Saboreiem uns trechinhos:
É um blog inspirado na Maiêutica para responder a perguntas que insistem em não aceitar respostas. Pretendo reconstruir meu mundo. Por hora encontra-se suspenso de qualquer juízo, embora saiba que há um substrato existencial do qual não posso me isentar.
Não esperem coerência e coesão em meus textos. As ideias aqui expressadas por mim, se dispõem de modo prolixo, com sentido e articulação que só eu percebo ninguém mais. contudo, não descarto a possibilidade de que, eventualmente, alguns de vocês possam concordar ou discordar delas. Afirmo, portanto, que este blog é uma tentativa minha de organizar e saber a quantas andam meu confuso pesamento, muitas vezes irônico e tantas outras cáustico.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Amós Oz e sua Caixa-Preta
Saboreiem uns trechinhos:
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
IMPRESSÕES, MEMORIAS!!!
Li este conto na pagina da ctbaaudry, na netlog, perguntei se era dela o conto e ela disse que não conhece o autor(a). Mas quero ressaltar que se não fosse pelo bom gosto dela, eu não teria lido esta obra prima. É longo, mas para mim valeu cada letra lida.
Sabe, penso sempre que se houver mesmo um dia do Juízo Final, a melhor porta voz para relatar a evolução da humanidade, não poderia ser outra pessoa que não uma prostituta.
"Se a avó soubesse que todo o conhecimento que proporcionara à neta pensando que ela teria outro destino, melhor, com boas recordações, era, na verdade, para ela como um abismo que a puxava para baixo, tirando-lhe todo o ar, sufocando-a naqueles interiores secos e selvagens que transformavam toda filosofia e arte em erva daninha e reduziam as almas mais elevadas a pó, não teria deixado a neta abrir sequer um livro, e também ela não teria se salvado. "
ESSE TRECHO EM ESPECIAL É DE MATAR. TODO O CONTO ESTA CHEIO DE TANTA POESIA E DE COISAS TÃO PROFUNDAS QUE NAO ME ARRISCO A FALAR MUITO COM MEDO DE ME AFOGAR.
IMPRESSÕES, MEMORIAS!!!
Os interiores são regiões abruptas da alma. Fétidas. Expulsam bom senso e as demais moralidades, servem-se fartamente de suas próprias leis, enlamam-se em misérias e toda sorte de perversões. Cinzentas, avermelhadas, negras, suas variações são múltiplas, suas delicadezas profundas, sua sensualidade quente e rasteira. Os interiores não são para qualquer um.
Solitários e úmidos, às vezes, ou cheios de barulho e melancólicos quando sofridos por qualquer onda de frio. Pacientes, esperam pela mudança que nunca vem, pelos ciclos eternamente a repetirem-se. Porque é dos interiores a mudança que nada muda, o silêncio perpétuo que só na forma de grito se escuta.
As histórias ali são muitas. Contadas e recontadas servem para alimentar sua cadeia interminável de misérias e vãs piedades e inspirar boas condutas ou potencializar as más. Foi assim que em uma pequena vila completamente esquecida e desencontrada, plantada nos interiores do Brasil, ouviu-se dizer de duas mulheres que viviam juntas. Uma era avó e a outra sua neta. A primeira já era mulher havia um bom tempo, contava já os seus sessenta anos, enquanto a segunda apenas começava a trajetória nem sempre fácil de ser mulher. Viviam em casa simples, pequena e mofada. Antiga, a construção nunca mudara e esboçava nos trincos nas paredes as marcas do tempo, na tinta já descascada os humores dos climas quentes daquelas paragens e, no cheiro forte e denso, os sinais de solidão e do esquecimento.
As duas nunca saíam. Nunca tinham visto nada que não fosse a vila onde viviam. A velha lhe decorara os campos secos e as ruas sem árvores, onde as poucas e espalhadas casas se expunham ao sol forte de quase todos os dias ou às chuvas que vinham de vez em quando pelas beiradas. Nunca vira o mar ou outras paisagens, montanhas só as imaginava, metida que estava no meio de toda aquela planície que nunca mais acabava. Só conhecia estradas retas, rios tímidos e acanhadas árvores. Mas não tinha vontade de conhecer outras geografias. A sua lhe bastava. E bastou-lhe tanto que ela agora passava os dias deitada em um sofá que a prima Dinorá trouxera de Paris, todo moderno, cheio de luxos e cores, vindo do exterior, a contrastar com aquele pedaço de vida que se comprazia em descansar sem estar cansada, em olhar para tudo sem olhar para nada. Um interior seco, tão seco como o que a abrigava.
Dona Marina enlouquecera sem que ninguém nunca lhe soubesse propriamente a causa. Ela inclusive parecia mais sã do que todos ao seu redor, mas, ao mesmo tempo, parecia mais louca do que todo um hospício. Desgostara-lhe a vida, era o que diziam as comadres vizinhas, e da depressão e fastio veio a demência, a fragilidade, a enorme dependência, a infantilização quando velha, a humilhação nem sempre percebida, a insegurança de quem nunca esteve onde gostaria. Camas variadas a abrigaram antes de chegar a esse sofá vindo de tão longe, chique e pomposo, muitas delas bastante sujas e ensebadas. Marina quando chegara ao vilarejo, ainda menina, logo caíra nas graças da prostituição, que da capital rapidamente se espalhava rumo ao interior. A mãe pusera-se ensandecida depois que o pai a abandonou por uma dessas mulatas quentes e oferecidas. Nesse meio tempo, Marina tornou-se protegida de uma mulher com excessivo cheiro de perfume barato que era dona de uma escondida e quase imperceptível casa de mulheres que a educou e também a iniciou nos prazeres da vida. Eulália, que assim se chamava a benfeitora de Marina, apresentou à então moça os homens mais abastados da região, políticos da vila e das cidades maiores que a cercavam, padres, advogados, professores, empresários, velhos, moços, artistas, homens vazios e cheios de espírito, homens sedentos de amor e outros sequiosos de vícios.
Por um dos tantos homens apaixonou-se, já sabendo que essa seria a grande desgraça da sua vida. Ela ia por essas épocas com vinte e tantos anos e era ele da mesma idade. Grávida e abandonada, Marina continuou vivendo sob os favores de Eulália e continuou trabalhando enquanto pode, mesmo com todos os riscos. Muitos anos depois, viu escorrer-lhe por entre os dedos a filha que, assim como ela, seguira o mesmo destino. Muitos ao comentar o episódio diziam que não podia ser diferente já que ainda na barriga da mãe a filha já escutava os gemidos dos prazeres forçados e o cheiro dos ambientes mais libertinos. Fugida com um aproveitador de quinta, a única filha de Marina foi morrer em um desses hospitais que mais parecem cortiços espalhados por esses interiores sem fim, e deixou a neta que agora acompanha a avó miseravelmente ensandecida. Marina prometera para si mesma que a neta nunca teria que se deitar com quem ela não queria, sentindo aquelas barrigas encharcadas de suor, aqueles bafos de pinga barata, aquelas mãos ásperas, aquele gozo doentio e alucinado ou correndo o risco de quem sabe apaixonar-se por homens que nunca a mereceriam de fato.
A neta seria diferente. E realmente fora. Mas como de destino não se foge, a diferença veio lhe ser fatal.
