Não esperem coerência e coesão em meus textos. As ideias aqui expressadas por mim, se dispõem de modo prolixo, com sentido e articulação que só eu percebo ninguém mais. contudo, não descarto a possibilidade de que, eventualmente, alguns de vocês possam concordar ou discordar delas. Afirmo, portanto, que este blog é uma tentativa minha de organizar e saber a quantas andam meu confuso pesamento, muitas vezes irônico e tantas outras cáustico.

sábado, 29 de outubro de 2011

O Mensagista


O destino é a ponte que voce constrói até a pessoa desejada. Em meio a milhões de constelações encontrei uma única estrela, mas será que ela é única mesmo ou sou eu que desejo que ela seja a única? Será que é possível construir essa ponte até essa estrela? Mas, e se eu não conseguir habitar sua alma, seu corpo, e se ele algum dia perceber que tem alguém ou alguma voz a lhe chamar, sou eu. É tantos ses. Talvez seja precipitação minha, chegar a essa conclusão, por isso, deixo esse post para que, no futuro, eu possa retornar e verificar se de fato era isso mesmo.

Faço-me presente, nos textos que escrevo. Ele, no entanto, terá todo o direito de pedir que me afaste, que me cale, que não escreva mais. Atenderei sem titubear. Não seria capaz de me fazer presente sabendo que não me deseja por perto, pois se preservo minha liberdade, por que cercearia a do outro. Tudo isso, talvez esteja acontecendo porque ainda não sei definir onde fica a linha divisória entre o romance (supostamente real) e a ilusão (que a mim, pareceu mais real do que o real). Muitas vezes a gente confunde estar vivendo num mundo que só existe dentro de nossa cabeça, porém, esquecemos que ninguém tem acesso a esse mundo a não ser que você mesmo diga que ela lá habita, que ela transita livremente, contudo não pode obriga-la a viver dentro de você. Isso seria prisão.

Meu Deus! Como pode alguém se imiscuir em sua alma em tão pouco tempo. Minha alma chora, lamenta a ausência gráfica de suas mensagens, porque foi só isso que tive dele, nada além de mensagens escritas no celular. Nada físico, nada que pudesse remeter a um encontro "real". Mas foi tudo tão real para mim, talvez seja carência, mas no fundo sei que não é. Poderia ter o encontro físico com outro, mas não quis. Não tinha mais sentido depois dele. Sinto constrangimento de falar com outros, pois estou sempre a comparar a plenitude com ele e a aridez com os outros.

Contudo, por mais que me doa não te-lo junto a mim, tive a felicidade de constatar que existe alguém lá fora que de fato é alguém por quem eu esperei toda a minha vida. Ou será apenas por esse momento? Não sei, espero o Devir.

Nove meses depois e eu ainda não consegui encontrar alguém que pudesse superar a presença de Rá. Rsrsrsrs. Mas, como toda ilusão, ele é só um ideal e os ideias são difíceis de se extinguir. Porém, para tudo há um remédio, aprendo cotidianamente a reservar o mundo ideal do "Real" e assim caminharei como todo o resto da humanidade, sempre em frente. Já não sinto tanto sua ausência, estou substituindo-o para outras presenças mais concretas, embora sem grandes picos de adrenalina. 

Aguardemos por mais Devir e quem sabe eu não aceite que fui apenas uma 

 Como dizia minha avó: "Não sei, não quero saber, mas não tenho raiva de quem sabe.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Razão Flutuante ou Flutuação da Razão


Ouvindo “Ain't no Sunshine” (mudo na letra da música apenas o pronome de she’s para he’s) e a pensar em bons momentos e na aula de Teorias e Sistemas Psicológicos de hoje. Grande aprendizado ainda não assimilado, portanto, exposto aleatoriamente para ir refletindo ao longo do tempo. Os registros segundo a Psicanálise: Real é aquilo que não pode ser simbolizado, é o que retorna sempre ao mesmo lugar. Simbólico é o registro da consciência. Imaginário é condicionado ao significante e não ao significado.

