoa que não consegui decifrar a letra. Alexandre, não consegui entender bem seu verso. Por favor corrija-o assim que puder. Eis nossa obra prima. É preciso lapidá-lo? Será melhor preservá-lo em sua forma bruta?

Seus olhos aguçados
Percorrem todo o meu ser
Prismas por onde percorro
Passos que sempre me leva a você
Me levam ao êxtase do prazer
Você é meu vinho, minha cachaça
Meu gosto de porre afoito e inconstante
Vinho apolíneo, cachaça dionisíaca
Êxtase impreciso no final do instante
Instante tão vasto e tão infinito
Infinito que desdobra as vísceras do meu ser
Tão infinitamente você
Gostaria tanto de te entender
A possibilidade é mais que a verdade
A felicidade não existe. É uma quimera.

Dedico, no dia do amigo, esse relato a todos aqueles que foram e aos que não puderam comparecer a nossa festinha. Um abraço. Nos encontramos no segundo semestre.

Abs,

Maria

Filosofesta I

Piratininga, 19 de junho de 2010.

FILOSOFESTA

Este foi o título com o qual nos depararamos à porta da festa. Foi um bom prenúncio de nossa reunião. De fato não me decepcionei. A festa foi ótima. Teve boa música, boa comida, pessoas super legais, agradáveis e criativas.
Farei um breve relato, mas me perdoem por não lembrar de todos os detalhes, pois não enxergo bem, não escuto bem e tenho péssima memória (é a idade), por isso, não fiquem chateados aqueles de cujos nomes não lembro e da sequência exata dos acontecimentos.

Atrações:
1. Quero em primeiro lugar agradecer a gentileza e delicadeza da anfitriã em nos ceder sua casa super aconchegante e primorosamente preparada para nos receber.
2. Os bebes: cerveja, refrigerante, um tal de refrigerante batizado (cá entre nós, eu não sabia o que era isso, levei um tempinho para descobrir. Não espalhem, pois parecerá que sou idiota) e vinhos (deliciosos por sinal, nem preciso dizer que fiquei alegrinha [com muita compostura viu]). Os comes: caldo verde, cachorro quente, caldo de feijão, biscoitinhos, torta salgada (falo apenas o que eu comi). Tudo estava muito gostoso. Durante os comes e bebes, a esposa do Henrique nos falou sobre a educação no Brasil sob o Regime da Ditadura, principalmente sobre a Filosofia que foi banida durante este período.
3. Depois dos comes e bebes. André e Henrique nos informaram a respeito de algumas novidades do nosso Curso, tais como a aprovação do Programa de Tutoria e a abertura de uma disciplina de Grego oferecida pelo departamento de Filosofia em que o enfoque não está voltado apenas para a gramática. André também notificou que ele e Kelly estão representando a Revista Cult e a Revista Princípios, portanto, quem se interessar pelas revistas, dirijam-se a eles.
4. O Nelson leu um conto de sua autoria. O conto ainda não tem um título. O enredo diz respeito a decisão do MP de fechar uma casa de prostituição. O conto tem uma sutil comicidade e, por outro lado, expõe questões sociais que, desde sempre, estão presentes em diversas sociedades.
5. Logo a seguir tivemos Viviane interpretando uma poesia de Hilda Hilst, Carlos Drummond de Andrade e de nossa colega Cláudia. Um primor de apresentação.
6. Em seguida tivemos a honra de ouvir nosso colega da Rural (me perdoe por não lembrar seu nome), mas lembro-me perfeitamente de sua voz maravilhosa, parece um locutor (ótimo candidato a orador da turma). Leu textos de Oscar Wilde que falavam sobre liberdade, um direito individual, que, aliás, foi negado ao escritor por um determinado tempo, porque escolheu viver da forma que achava melhor.
7. Ápice da festa, a banda da Drica fez um ensaio aberto só para nós, filósofos. Tivemos o prazer de ouvir músicas composta por eles e, em especial, “amar” um poema de Florbela Espanca (de quem sou fã) musicado por eles (um luxo).

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!

Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca

ADOREI. Pausa para a banda.

8. Mas a festa continuou. Daqui em diante já não me lembro cronologicamente dos fatos (o vinho já estava fazendo efeito). O André leu um texto da revista Princípios sobre literatura (Chico Buaque, Machado de Assis e um outro que em decorrência de eu ter bebido muito da “água do esquecimento”, não consigo me lembrar). Depois, entraram em cena Nelson no violão cantando uma composição própria e depois nosso colega Cláudio Medeiros deu uma palinha para nós. Choquei com a multiplicidade de ambos (escritores, filósofos e cantores). Pelo menos são essas as facetas que conheço deles. Ah! Não sei qual foi a ordem se antes ou depois de cantar o Cláudio também leu um conto dele. A culpa é do vinho Cláudio, mas não me lembro muito bem, acho que falava a respeito da saudade de uma mulher (se não for isso, me perdoe). Eis que aqui termino meu relato porque às 2:00 da manhã fui para meu cafofo em São Gongolo.

O QUE FALTOU: a presença de todos os nossos colegas da primeira, segunda e terceira turma.