Nina desde sempre enfastiara-se daquela cena sem mudanças, de uma imobilidade mórbida, inócua, ofuscada. Quando a mãe a deixara, ela tinha uns dez anos de idade e a avó já alcançava os cinquenta. Nesse tempo já não exercia mais os antigos ofícios e não podia mais contar com Eulália que falecera. Vivia de trabalhos de costura e de ajudas de antigos clientes que fizeram-se amigos por uma razão ou outra. Muitos sempre buscaram em Marina apenas uma companheira que lhes desse conselhos, talvez, essas coisas só sejam acreditadas por corações ingênuos, mas eis que elas existem, e muitos dos amigos de Marina até hoje a ajudavam em troca de pequenas palavras que lhes provocavam grandes efeitos na alma.
Os primeiros dez anos passaram-se assim muito bem. Até que a avó começou a perder o juízo e ficar naquele estado que há pouco descrevemos. Nesse tempo, a existência compartilhada com uma avó da qual não se podia extrair qualquer tipo de certeza em relação ao estado mental e temperamento, apenas reforçara o imenso tédio que as regiões interioranas causavam a Nina. Alguns fatores, no entanto, atípicos para a solidão e isolamento de sua existência fizeram dela tudo que, por causas naturais, ela não viria a ser.
Marina se devotara à neta, ainda que devotar talvez fosse uma palavra exagerada para seu espírito. Seu devotamento era antes por medo da sua própria solidão do que por alguma espécie de amor maternal. Nunca deixara que a menina trabalhasse, ela vez ou outra lhe ajudava com algum serviço de costura, mas seus planos para a neta eram outros e, por incrível que pareça, justificando o fato de que às vezes ela parecia mais dentro do seu juízo do que muita gente ao seu redor, quando se tratava de questões relativas à neta, Marina era de uma racionalidade invejável.
Um dos amigos mencionado anteriormente ficou incumbido da educação da Nina. Era ele um professor que Marina conhecera quando ele era ainda muito jovem e viera a ela em uma noite chuvosa e morna pedir-lhe conselhos em relação ao primeiro amor, tomando-a como mulher experiente como ele achava que era ela. De espírito vasto, aberto para a poesia e para as demais liberdades da arte, Bento, assim se chamava, lera muito, conhecia música, literatura, sabia grego, latim, e sua índole aventureira estava ávida por transmitir seus conhecimentos a uma nova aluna.
Nina ia por esses tempos lá pelos vinte anos, enquanto Bento já contava quarenta. Mesmo assim, dado ao profundo amadurecimento de Nina, talvez por conjecturas que nem mesmo ela soubesse, e à eterna sensibilidade de Bento, as relações entre os dois iam cada vez melhores e mais próximas, o que logo suscitou comentários na pequena vila onde moravam.
Um dos problemas dos interiores é justamente esse. Certos espíritos que, por lances do destino, saem da normalidade medíocre e rasteira dessas regiões estão fadados a nunca se encaixarem nelas e a tornarem-se objeto da prática que mais germina sob esse solos vis e mesquinhos: os mexericos e as fofocas.
Mas Nina não se incomodava com eles. Fria e resoluta, sugava os conhecimentos de Bento, como a terra suga toda a água que sobre ela paira, e não era só os conhecimentos do professor que ela tomava para si. Arrastava como serpente os olhos negros, os lábios finos de dentes já amarelados, a barba por fazer, os fios de cabelo branco que se misturavam aos negros cada vez mais raros.
Fazia com que todo ele se fosse perdendo dentro dela em um misto de feitiçaria e amor, amor que ela não sabia se sentia e não saberia nunca, mas que ele tão bem conhecia por uma vida regada de prazeres, mas nunca assim tão puro, tão inteligente e tão vicioso ao mesmo tempo.
Nos intervalos das aulas, um dos passatempos preferidos de Nina era sentar-se em um sofá em frente à avó, que como dissemos arrastava seus dias de loucura estirada sobre a luxuosa peça francesa, abrir algum livro que atualmente estudava com Bento e simplesmente ficar ali lendo, de vez em quando elevando os olhos das páginas em direção à avó.
Esta soltava de vez em quando um morno comentário do tipo, “gosta de ler não é Nina, ah se eu pudesse ler também, mas não gosto, nunca gostei. Mas ela gosta, como gosta”, e dizia como se conversasse com alguém além delas duas, isoladas pelas paredes velhas daquela sala.
Depois, distraidamente, voltava a perguntar, “que livro é esse que está lendo”, Nina respondia o nome do título e logo perguntava se a avó queria ouvir um trecho para distrair a cabeça. A outra tacitamente dizia que não. “Nada de histórias, quem gosta de histórias são as moças, eu já estou velha e já tenho as minhas”.
“Então me conte algumas”, dizia Nina com o espírito curioso que sempre tivera. “Não, não, nem vale a pena, aliás, nem sei se eram minhas”.
Nina então voltava para suas páginas como se quisesse fugir da intensa falta que brotava do olhar de Marina. Seus olhos castanhos eram de um vazio quase infinito e neles Nina não conseguia enxergar nada, sequer uma tristeza, um ódio. Nada.
Mas uma coisa interessante acontecia todas as vezes que ela começava a ler, somente riscando as linhas com os olhos. A avó fechava os olhos, coisa que quase nunca fazia, e, no seio do silêncio que se instalava entre as duas, profundo e interminável silêncio, interrompido apenas pelo virar das páginas do livro, a avó parecia viver aquela mesma história que os olhos de Nina percorriam. E ela então via uma revoada de pássaros, imensa, migrando de um ponto a outro, atravessando um imenso mar, deleitava-se em uma praia comendo as frutas mais deliciosas que alguém poderia encontrar, se isolava no meio da floresta e compunha cantigas, velhos poemas esperando que alguém lhe viesse resgatar, e ela era uma heroína que jurara nunca amar, e ela era enfim uma cortesã que amava todas as noites. E ela se lembrava de seus dias de glória, da sua juventude, das suas formas firmes, do seu olhar castanho e dilacerador, ela se lembrava dos homens, dos presentes, dos nojos, dos calafrios, e dos delírios, dos vícios, dos perfumes, do perfume de Eulália, dos cheiros, das danças, do calor, do quarto quente, dos lençóis manchados de sangue, do sangue, da filha, do amor, do sangue…
E Nina fechava o livro e Marina enfim deixava de lembrar. Os olhos se abriam e quando Nina os olhava, ali continuava sem existir nada, e a transformação que há pouco se desenrolara a neta nunca viria a saber, a descortinar, pois, por vontade do destino, seus olhos estavam sempre imersos na página, dentro de outras paisagens, olhando pra baixo enquanto a avó olhava para dentro de si mesma. E os olhos de Marina só se fechavam para dentro de si, quando os olhos da neta também se fechavam dentro de mais aquela história, de mais um daqueles livros tão desinteressantes para Marina, tão necessários para Nina e, no entanto, desencontrados os olhares, as duas viam ao mesmo tempo, as duas iam para o interior.
As relações entre Nina e Bento iam cada vez mais entrelaçadas feito uma corda cheia de nós, virada sobre si mesma da qual não se consegue desvencilhar, para a qual é perigoso muito olhar sob pena de cair em qualquer tipo de tentação. Uma corda que às vezes se converte em cobra, que se enrola em volta de seu pescoço disfarçando ser enfeite enquanto na verdade apenas prepara o bote.