Consciência é uma superfície onde as imagens se refletem. Lacan define como uma montanha refletida no espelho d’agua de um lago.

Hiância = Hiato; Hiato = atos falhos = hi-a-to, vê como o “a” tem a natureza livre do hiato, mas se não estiver ligado aos extemos, não tem sentido, mas tem significado. De certo modo, somos hiatos. Somos e estamos ocupando esse lugar específico. Estamos sempre ligados ao sensível (físico) que nos possibilta a emoção na alma. Contudo, o real é o eterno retorno ao mesmo, muito embora faça o simbólico trabalhar, porém, ele mesmo nunca responde a contento nem para ele mesmo nem para outrem. De modo que sempre buscamos respostas, porque em si mesmo, já somos a pergunta, o enigma a ser desvendado, se possível, por cada um de nós e ninguem mais. O ato falho que ao se tomar consciência desse lugar, busca equacionar seus eus e seus nós. Como numa cena onírica em que o real é o que não se encaixa, é o estranho à racionalidade. No sonho, nossos desejos são satisfeitos à revelia do ego (ou será que ele fecha os olhos deliberadamente – como numa bacante ou nosso canarval para aliviar o peso da vida com a permissão da sociedade). Acho que a Psicanálise denomina “cena onírica = umbigo do sonho”, o umbigo é o resultado do corte e do nó. É algo que simboliza o início de sua entrada no mundo e de sua individuação física ante sua genitora. O umbigo é a cicatriz do início da vida, mas é sobretudo a possibilidade de nos construir e nos reconstruir, a medida do possível, de nos vivificarmos e plenificarmos nossa existência ao máximo.

Tudo isso é apenas um esboço reflexivo sem nenhuma pretensão de verdade, por isso, deu o título de “Razão Flutuante ou Flutuação da Razão”, que não é uma frase minha e sim de meu professor, que achei que justificava esse texto.

O Retrato de Dorian Gray - o filme

Embora não tenha lido o livro ainda, mas vou ler, vi o filme para ter uma reles noção.

Assumo todos os riscos do que busco. Os mestres são apenas facilitadores, não delego a eles o direito de decidir por mim. Mesmo que a liberdade seja apenas uma quimera, ainda assim, não abro mão dela. Quero andar lado a lado, mesmo não tendo o mesmo conhecimento ou a ingenuidade da juventude, para imprimir em minha alma, escolhas de outrem. Quero as minhas próprias. Talvez por não ter mais a juventude do jovem Dorian e nem o desejo de fixá-la no corpo, talvez, e só talvez por isso, não tenha sucumbido minha alma a prisão da Hybris, temida até pelos deuses gregos, da desmedida, do excesso e do total descontrole sobre si. Mas me entreguei a tentação e não me arrependo sequer por um momento. Vivi tudo o que queria viver, com quem escolhi. E se tivesse que repetir, o faria de novo. Pois também acredito que aqueles que vão além da superfície, vão por sua conta e risco.

A outra lição que Henry ensinou a Dorian, também sigo, sempre procuro novas sensações. Não tenho quadro que possa sofrer fisicamente as consequências de meus atos. O que eu tinha, realmente, já foi incinerado, quando encomendei uma nova moldura. Mas estou viva e muito viva e, minha alma, ainda, quase intacta, porque ninguém passa pela existência incólume, só os que não viveram. De fato, o esplendor da existência é terrível, porque é difícil de comportá-la plenamente. O infinito é angustiante, amedrontador.

Abaixo, exponho algumas frases ditas no filme e que eu gostei. o ponto de interrogação é problema de configuração rssssss

Filme: “O Retrato de Dorian Gray” – 27 – 10 – 2011
Extras
Sobre interpretar Dorian Gray
BEN BARNES
As críticas do filme original diziam ser impossível interpretar Dorian Gray. Era um quadro em branco. Barnes diz que Dorian Gray é descrito no livro como um Stradivarius (dado o seu pontencial, é muito bonito e tudo o que o outro intentar fazer com ele, o resultado será sempre muito bom) [quer seja para o bem ou para o mal]. e um potencial de um Stradivarius”.