1. Denise, senti sua falta. Logo você que é a fotógrafa da turma. Ficaremos sem essas fotos para nosso futuro álbum de formatura.
2. Já que não temos fotos Levi, será que você não se habilitaria a fazer um desenho animado imaginando toda nossa turma nesse evento?
3. Cadê nossos colegas: Alan, Antonio, Lenita, Roberto, Ricardo, Fernanda Novarino, Fernanda Cristina, Elza, Naiara, Rafaga, Luciene, Ana Catarina, Sônia e todos os outros que não foram. Senti a falta de todos.

Abraços,

Maria

Impotência Catatônica

Reproduzo aqui o texto da poeta Elisa Lucinda, por concordar com sua crônica e manifestar meu estado de impotência catatônica, quiçá provisória. Reproduzo como forma de gritar o que calo e temo pelos nossos filhos e por todos nós.

Eis o texto que a Elisa escreveu para sua amiga Cissa Guimarães:

O que matou Rafael?

Estou em Paulínia e fico sabendo da notícia da morte de Rafael, filho da minha querida Cissa Guimarães. Meu coração começa a sangrar e a doer como se fosse o dela, como se a gente fosse parente e, quase como se fosse menino meu, embora nada chegue aos pés da dor dela. Claro que morrem milhares de jovens nesse país a toda hora e nem ficamos sabendo da prematura e anônima notícia, e por isso que dirão que só nos comovemos com essa perda porque é filho de artista conhecida. Ora, é e não é. Essa atenção se dá não só porque temos acesso ao fato, porque ele sai no jornal, mas principalmente porque o artista nos representa. Cissa simboliza alguns signos: força feminina, independência, modernidade, informalidade, honestidade, uma vez que seu nome nunca esta envolvido em falcatruas, responsabilidade materna, porque todos sabem que ela criou os três filhos, sem contar seu carisma e sorriso, que desde a primeira versão do Vídeo Show, fazem dela uma espécie de gente da nossa família. Por isso nos importamos tanto, por isso dói na gente porque fica representando nossos filhos e os filhos de quem não sai no jornal. O menino dela é menino nosso.Tenho em minha mente a imagem dela lendo meu poema Chupetas, punhetas,, guitarras" no espetáculo O Semelhante. Ela adora esse poema e, como minha convidada, chorava lágrimas sinceras ao dizer os versos: `...faço compressas pra febre, afirmo que quero morrer antes deles...." Por causa dessa imagem nem tive coragem de ligar para ela e, impossibilitada de dar-lhe meu abraço por estar em viagem, busquei nas palavras algum remédio que buscasse o entendimento desta tragédia. Por isso pergunto: "O que matou esse jovem de menos de vinte anos? O que lhe roubou o futuro?". Pelo o que li e vi na TV, a impunidade integra ,de novo, o elenco da barbárie. Policiais que estavam no local, ao que parece, foram outra vez coniventes com quem desrespeita a lei que representam. Não conheço os assassinos de Rafael e nem quero aqui ser leviana, mas toda hora vejo uma legião de famílias que não prioriza o amor pelo seu semelhante no conteúdo educacional dos seus filhos. Não é só para bandido que a vida não vale nada. Não. Ela também não vale para o menino que, com o carro que talvez nem possa manter, dá cavalo de pau em um túnel fechado cuja placa de interdição ele não aceita. Há jovens criados com a perversa ilusão de que tudo podem e que diante de seu poder e dinheiro não existem porta fechada, respeito, lei. Desde quando mataram o índio em Brasília que me caiu essa ficha:Alguém dentro de casa ensinou, através de palavras ou ações, a esses meninos infratores da classe média e da alta, que a vida não vale nada. Esse assunto tem raízes mais profundas e nos leva a questionar como estamos educando nossos filhos. Gente ou monstro? Precisamos saber se estamos educando nossos filhos dentro da cultura da paz e afinados com os Direitos Humanos. Nesse sentido entendo que violência no futebol, na escola, pegas de carros, e outras agressões no trânsito, o recorde de vendas de armas de fogo que o Brasil atingiu nos últimos anos, excesso de vaidades anabolizantes, a corrida louca pelo dinheiro e outros sórdidos sensos comuns integram para mim a cultura da guerra. Hoje, mesmo com casamento gay, preconceitos ainda destilam suas variadas conseqüências em nosso mundo contemporâneo que ainda mata mulher por "amor". Então que evolução é essa? A que nos convoca esse novo tempo? Por isto e para isso escrevo, meus senhores, para que não fiquem impunes os cúmplices desse crime por atropelamento, para que os pais parem de uma vez por todas de armar seus filhos por fora oferecendo-lhes carrões, cartões de crédito sem limite, nenhum juízo, e passem a amá-los por dentro mostrando todos os valores que o dinheiro e o poder não compram, mas que podem salvar uma vida. Cissa, meu amor, quem me dera essas palavras pudessem restituir o tecido rasgado do seu peito nessa hora. Quisera poder adormecer seu coração, anestesiar o seu olhar sobretudo o que recordará a partida do seu fruto. Não posso. Só sei que o tempo fará com que, o que hoje é ausência, vire presença luminosa e eterna na sua memória e que você, o Raul e seus outros filhos construam com valentia e calma essa sublimação. Nem a morte apaga o que o amor construiu, isso eu sei. Termino essa crônica com o verso do tal poema que aqui está a serviço de seu coração generoso : "choram Meus filhos pela casa, eu sou a recessiva bússola, a cegonha, a garça, com o único presente na mão: saber que o amor só é amor quando é troca e a troca só tem graça quando é de graça."

Beijos, sua Elisa Lucinda.