Nina aprendia, aprendia muito. Lia durante o dia, tocava piano durante a noite, dançava em horas vagas, pintava aos domingos, aprendia tudo com Bento que, cada vez mais apaixonado, fazia de sua aluna seu sonho de mulher, seu ideal de poesia, mas, ao mesmo tempo, ia dando a ela as formas de uma incógnita selvagem que quanto mais sabia do mundo, mais se sentia dona de si, independente dos homens, realizando assim o obscuro desejo de Marina, que sempre quisera que a neta, ao contrário dela própria, valesse por si mesma.
Bento ainda não chegara e Nina lia ao lado da avó. Marina estava do mesmo jeito, seu quadro era tão estável quanto os dias e as noites da vila que a abrigava, não havia vento, não havia diferentes folhagens, nada de novo, a eterna mesma paisagem.
O ritual dos outros dias se repetia quase como uma celebração sagrada. A avó comentava os gostos de leitura da neta, a neta lhe oferecia sua história, mas Marina se guardava para a dela. Hoje, Nina lia a história de uma dama da alta sociedade paulistana que se apaixonara por um homem pobre e abandonara toda a família, incluindo um filho, por amor a ele. No entanto, passada a empolgação dos primeiros anos, o amor do seu escolhido por ela esfriara e o peso de todos os seus sacrifícios, somado à imensa desilusão em ver que o motivo pelo qual ela havia feito tudo aquilo não estava mais diante de si, fizeram com que aos poucos ela fosse enlouquecendo, recolhendo-se dentro dela mesma, até que acabou com a sua própria vida, condenando seu grande amor a dias longos de inigualável tristeza e tortura.
Enquanto Nina lia essa história, Marina, de olhos bem fechados, percorria a sua e revivia a vida desde criança até agora. Repassara todos os natais, os momentos sozinha, pensara na filha, na filha dentro do seu ventre, ouvindo seus prazeres fingidos, ou suas dores gozadas, no amor, na perda que sentira, pensava no excesso de prazeres que nunca lhe trouxera nada, que a fizera assim uma coleção de nadas, pensava nas festas, orgias, em campos de paz, em anjos…
Terminada a página daquele dia, Nina cerrou o livro e viu que de dentro dele uma velha flor já murcha e gasta pelo tempo deslizara para o chão. Quando se agachou para apanhá-la percebeu que os olhos da avó estavam bem abertos como sempre, mas mais imóveis do que de costume. Aproximando-se um pouco assustada, identificou neles, pela primeira vez em muitos anos, um resto de lágrima que caíra já seca pelo rosto, e viu dentro dele, bem no fundo, bem no interior invisível das pupilas, a história que terminara de ler e reconheceu uma história na outra e percebeu que sua história, mesmo sem querer, fizera Marina lembrar, ser, pela derradeira vez, o que sempre fora, e uma lágrima brotou dos seus olhos igualmente castanhos, que se iniciavam na vida diante da morte.
Nina chamou Bento para que providenciasse os preparativos para o enterro. Seria algo simples. Marina deixou sua vida sob uma fina chuva que caía, rodeada por muitos homens e por uma única mulher, Nina.
Um mês depois, a neta de Marina esperava por Bento que a levaria para um baile na cidade grande, próxima da vila. Nina já se fizera mulher com toda argúcia e todo espírito que leituras e arte podem dar a alguém. Não se parecia com ninguém da sua idade, todas as moças eram diferentes dela e falavam dela, de sua conduta com Bento, de seu comportamento, diziam: “avó, filha e neta, todas iguais”.
Os bailes se sucederam, purpurinas, lantejoulas, luzes, luxos, danças, bebidas, interesses, vaidades, pudores. A beleza de Nina se multiplicava a cada dia e sua angústia diante do eterno marasmo de sua vida se lhe tornava insuportável. Casara-se com Bento que aos poucos foi se lhe tornando tão tedioso quanto era esperado pela diferença de idade. Amava-o e não o amava ao mesmo tempo. Antes chegara até a admirá-lo, mas agora, agora ela não precisava que ele lhe ensinasse mais nada, como o mar enjoado das pedras, ela cansara de bater-lhe frequentemente, de tirar-lhe os pedaços e voltar sempre enfurecida, eternamente, por nada. Se a avó soubesse que todo o conhecimento que proporcionara à neta pensando que ela teria outro destino, melhor, com boas recordações, era, na verdade, para ela como um abismo que a puxava para baixo, tirando-lhe todo o ar, sufocando-a naqueles interiores secos e selvagens que transformavam toda filosofia e arte em erva daninha e reduziam as almas mais elevadas a pó, não teria deixado a neta abrir sequer um livro, e também ela não teria se salvado.
Depois de casados, eles se mudaram da antiga casa onde Nina vivia com a avó, mas Nina quis levar o sofá onde Marina morrera e onde passara tantos dias deitada. Certo dia, não suportando olhar para o espírito do marido e indignada do que lhe vinha sendo feito dela própria, esfarelada por aquele interior seco e inóspito, lhe pediu que ele lesse a história da dama paulistana em silêncio ao seu lado, e que ficasse concentrado na história, sem olhar para ela. Nina fechou os olhos, mas não se lembrou de nada. Qual era sua história? O que ela havia vivido, o que ela teria esquecido? Nada.
Olhar Drummondiano
"O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.
Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais...
... Mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?
Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho?
Quero viver bem.
O ano que passou foi um ano cheio.
Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal.
Às vezes se espera demais das pessoas. Normal.
A grana que não veio, o amigo que decepcionou. Normal.
O próximo ano não vai ser diferente.
Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí?
Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?
O que eu desejo para nós é sabedoria!
E que saibamos transformar tudo em uma boa experiência!
Que consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim...
Entender a pessoa que não merece nossa melhor parte. Se o amigo decepcionou, passe-o para a categoria três, a dos colegas.
Ou mude de classe, transforme-o em conhecido. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.
O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro: CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE.
Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.
Desejo para nós esse olhar especial.
O próximo ano pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso.
Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro.
O próximo ano pode ser o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular... ou...
Pode ser puro orgulho!
Depende de mim, de você!
Pode ser.
E que seja!!!
Feliz olhar novo!!!
Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos,
afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles!"
Um Ano Novo
Benvindo 2012...
A Poesia de Canudos
É uma pena que pouco saibamos dos projetos regionais para além do Rio de Janeiro e de São Paulo. A mídia não colocabora e, quando o fazem, disponibiliza em horários dito "não-nobre", pois geralmente é de madrugada ou pela manhã bem cedo. Com isso, nos empobrecemos a medida que desconhecemos a nossa própria história como nação brasileira.
Hoje (07/01/2012), conheci o Projeto Canudos, no programa Globo Cidadania, em pleno sábado, antes das oito horas da manhã. Tão bonito ver as crianças elaborando textos em forma de cordel para falar de suas vidas, de seus lugares e de seus sentimentos como orgulho. Maravilhoso ver um poeta José Américo Amorm, em meio a feira, recitando um poema sobre sua terra, por sinal belíssimo. Quem quiser ver o vídeo pode acessar o link: www.globocidadania.com.br.