Do Livro para o Filme
Segundo Ben Barnes, nas outras adaptações, o foco da história não é o Dorian. O foco é o mundo e o que aconteceu a ele, as coisas que ele faz, ao invés de como ele se sente ou como suas ações e seu passado passam a mudá-lo como pessoa.

Redenção¿ Ele estará perdido para sempre¿ ou há a possibilidade de ele mudar de uma forma positiva¿

Música: é belíssima, de uma melodia sombria, melancólica e extremamente vigorosa.

Henry: “Não existe vergonha no prazer Sr. Gray, o homem deve ser feliz. Mas a sociedade quer que ele seja bom, e quando ele é bom, raramente ele é feliz, mas quando se é feliz é sempre bom”

“A vida é um momento e não há futuro.”

“Somente coisas sagradas vale a pena serem tocadas. Todo o impulso que reprimimos nos envenena”

“o casamento torna uma vida de ilusões absolutamente necessária. Consciência é só um nome educado para a covardia. Nenhum homem civilizado se arrepende do prazer. A única maneira de se livrar de uma tentação é se entregando a ela. Sempre procure novas sensações Dorian. Não se prive de nada Dorian”

“Será que Henry acredita em tudo o que diz¿”

“senti o esplendor de cada momento, o esplendor da existência que é terrível, afiado como uma lamina, esse desespero prover, tocar-me.... querido Henry ensinou-me que a vida deve queimar como uma chama forte, sua luz não me cega, nem seu calor me queima, eu sou a chama Henry, eu sou a chama de Deus”

“Prazer é diferente de felicidade. Algumas coisa são preciosas justamente porque não duram. Aqueles que vao alem da superficie vao por sua conta e risco”

sábado, 22 de outubro de 2011

Ruminações III

Jejum, Abstinência, Ascese

Tudo o que digo aqui, nesse texto, pode até parecer apenas lamento, mas não é. Algumas mulheres como eu, são infantis ou adolescentes ainda, talvez não tenham vivido essas etapas no devido tempo. Contudo, digo que para mim, essa é uma forma de organizar e tornar vivo o vivido e ao mesmo tempo eternizar os instantes junto aquele que me seduziu completamente. É choro, é dor, mas é sobretudo um grito orgástico do gozo experimentado. Rssssssssssss, o humano e suas idiossincrasias. Fico a imaginar como esse texto não deverá ser motivo de riso e esgar. Por isso, tenho diante de mim um espelho, para que o outro possa se refletir, como diz na Bíblia: "Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra", Maria Bethania reitera: "que todas as cartas de amor são ridículas, se não o fossem, não seriam cartas de amor.", e eu acrescento: quem nunca foi rídiculo, aproveite a oportunidade, de vez em quando é ótimo, alivia a alma, expõe dela o seu vigor, sua ânsia de viver.

MEU DEUS, QUE SAUDADES DO SOL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Encontro-me numa viagem filosófica entre a corrente epicurista e a corrente estóica. Uma via crucis. Viver um pico hedonista quase a la Diógenes - o cão - à queda estoica súbita e vertiginosa, em direção à abstinência quase que completa do objeto de prazer. Hoje eu entendo como deve se sentir o dependente em suas mais diversas crises, também eu estou buscando a desintoxicação nesse tratamento radical e extremo.

As vezes penso que tudo isso não tem o menor sentido. Que o que quero mesmo é me levar pela dependência e gozar mais uma vez. Então lembro da ideia de alguns esportistas que decidem se aposentar em plena forma, de que vão parar de jogar enquanto ainda estão sendo ovacionados pelos torcedores. Contudo, duvido que ao fim, ao cabo, eles não amargam essa atitude até o fim da vida. Mas eles estão certos. Depois de tudo o que foi possível ser vivido, aguardar o esgarçamento de uma relação, é ser no mínimo um urubu a espera de que o prato tombe sem vida e chegue ao estado de putrefação para se deleitar com o alimento. Não, decididamente, nao sou necrófila. Estou de luto sim, mas um luto deliberado, e nem por isso menos doloroso. É irônico como nunca somos capazes de prever o que o outro sentirá mediante o contanto estabelecido.

Tudo está impresso na alma, ela está ainda muito impregnada do objeto de prazer. Certa vez li uma mensagem linda, que se os dois amantes se encontrassem realmente, talvez virassem pó. Logo pensei na teoria da antimatéria; que ao se deparar com o seu outro, a matéria original, se aniquilariam. É essa a impressão que tenho também. Enfatizo que falo por mim, não pelo outro, dele, nada posso falar. Sempre fui um tanto quanto visceral, até mesmo para mim. Talvez tenha sido apenas uma expressão fortuíta do outro, mas para mim, senti assim. Antes eu fui adepta do meio termo, hoje já não sou mais. Ou é ou não é. Não quero menos, ser for para ser menos, é melhor o nada.

Jejum, jejuo, me abstenho do contato com o meu algoz-vítima, ou eu como vitima-algoz (foi um jogo acordado entre as partes [eu e ele]), não se sabe bem quem é quem, tudo se misturou. Estou tentando arrancar a pele e deixar que ela se regenere, mas pelo que sei, esse orgão não tem essa propriedade, apenas a da cicatrização, portanto, mera ilusão. Certo é que a pele crie um queloma, assim como as árvores que sofrem algum dano, mas com os anos, as novas cascas envolvem o ferimento, no entanto, fica registrado o evento em seu tronco.

As vezes quero tocá-lo, alcançá-lo com um grito que reverberasse por essa tela e chegasse até ele, mas para que? Para que perturbá-lo com minhas angústias, tem coisas que só dar para serem vividas individualmente. Não sei se meu objetivo ascético transcenderá minha pequena alma e ecoará no cosmos, mas vou torcer pelo menos para que ela tome a direção do autoconhecimento. Por ora ficarei no jejum do meu objeto de prazer e de minhas palavras. Desejo, ansio, agradeço, grito pelo SILÊNCIO, SILÊN, SI, ....................................

A distância de nove meses não diminuiu o sentimento que senti por Rá, mas já posso olhar para tudo sem dor apenas com saudades. Em homenagem àquele que me ressuscitou do mundo dos sentimentos mortos, ofereço esse vídeo que tanto diz o que sinto por ele.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ruminçãoes II

Ruminçãoes II

"Guardo inteira em mim a casa que mandei um dia pelos ares e a reconstruo em todos os detalhes intactos e implacáveis" Lindos e dolorosos versos da Adriana Calcanhoto. Ah!! Sinto saudades, muitas do sol. Será que algum dia voltarei a sentir explosões solares??????????? Oh! Devir olha pra euzinha. kkkkkkkkkkkkkk

Mês Sabático e Ruminações Resultantes

Mês Sabático e Ruminações Resultantes

Certa vez me falaram que toda forma de amar é válida. Tinha razão, basta estarmos dispostos a isso. Mas existem certas limitações que nos deixam desorientados, sem saber bem o que fazer. Todas as certezas se dissipam, e só resta o sujeito com ele mesmo, tendo que decidir o que é melhor para si, entretanto, lá no fundo, sabendo que é o melhor possível. Contudo, o humano tem de viver dentro de determinadas circunstancias, estas, por vezes, até são burladas por um tempo, mas só por um tempo.

Mas um tempo tao valioso, tao proveitoso, capaz de nos fazer viver intensamente, coisas que nunca vivenciamos antes.

Não há como voltar atrás e apagar tudo. Falo apenas por uma consciencia, nao pela outra, assim como em qualquer relacionamento dito "normal". Nunca temos consciencia do todo, apenas de uma parte, a nossa.

A decisão de dar um novo passo, nos faz titubear entre retornar a ignorancia de antes, saber que tudo foi um istmo. Mas acredite, a vontade que o istmo permaneça é tentador. Que vontade dar de estender o tempo, a relação. Contudo, nao se sabe ao certo o que vai acontecer, por quanto tempo se resistira ou se se esquecerá. Sabe-se la o que o devir nos possibilita?