Curiosa em conhecer o trabalho do poeta José Américo Amorim, busquei no santo google e encontrei o site da Câmara Brasileira de Jovens Escritores e, nela, uma parte só com a poesia canudense, interessantíssima e que contém um poema do poeta Amorim, pena que eu seja tão analfabeta digital e só tenha encontrado um poema desse artista. Eis o link: http://www.camarabrasileira.com/cordel41.htm - Encontrei também um site que disponibiliza imagens, teses, etc. sobre Canudos. http://canudos.portfolium.com.br/
LUIZA NÃO ESTÁ MAIS NO CANADÁ
É impressionante a versatilidade do nome próprio Luiza, mas acho que não é mais próprio é coletivo, é de todo mundo, menos de Luiza.
Nunca havia reparado nas multiplas funções que esse nome adquiriu ao longo da história brasileira. Primeiro como nome próprio, segundo como título de uma linda canção de Tom Jobim, terceiro como sinônimo de falta na lingua portuguesa brasileira (será que os países de lingua portuguesa também aderiram? Acho que sim, afinal estamos na Era da GLOBALIZAÇÃO), quarta como noticiário da maior importância nas redações da TV GLOBO, onde os funcionáios pararam todas as suas atividades para aplaudir e tirar fotos com a mais recente e instantanea celebridade mundial.
Um detalhe super importante e que não deve ser esquecido: ela [Luiza (pessoa)] é uma criatura humana super tímida que, de uma hora para outra, ganhou "FAMOSIDADE" por alguma conjuntura convergente, extraordinariamente extraordinária e, que ninguem, nem mesmo os "profetas" das especulações das bolsas de valores do mundo sabem explicar.
Existe coisa mais APOCALÍPTICA do que esse retorno da LUIZA?
POBRE MENINA RICA DE "FAMOSIDADE"
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Direito ao Delíro - Eduardo Galeano
Assistam os dois vídeo e entenderão o porquê de desejar-lhes isso. Caminhem, caminhem, com sapatos, com chinelos, com saltos altos, com saltos baixos, com botas, sem botas, descalços, com meias, não importa como, apenas caminhem.
Não vivamos sem razão. bjs.
Eduardo Galeano
http://www.youtube.com/watch?v=m-pgHlB8QdQ
Pra não dizer que não falei das flores.
http://www.youtube.com/watch?v=BvxFwWdYVe4&...
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Somos uma Sociedade Descartável?
Voltemos ao telejornal. Parafraseando uma adolescente na entrevista: “fiz sexo sem preservativo com meu namorado porque ele disse que se eu não fizesse, ele ia fazer com outra”. Percebem o grau da ignorância? É como o fenômeno do analfatismo funcional. É exatamente isso. Como que diante de um total descaso, a mulher adolescente e as adultas também se submetem a um capricho do homem. Mas sabe o que é pior, os adolescente nem se dão conta disso, contudo, as mulheres adultas tem consciência, e ainda assim, se submetem (é claro que há exceções, as que se submetem pela violência).
Nós, e agora me refiro a homens e mulheres de todas as idades, por nossa “plena” liberdade do corpo, de nossa “modernidade”, estamos nos aniquilando gradualmente. Suicidamos gratuitamente. nossa liberdade sexual, acabou por impor um interdito a pleno acesso aos nossos corpos. De fato, vivemos o presente. Mas um presente fora do tempo, um presente que nos distitui de subjetividade, seremos meros números.
Mas que droga de engrenagem é essa. Não pode ser só o descaso na EDUCAÇÃO. Mas isso não cabe apenas a educação institucional, existem fatores e formação que só a família é capaz de dar. Entretanto, por necessidade de preservar o corpo físico ou o luxo, deixa-se todo o resto relegado ao acaso e ao meio.
Grande parte dos nossos jovens e de muitos adultos são autômatos, menos que máquinas e, menos ainda que animais irracionais, porque estes realmente não raciocinam (pelo menos em tese), mas são dotados de instintos que preservam suas vidas. Mas essas pessoas, por mais que se classifiquem como animais racionais, não tem percepção do que seja raciocinar. E, se não sabem, não utilizam. Portanto, não teem defesa alguma contra sua extinção. Suas vidas são massas informes.
Será que vivemos numa sociedade de indivíduos descartáveis? Por que perdemos o bom senso?
A razão é uma das armas que temos em nossa defesa, mas infelizmente, abrimos mão dela, ao não usarmos os preservativos descatáveis e confiarmos em ficantes, em relacionamentos pouco proveitosos, por uma necessidade física exacerbada ou não. Pois acredito que quem ama, cuida e preserva o outro. Se um homem, exige transar com uma pessoa sem preservativo, é o sinal mais claro de que deve ser descartado imediatamente.
Não se morre por falta de sexo, mas se morre pelo sexo sem preservativo e sem responsabilidade.
No Brasil, no estado do Rio de Janeiro, sábado, das 9h as 17h, todos os postos de saúde farão testes de HIV.
Para maiores informações, visitem o site: www.aids.gov.br
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
"Diário de uma perereca depilada" ontem às 16:02
perspectiva sonhadora porque é por nós e pelos parceiros que nos submetemos ao “sacrifício”, é por eles que nos submetemos só para ver seus olhos brilharem de desejo ao nos ver e nos sentir em nossa intimidade mais externamente íntima [é redundante eu sei], esse é o nosso objetivo: a redundância dos prazeres advindos desse ato nosso de cada 7, 15 ou 30 dias.
Advirto que a minha história com esse texto é incompleta. Mas, pela repercussão que ele teve junto a meus amigos e amigas em outro site de relacionamento, decidi compartilhar com os meus amigos da netlog também. Na verdade, encontrei o texto numa dessas minhas incursões aos blogs alheios desse site. O fato é que houve uma enxurrada de pedidos para saber o nome do autor ou autora do texto, infelizmente não descobri, visitei o blog da moça que disponibilizou esse texto e não é ela a autora. Ela me respondeu que recebeu de uma amiga que também não é a autora e também não sabe quem é e que recebeu via e-mail. Coisas da internet, enfim, a história do telefone sem fio.
Peço que se alguém souber de quem é o texto, me informe para dar o crédito devido ao autora (o), pois adoraria saber e ver se tem textos tão bons quanto esse. Mas deixemos de lero lero e vamos a essa jóia feminina. Foi exatamente assim que copiei do blog.
Diário de uma perereca depilada
"Tenta sim. Vai ficar lindo."
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve, mas acho que pentelho não pesa tanto assim.
Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa.
Eu imaginava que ia doer porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria.
Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- Cavada mesmo.
- Amanhã, às.... Deixa eu ver...13h?
- Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui.
Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal.
Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado.
Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas.
Uma mistura de Calígula com O Albergue.
Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca.
Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura.
Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça.
Meu Deus, era O Albergue mesmo.
De repente, ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- Quer bem cavada?
- É... é, isso.
Penélope, então, deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco, senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia p-o-r-r-a nenhuma do que ela fazia. Mas confiei.
De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- Pode abrir as pernas.
- Assim?
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
- Ar-re-ga-nha-da, né?
Ela riu. Que situação.
E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha virgem.
Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca.
Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto.
Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu.
Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.
O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer.
Todas recomendam a todas porque se cansam de sofrer sozinhas.
- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que idéia.
Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação. Menina, mas tá cheio de encravado aqui.
Olha de perto.
Se tivesse sobrado algum pen-te-lhi-nho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali.
Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta". Só voltei à terra quando entre uns blá-blá-blás ouvi a palavra pinça.
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada.
Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci a Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o "olho que nada vê". Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, pei-dar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- Tudo bem, Pê?
- Sim... sonhei de novo com o c-u de uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks.
Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação.
Sei que ela deve ver mil c-us por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bun-da tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha mais pra contar a história. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xin-ga-men-tos, preces, tudo junto.
- Vira agora do outro lado.
Por-ra.. Por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
- Penélope empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope.
E agora a vizinha inconveniente.
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa me-rda...
- Baixa a calcinha, por favor.
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção.
Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança.
Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada e matar o primeiro homem que ver e não comentar absolutamente nada.!!! Não fiz nada disso... Um mês depois...
- Normal ou cavada?
Coisas de perereca, vai entender...
Somos mescla de Matéria e Espírito
"Mas essas lutas no mundo moderno não são outra coisa senão os anos de aprendizagem, a educação do indivíduo na realidade dada, e adquirem dessa forma o seu verdadeiro sentido. Pois o término desses anos de aprendizagem consiste em que o sujeito apara suas arestas, integra-se com seus desejos e opiniões nas relações sociais vigentes e na racionalidade destas, ingressa no encadeamento do mundo e conquista neste uma posição que lhe é adequada". (HEGEL)
Para mim, o ser humano beira as raias da perfeição, não quando evita fazer o mal, mas sim quando o encara cara a cara. Acredito que isso que denominam ser o mal, seja apenas nossas pulsões mal ajambradas, condicionadas e recalcadas dentro de nossa mente por uma questão mais moral do que natural.
Sim, porque nos acovardamos mais diante de nós do que dos outros? É claro que no fundo sabemos ou suspeitamos o que e quem somos. Temos medo e buscamos máscaras para nos encondermos de nos mesmos, como se isso fosse possível. A nossa consciência é um Juíza impiedosa, por isso, é preciso que nos instruamos para conhecermos nossa fisiologia tanto material quanto espiritual e agirmos com sabedoria ou pelo menos com um mínimo de bom senso diante desse espetáculo que conheço como VIDA.
sábado, 19 de novembro de 2011
CARCARÁ
Mas o que é Carcará? Segundo dicionários, o nome é uma variante etimológica da palavra tupi “karaka’rá”. Os ornintólogos classificam como uma ave de rapina da família dos falconídeos. Contudo, toda essa explicação acadêmica, nada fala dessa ave que é um símbolo, mais que representativo da região nordestina. É uma ave reincidiva, obstinada a viver. Tem garras, bico, força, perspicácia e uma vontade férrea para manter-se viva.
No post anterior, escrevi algo para um amigo, imbuida talvez por uma associação livre do meu consciente que captou, por instantes, o que meu inconsciente deixou escapar, toda vez que ouço algumas palavras e frases que me remetem ao que eu chamo de meu barro original, O NORDESTE. Árido, seco, mas por Deus, nunca entendi o porquê da potência que essa região exerce sobre seus filhos.
O que escrevi para meu amigo foi uma resposta a algumas palavras e frases de seu poema “Louco Querer”, cuja temática é amorosa e não regional. Mas tocou em meu íntimo e manifestei-me desse modo:
“Deu-me saudade do meu torrão natal, tão seco e tão árido. Respirei por longo tempo no lodo dos leitos dos rios intermitentes, assim como os peixes, para estar aqui, a frente do laptop a ler tão belas coisas que me levam de volta ao veio que me nutriu durante 13 anos. Ainda sinto nas veias aquele vigor de viver, viver profundamente. Obrigada, meu rosto está salgado”.
Talvez seja um chamado materno, que chora a ausência de seu filhos, pois aqueles que de suas entranhas vieram ao mundo, tem uma necessidade de voltar sempre, sempre e sempre. É uma fonte inesgotável e só ela consegue matar nossa sede. Mas por pura questão de sobrevivência e eternidade, saimos à revelia do berço e do regaço de seus braços, que protege até onde pode, mas depois, não consegue nos defender das intempéries cíclicas de sua própria natureza.
Talvez essa força advenha das vidas que sucumbiram e alimentam aquele solo. Ele está encharcado de nossos antepassados que, querendo resistir como o carcará, não perceberam que nossa natureza humana, tem nesgas racionais que nos impedem de “pegaR, mataR e comeR!”, pois isso não seria um ato isolado, mas o cotidiano, a via de regra.
Contudo, esse é um mantra gravado em nosso DNA. Respondemos a ele toda vez que necessitamos sobreviver, nos defender. Há um quê de irracional em todo ser humano, não somos os únicos, é verdade, Mas a natureza nordestina é forte, resistente. Para nos derrubar, é preciso ser mais forte, muito mais forte. Assimilamos muito rapidamente o que não podemos vencer, desse modo, é como se nos vacinássemos, e contivessemos dentro de nós, um antídoto para esse perigo latente e iminente de nossa aniquilação. Antes tê-lo junto do que longe. Numa simbiose que cura e mata simultaneamente.
http://www.youtube.com/watch?v=NZbxncygOPQ - Maria Bethânia
http://www.youtube.com/watch?v=4L0DInKUnzc - Chico Buarque e João do Vale
Carcará!
Lá no sertão...
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará....
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando
Carcará...
Vai fazer sua caçada
Carcará...
Come inté cobra queimada
Mas quando chega o tempo da invernada
No sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará!
Pega, mata e come
Carcará!
Num vai morrer de fome
Carcará!
Mais coragem do que homem
Carcará!
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa no bico inté matá
Carcará!
Pega, mata e come
Carcará!
Num vai morrer de fome
Carcará!
Mais coragem do que homem
Carcará!
Pega, mata e come
Carcará!
"Em 1950 mais de dois milhões de nordestinos viviam fora dos seus estados natais. 10% da população do Ceará emigrou. 13% do Piauí! 15% da Bahia!! 17% de Alagoas!!!"
(Carcará...)
Pega, mata e come
Carcará!
Num vai morrer de fome
Carcará!
Mais coragem do que homem
Carcará!
Pega, mata e come!!!
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
A Eternidade Efêmera do Amor
Ontem li num post de M J S Barroso um texto de Arnaldo Jabor em que ele fala sobre os relacionamentos. Concordo com ele plenamente. Quem quiser ler o texto na íntegra pode acessar o link http://pensador.uol.com.br/comeco_de_namoro/. Neste outro link http://pensador.uol.com.br/autor/arnaldo_jabor... . Tem coisas ótimas do Jabor, mas não está bem organizado.
Amo um poema intitulado “AMAR” de Florbela Espanca que não põe limites a seu amor, que se doa, que se entrega ao que eu poderia chamar de amor essencial e não particular, mas que dá margem a uma querela entre o que seja universal e particular, pois quando ela diz “E não amar ninguém” já fico esvaziada, pois o amor a dois é completamente singular. Mas diante de minha realidade, como negar que “quem disser que se pode amar alguém / durante a vida inteira é porque mente!”.
Eis o poema na íntegra:
“Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!
Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...”