MDCs

MDCs

KKKKKKKKKK, li essa frase e adorei, graças a Deus que nao me encaixo mais nela: "MDCs - Mulheres numa Droga de Casamento!" - Pergunta retórica: "fugir ou não fugir?" - permanecer num "ex-casamento" ou sair para o desconhecido? Acreditem é melhor o desconhecido, já dei esse passo e foi a melhor coisa que me podia acontecer.

Inflexibilidade

Inflexibilidade

Certa vez fiquei envergonhada de perceber que minhas antigas opiniões não eram mais as que eu defendia. Envergonhei-me porque pensei que mudar de ideia fosse coisa de alguém sem caráter, mas refletindo mais sobre a questão, percebi que só os que não mudam por comodismo, é que de algum modo, estão tentando engessar tanto o mundo quanto a si mesmo, pois o fluxo da vida é incessante. Porém, isso não quer dizer que nada deve ser preservado.

Claro que vivemos em sociedade, mas há de se ter um certo equilíbrio entre o que pensamos ser melhor para nós e para a sociedade. É claro que existem opiniões que devem ser defendidas sempre, mas devemos ter no bom senso um ponto de equilíbrio, de partida e de chegada.

O humano é a espécie que por razões que desconheço, revela-se de modo contraditório, entretanto, nem sempre tem coragem de assumir essa característica particular. Nem sempre somos 100% coerentes com o que pensamos, sempre há uma exceção, um adendo e com isso tentamos consolar o ego em sua racionalidade aceita socialmente, mas que no fundo, não é bem o que pensamos. Mas para sermos politicamente corretos, seguimos a onda sem nem refletir sobre o que a turba grita "inflamadamente".

Por isso, hoje digo desavergonhadamente que sou contraditória sim, que mudo de opinião quando estas já não dão conta do que penso sobre elas.

Ainda bem que não perco a esperança rsss

Ainda bem que não perco a esperança rsss

Quando será que eu cantarei essa canção a plenos pulmões??????????????????
Sei que é meio mulherzinha, mas acho que é isso que sou. rssssssssssssss

Ainda Bem
Marisa Monte
Composição: Marisa Monte / Arnaldo Antunes

Ainda bem
Que agora encontrei você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer
Você

Porque ninguém
Dava nada por mim
Quem dava, eu não tava a fim
Até desacreditei
De mim

O meu coração
Já estava acostumado
Com a solidão

Quem diria que a meu lado
Você iria ficar
Você veio pra ficar
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim

O meu coração
Já estava aposentado
Sem nenhuma ilusão

Tinha sido maltratado
Tudo se transformou
Agora você chegou

Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim

Relacionamento na Internet

Se considerarmos que os relacionamentos na vida "real" são complicados, descobrir que os da internet são bem piores para aqueles que querem um envolvimento não apenas físico mas também emocional. Na vida real esse mesmo problema se apresenta, mas com uma leve diferença.

Na internet o que está do outro lado, não precisa ouvir ou vivenciar aquele momento, caso não esteja a fim. Basta que feche as janelas e bloqueie a pessoa em questão. Mas na vida "real" isso não dá muito certo. Você esta frente a frente com a pessoa, mesmo que viremos as costas, ela pode vociferar e você mesmo sem querer vai ouvi-la. Pode também usar o velho artifício de que ouviu, mas na verdade o dito entra por um ouvido e sai pelo outro. No entanto, o que se ouviu pode até ser desconsiderado, mas passou de algum modo pela consciência, na internet se desligarmos nem chegamos a ouvir, por isso o dito se perde e seu interlocutor nunca saberá o que foi dito depois que ele fechou a janela, a não ser que o outro tenha outros meios de entrar em contato com você.