(In: Obras Completas de Florbela Espanca, vol II, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 3ª ed. 1987)
Filme "A Pele que Habito"
Filme de Pedro Almodóvar, em exibição. Estrelado por Antonio Banderas, Elena anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet, entre outros.
Sinopse
Roberto Ledgard (Antonio Banderas) é um conceituado cirurgião plástico, que vive com a filha Norma (Bianca Suárez). Ela possui problemas psicológicos causados pela morte da mãe, que teve o corpo inteiramente queimado após um acidente de carro e, ao ver sua imagem refletida na janela, se suicidou. O médico de Norma acredita que esteja na hora dela tentar a socialização com outras pessoas e, com isso, incentiva que Roberto a leve para sair. Pai e filha vão juntos a um casamento, onde ela conhece Vicente (Jan Cornet). Eles vão até o jardim da mansão, onde Vicente a estupra. A situação gera um grande trauma em Norma, que passa a acreditar que seu pai a violentou, já que foi ele quem a encontrou desacordada. A partir de então Roberto elabora um plano para se vingar do estuprador.
Primeiro quero dizer que detesto ver o filme legendado, pois não me deixa tempo para observar o todo do filme. No caso de Amodóvar é mais complicado ainda. Ele explora todos os planos com cores, espaços ampliados e, com o raio da legenda, não consigo prestar atenção aos detalhes que são da maior importância, em se tratando desse esteta.
Segundo, quero dizer que discordo em alguns aspectos dessa sinopse, por exemplo, a questão do estupro. Deixei porque a situação sugere isso. Mas as coisas não se dão exatamente assim. Não falo mais, senão vai perder a graça.
Minha opinião é que o filme centra um gênero de terror. Mas um terror diferente do que comumente aparece. As cenas se apresentam com uma assepsia hospitalar (não no sentido de bactéria, mas no sentido da quase ausência de sangue). O nível de violência é tão intenso que chega a ser inclassificável. Logo pensei em Walter Benjamin, o filósofo alemão, que se interessou pela questão do mutismo dos soldados que haviam voltado da guerra. O grau de terror, diante do vivido naquela situação, não é contemplado no plano da linguagem ou da compreensão racional do homem de modo geral, daí o mutismo que nada diz, mas que tudo diz ao mesmo tempo. O não expressado é denso, é tenso, beira o absurdo, a loucura na sua mais alta patologia, que, no entanto, é possível nos colocarmos no lugar do vilão e termos por ele pena ou até mesmo uma certa empatia.
A cena do aprisionamento, me fez lembrar do Mito da Caverna de Platão, em que o homem encontra-se acorrentado e circunscrito a um lugar que não conhece o que tem a sua volta. Só que ao invés de ele se preparar para conhecer a realidade do mundo externo, terá que desvelar dentro de si, um recôndito onde sua alma possa sobreviver.
Na cena final, existe um contraste entre o mundo material e o mundo humano impressionante. Ao passo que o mundo material é pujante, a expressão das personagens revela-se abatida, numa apatia visível em suas faces. É como se a vida dessas pessoas estivesse por um fio, e este fio se equilibra na tensão entre está se mantendo vivo fisicamente e estar quase que completamente morto internamente.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Por que a Sexualidade da Mulher tem de ser Escamoteada?
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
“(...) minha inabilidade ante teu infindo contexto (...)
“(...)Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intacta.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário. (...)”
Não se sabe como a combinação das palavras se efetua. Ela tem vida própria. É arisca, não se verga a qualquer um. Ela sabe que é querida, que é esperada, mas ela só se doa a poucos, a poucos mesmo. Diria que esse encontro só se compara ao encontro de duas almas. E isso se dá no ambito do imponderável, do incomensurável, do mísitico, do inaudito, do indizível. Desse encontro, nada se pode dizer, não há o que dizer.
Ao longo de minha vida, busco esses poucos privilegiados quer sejam célebre quer seja amigos, conhecidos, busco em todos os lugares que tenho acesso. Classifico-me como uma olheira poética, a serviço de mim mesma. Busco a beleza dos versos para mim. Cada indivíduo tem um contexto de vida que difere do meu, isso produz nele um olhar e um sentir diferente, contudo, eventualmente, pode coincidir com o meu gosto.
O mundo virtual está sendo um campo muito fértil para minha labuta e, por incrível que pareça, encontrei num site de relacionamento, cuja fama não é das melhores, um desses privilegiados. Ainda bem que não sigo legiões, sigo meus instintos, meu coração e minha alma, que vezes sem conta, me deixam mais confusa do que equilibrada, diga-se de passagem. Mas o fato é que encontrei um desses escolhidos da poesia. Abaixo destaco um verso do poema de Leilson Leão, intitulado “Poema e Poeta Vazio”
“(...) minha inabilidade ante teu infindo contexto (...)” --> Leilson Leão
Não sei o que passou na cabeça do poeta nessa hora, mas eu sei exatamente o que enterliguei automaticamente quando li esse verso. Talvez ele tenha me permitido traduzir um sentimento que antes estava velado no encontro de minha alma com outra alma.
Leilson, recorro ao nosso poeta Drummond, para que me defenda, pois este afirmava que um poema só é do poeta antes de ele o publicar, depois que isso ocorre, é de todos. E peço que me perdoe se fui leviana em usar teu verso com fins egoísticos. Pois como não tenho talento como tu, me apropriei de tua obra para expressar algo que não conseguia dizer com minhas reles palavras.
http://www.memoriaviva.com.br/drummond/poema02... (aqui encontramos o poema “Procura da Poesia” recitado pelo próprio Drummond).
www.recantodasletras.com.br/autores/leilson e http://pt.netlog.com/leilsonleao/blog/blogid=22...- (Nesses dois links encontramos disponível “O poema e o Poeta Vazio” do poeta Leilson Leão)
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Vicky Cristina Barcelona
Wood Allen - O SALVADOR do dia dos mortos
Só mesmo Wood Allen, boa companhia e um bom vinho para salvar o meu dia, do dia dos mortos literalmente. Filme belíssimo. Atores extraordinários como Javier Bardem, Scarlett Johansson, Rebecca Hall, Penelope Cruz.
Vicky representa, a meus olhos, a prudência, a razão, mas ao mesmo tempo o desvelamento de coisas que normalmente escondemos embaixo do tapete, para não pensarmos nas razões que nos move na vida.
Cristina figura o impulso, a busca constante de razões para viver, nunca se contentando com o já estabelecido, a ansia de novos caminhos é seu motor imóvel.
Maria Helena é a desmedida, o descontrole completo e seu inquestionável conhecimento disso.
Juan Antonio, ah!!!!!!!!!!!!! esse é o degustador, a presença quando nos olhamos no espelho e que nos revela a ausencia de algo que denuncia a incompletude de nossas almas.
Daug ou é Doug? Não sei. É o que chamamos normalidade. É o que eu chamo de hipocrisia sociática. Ele é o GUARDIÃO dos valores que a sociedade elege como o ideal. Ele condena, mas se excita com o "anormal" de Cristina, com o que a sociedade censura. Não é isso o que todos fazemos?
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Niver de Carlos Drummond de Andrade
SENTIMENTO DO MUNDO
"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo, (...) "
POEMA DE SETE FACES
(...)
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração. (...)"
sábado, 29 de outubro de 2011
O Mensagista
O destino é a ponte que voce constrói até a pessoa desejada. Em meio a milhões de constelações encontrei uma única estrela, mas será que ela é única mesmo ou sou eu que desejo que ela seja a única? Será que é possível construir essa ponte até essa estrela? Mas, e se eu não conseguir habitar sua alma, seu corpo, e se ele algum dia perceber que tem alguém ou alguma voz a lhe chamar, sou eu. É tantos ses. Talvez seja precipitação minha, chegar a essa conclusão, por isso, deixo esse post para que, no futuro, eu possa retornar e verificar se de fato era isso mesmo.
Faço-me presente, nos textos que escrevo. Ele, no entanto, terá todo o direito de pedir que me afaste, que me cale, que não escreva mais. Atenderei sem titubear. Não seria capaz de me fazer presente sabendo que não me deseja por perto, pois se preservo minha liberdade, por que cercearia a do outro. Tudo isso, talvez esteja acontecendo porque ainda não sei definir onde fica a linha divisória entre o romance (supostamente real) e a ilusão (que a mim, pareceu mais real do que o real). Muitas vezes a gente confunde estar vivendo num mundo que só existe dentro de nossa cabeça, porém, esquecemos que ninguém tem acesso a esse mundo a não ser que você mesmo diga que ela lá habita, que ela transita livremente, contudo não pode obriga-la a viver dentro de você. Isso seria prisão.
Meu Deus! Como pode alguém se imiscuir em sua alma em tão pouco tempo. Minha alma chora, lamenta a ausência gráfica de suas mensagens, porque foi só isso que tive dele, nada além de mensagens escritas no celular. Nada físico, nada que pudesse remeter a um encontro "real". Mas foi tudo tão real para mim, talvez seja carência, mas no fundo sei que não é. Poderia ter o encontro físico com outro, mas não quis. Não tinha mais sentido depois dele. Sinto constrangimento de falar com outros, pois estou sempre a comparar a plenitude com ele e a aridez com os outros.
Contudo, por mais que me doa não te-lo junto a mim, tive a felicidade de constatar que existe alguém lá fora que de fato é alguém por quem eu esperei toda a minha vida. Ou será apenas por esse momento? Não sei, espero o Devir.
Nove meses depois e eu ainda não consegui encontrar alguém que pudesse superar a presença de Rá. Rsrsrsrs. Mas, como toda ilusão, ele é só um ideal e os ideias são difíceis de se extinguir. Porém, para tudo há um remédio, aprendo cotidianamente a reservar o mundo ideal do "Real" e assim caminharei como todo o resto da humanidade, sempre em frente. Já não sinto tanto sua ausência, estou substituindo-o para outras presenças mais concretas, embora sem grandes picos de adrenalina.
Aguardemos por mais Devir e quem sabe eu não aceite que fui apenas uma
Como dizia minha avó: "Não sei, não quero saber, mas não tenho raiva de quem sabe.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Razão Flutuante ou Flutuação da Razão
Consciência é uma superfície onde as imagens se refletem. Lacan define como uma montanha refletida no espelho d’agua de um lago.
Hiância = Hiato; Hiato = atos falhos = hi-a-to, vê como o “a” tem a natureza livre do hiato, mas se não estiver ligado aos extemos, não tem sentido, mas tem significado. De certo modo, somos hiatos. Somos e estamos ocupando esse lugar específico. Estamos sempre ligados ao sensível (físico) que nos possibilta a emoção na alma. Contudo, o real é o eterno retorno ao mesmo, muito embora faça o simbólico trabalhar, porém, ele mesmo nunca responde a contento nem para ele mesmo nem para outrem. De modo que sempre buscamos respostas, porque em si mesmo, já somos a pergunta, o enigma a ser desvendado, se possível, por cada um de nós e ninguem mais. O ato falho que ao se tomar consciência desse lugar, busca equacionar seus eus e seus nós. Como numa cena onírica em que o real é o que não se encaixa, é o estranho à racionalidade. No sonho, nossos desejos são satisfeitos à revelia do ego (ou será que ele fecha os olhos deliberadamente – como numa bacante ou nosso canarval para aliviar o peso da vida com a permissão da sociedade). Acho que a Psicanálise denomina “cena onírica = umbigo do sonho”, o umbigo é o resultado do corte e do nó. É algo que simboliza o início de sua entrada no mundo e de sua individuação física ante sua genitora. O umbigo é a cicatriz do início da vida, mas é sobretudo a possibilidade de nos construir e nos reconstruir, a medida do possível, de nos vivificarmos e plenificarmos nossa existência ao máximo.
Tudo isso é apenas um esboço reflexivo sem nenhuma pretensão de verdade, por isso, deu o título de “Razão Flutuante ou Flutuação da Razão”, que não é uma frase minha e sim de meu professor, que achei que justificava esse texto.
O Retrato de Dorian Gray - o filme
Assumo todos os riscos do que busco. Os mestres são apenas facilitadores, não delego a eles o direito de decidir por mim. Mesmo que a liberdade seja apenas uma quimera, ainda assim, não abro mão dela. Quero andar lado a lado, mesmo não tendo o mesmo conhecimento ou a ingenuidade da juventude, para imprimir em minha alma, escolhas de outrem. Quero as minhas próprias. Talvez por não ter mais a juventude do jovem Dorian e nem o desejo de fixá-la no corpo, talvez, e só talvez por isso, não tenha sucumbido minha alma a prisão da Hybris, temida até pelos deuses gregos, da desmedida, do excesso e do total descontrole sobre si. Mas me entreguei a tentação e não me arrependo sequer por um momento. Vivi tudo o que queria viver, com quem escolhi. E se tivesse que repetir, o faria de novo. Pois também acredito que aqueles que vão além da superfície, vão por sua conta e risco.
A outra lição que Henry ensinou a Dorian, também sigo, sempre procuro novas sensações. Não tenho quadro que possa sofrer fisicamente as consequências de meus atos. O que eu tinha, realmente, já foi incinerado, quando encomendei uma nova moldura. Mas estou viva e muito viva e, minha alma, ainda, quase intacta, porque ninguém passa pela existência incólume, só os que não viveram. De fato, o esplendor da existência é terrível, porque é difícil de comportá-la plenamente. O infinito é angustiante, amedrontador.
Abaixo, exponho algumas frases ditas no filme e que eu gostei. o ponto de interrogação é problema de configuração rssssss
Filme: “O Retrato de Dorian Gray” – 27 – 10 – 2011
Extras
Sobre interpretar Dorian Gray
BEN BARNES
As críticas do filme original diziam ser impossível interpretar Dorian Gray. Era um quadro em branco. Barnes diz que Dorian Gray é descrito no livro como um Stradivarius (dado o seu pontencial, é muito bonito e tudo o que o outro intentar fazer com ele, o resultado será sempre muito bom) [quer seja para o bem ou para o mal]. e um potencial de um Stradivarius”.
Do Livro para o Filme
Segundo Ben Barnes, nas outras adaptações, o foco da história não é o Dorian. O foco é o mundo e o que aconteceu a ele, as coisas que ele faz, ao invés de como ele se sente ou como suas ações e seu passado passam a mudá-lo como pessoa.
Redenção¿ Ele estará perdido para sempre¿ ou há a possibilidade de ele mudar de uma forma positiva¿
Música: é belíssima, de uma melodia sombria, melancólica e extremamente vigorosa.
Henry: “Não existe vergonha no prazer Sr. Gray, o homem deve ser feliz. Mas a sociedade quer que ele seja bom, e quando ele é bom, raramente ele é feliz, mas quando se é feliz é sempre bom”
“A vida é um momento e não há futuro.”
“Somente coisas sagradas vale a pena serem tocadas. Todo o impulso que reprimimos nos envenena”
“o casamento torna uma vida de ilusões absolutamente necessária. Consciência é só um nome educado para a covardia. Nenhum homem civilizado se arrepende do prazer. A única maneira de se livrar de uma tentação é se entregando a ela. Sempre procure novas sensações Dorian. Não se prive de nada Dorian”
“Será que Henry acredita em tudo o que diz¿”
“senti o esplendor de cada momento, o esplendor da existência que é terrível, afiado como uma lamina, esse desespero prover, tocar-me.... querido Henry ensinou-me que a vida deve queimar como uma chama forte, sua luz não me cega, nem seu calor me queima, eu sou a chama Henry, eu sou a chama de Deus”
“Prazer é diferente de felicidade. Algumas coisa são preciosas justamente porque não duram. Aqueles que vao alem da superficie vao por sua conta e risco”
sábado, 22 de outubro de 2011
Ruminações III
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Ruminçãoes II
Ruminçãoes II
Mês Sabático e Ruminações Resultantes
Mês Sabático e Ruminações Resultantes
Mas um tempo tao valioso, tao proveitoso, capaz de nos fazer viver intensamente, coisas que nunca vivenciamos antes.
Não há como voltar atrás e apagar tudo. Falo apenas por uma consciencia, nao pela outra, assim como em qualquer relacionamento dito "normal". Nunca temos consciencia do todo, apenas de uma parte, a nossa.
A decisão de dar um novo passo, nos faz titubear entre retornar a ignorancia de antes, saber que tudo foi um istmo. Mas acredite, a vontade que o istmo permaneça é tentador. Que vontade dar de estender o tempo, a relação. Contudo, nao se sabe ao certo o que vai acontecer, por quanto tempo se resistira ou se se esquecerá. Sabe-se la o que o devir nos possibilita?
MDCs
MDCs
Inflexibilidade
Inflexibilidade
Claro que vivemos em sociedade, mas há de se ter um certo equilíbrio entre o que pensamos ser melhor para nós e para a sociedade. É claro que existem opiniões que devem ser defendidas sempre, mas devemos ter no bom senso um ponto de equilíbrio, de partida e de chegada.
O humano é a espécie que por razões que desconheço, revela-se de modo contraditório, entretanto, nem sempre tem coragem de assumir essa característica particular. Nem sempre somos 100% coerentes com o que pensamos, sempre há uma exceção, um adendo e com isso tentamos consolar o ego em sua racionalidade aceita socialmente, mas que no fundo, não é bem o que pensamos. Mas para sermos politicamente corretos, seguimos a onda sem nem refletir sobre o que a turba grita "inflamadamente".
Por isso, hoje digo desavergonhadamente que sou contraditória sim, que mudo de opinião quando estas já não dão conta do que penso sobre elas.
Ainda bem que não perco a esperança rsss
Ainda bem que não perco a esperança rsss
Sei que é meio mulherzinha, mas acho que é isso que sou. rssssssssssssss
Ainda Bem
Marisa Monte
Composição: Marisa Monte / Arnaldo Antunes
Ainda bem
Que agora encontrei você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer
Você
Porque ninguém
Dava nada por mim
Quem dava, eu não tava a fim
Até desacreditei
De mim
O meu coração
Já estava acostumado
Com a solidão
Quem diria que a meu lado
Você iria ficar
Você veio pra ficar
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim
O meu coração
Já estava aposentado
Sem nenhuma ilusão
Tinha sido maltratado
Tudo se transformou
Agora você chegou
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim
Relacionamento na Internet
Na internet o que está do outro lado, não precisa ouvir ou vivenciar aquele momento, caso não esteja a fim. Basta que feche as janelas e bloqueie a pessoa em questão. Mas na vida "real" isso não dá muito certo. Você esta frente a frente com a pessoa, mesmo que viremos as costas, ela pode vociferar e você mesmo sem querer vai ouvi-la. Pode também usar o velho artifício de que ouviu, mas na verdade o dito entra por um ouvido e sai pelo outro. No entanto, o que se ouviu pode até ser desconsiderado, mas passou de algum modo pela consciência, na internet se desligarmos nem chegamos a ouvir, por isso o dito se perde e seu interlocutor nunca saberá o que foi dito depois que ele fechou a janela, a não ser que o outro tenha outros meios de entrar em contato com você.
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| Um pacote recheado de pecado e paixão desmedida |
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| Ou uma fantasia de freira |
O discurso esperado pelo o outro é algo mirabolante seja ele qual for, nada de real existe. É uma idealização louca. Se uma palavra for mal interpretada, pronto, perdeu, perdeu. O terreno é completamente minado. O que o outro espera de você é pura utopia. Você cria um frankenstein lapidado no bisturi do Ivo Pitangui e submetido ao mais avançado processo de formação de carater que se quer encontrar no outro. Citei apenas os extremos [prostitura e freira], mas há uma infinidade de outros pedidos fantásticos e esteriotipados.
De minha experiência "internética" tirei algumas máximas: se quiser ter milhares de amigos, basta colocar uma foto supersensual (decote profundo, lingerie, biquini), mas atenção! Tem de se fantasiar toda vez que for falar com os "amigos" e a camera tem que ter zoom ou uma posição estratégica para que a visualização da mercadoria seja bem observada, avaliada e passar pelo crivo da excitação (aqui tem graus diversos), o próximo passo é a movimentação do corpo, uma ginástica só: levanta, dá um giro de 360 graus (frente e verso), debruça perto da camera para ressaltar os dotes superiores e para finalizar pode parar de costas para que possam ver a elevação traseira. Mas e o rosto? Ah! isso é só um detalhe, e o que a pessoa pensa? Loucura isso não deve existir em uma mulher. Seja apenas objeto e nunca morrerás sozinha, Ah! detalhe quando tiver que morrer, morra jovem com o corpo ainda com muito colágeno, senão, morrerás sozinha.
Mas o mais engraçado é quando voce é objetiva, tipo assim: Quero apenas transar com alguém interessante a meus olhos, de modo algum quero casar, além de você quero outros parceiros sexuais etc. Ai é de cair na gargalhada, pois o carinha diz: "e o sentimento? onde que fica?". Ou seja, ele quer as duas coisas de nos. Tanto aquele que busca "apenas" sexo quanto aquele romantico, querem uma mulher prostituta que os ame.
Conclusão: Estou mais confusa do que nunca. Que ser? Uma mulher-prostituta ou mulher-santa, mas que saco. Porque não sou lésbica ou bissexual, mas já me disseram que tanto sendo uma quanta a outra, também vou enfrentar as mesmas dificuldades que sendo heterossexual. P Q P, melhor ser hetero que já conheço um pouco a dança e torcer que apareça algum maluco que leia esse post e que seja interessante.
Já sentei, porque sei que vou esperar uma eternidade, tipo fila de hospital público.