Um pacote recheado de pecado e paixão desmedida
Na internet você pode ser de tudo; de prostituta à freira casta que é mais difícil de ser desmascarada assim como homem também (estou falando do meu ponto de vista e não de modo geral), na vida real isso também acontece, entretanto, o convivio com atenção vai revelando o escondido. Na vida "real" com a proximidade é possível, como numa lupa ou microscópio, enxergar coisas e comportamentos que a distância isso é improvável. Na net a única coisa que não se pode fazer é, dizer o que pensamos ou queremos ou ser o que realmente somos (quando sabemos). Ou adotar tudo isso como premissa e ver o que cai na rede, normalmente caem alguns sem noção o que me deixa fula da vida, pois sequer sabem identificar esses critérios, enxergam apenas uma coisa A FOTO OU AS FOTOS. Isso é o mais importante, o resto é resto.

Ou uma fantasia de freira

O discurso esperado pelo o outro é algo mirabolante seja ele qual for, nada de real existe. É uma idealização louca. Se uma palavra for mal interpretada, pronto, perdeu, perdeu. O terreno é completamente minado. O que o outro espera de você é pura utopia. Você cria um frankenstein lapidado no bisturi do Ivo Pitangui e submetido ao mais avançado processo de formação de carater que se quer encontrar no outro. Citei apenas os extremos [prostitura e freira], mas há uma infinidade de outros pedidos fantásticos e esteriotipados.

De minha experiência "internética" tirei algumas máximas: se quiser ter milhares de amigos, basta colocar uma foto supersensual (decote profundo, lingerie, biquini), mas atenção! Tem de se fantasiar toda vez que for falar com os "amigos" e a camera tem que ter zoom ou uma posição estratégica para que a visualização da mercadoria seja bem observada, avaliada e passar pelo crivo da excitação (aqui tem graus diversos), o próximo passo é a movimentação do corpo, uma ginástica só: levanta, dá um giro de 360 graus (frente e verso), debruça perto da camera para ressaltar os dotes superiores e para finalizar pode parar de costas para que possam ver a elevação traseira. Mas e o rosto? Ah! isso é só um detalhe, e o que a pessoa pensa? Loucura isso não deve existir em uma mulher. Seja apenas objeto e nunca morrerás sozinha, Ah! detalhe quando tiver que morrer, morra jovem com o corpo ainda com muito colágeno, senão, morrerás sozinha.

Mas o mais engraçado é quando voce é objetiva, tipo assim: Quero apenas transar com alguém interessante a meus olhos, de modo algum quero casar, além de você quero outros parceiros sexuais etc. Ai é de cair na gargalhada, pois o carinha diz: "e o sentimento? onde que fica?". Ou seja, ele quer as duas coisas de nos. Tanto aquele que busca "apenas" sexo quanto aquele romantico, querem uma mulher prostituta que os ame.

Conclusão: Estou mais confusa do que nunca. Que ser? Uma mulher-prostituta ou mulher-santa, mas que saco. Porque não sou lésbica ou bissexual, mas já me disseram que tanto sendo uma quanta a outra, também vou enfrentar as mesmas dificuldades que sendo heterossexual. P Q P, melhor ser hetero que já conheço um pouco a dança e torcer que apareça algum maluco que leia esse post e que seja interessante.

Já sentei, porque sei que vou esperar uma eternidade, tipo fila de hospital público.

sábado, 17 de setembro de 2011

Ode ao encontro

Passamos por tantas fases na vida. Hoje ao ler o poema (A Selva e o Mar - Cantos do pássaro encantado - Rubem Alves) , tenho certeza de que o encontro seguido da despedida é mais estável do que a permanência do encontro.

A selva e o mar

Vou contar uma estória de separação,
Todo separação é triste.
Ela guarda memória de tempos felizes
(ou de tempos que poderiam ter sido felizes...).
E nela mora a saudade.
A saudade ficou no rosto de uma criança,
partida entre dois lugares,
e o seu corpinho se estendia
de viagem a viagem,
entre a casa do pai e a casa da mãe,
esticado, querendo fazer uma ponte imensa
que juntasse de novo
aquilo que a vida separara.
E ela ficava a se perguntar: Por quê?
E é por isso que conto,
para ajudar a entender...

Sua mãe nasceu no mar
e era, inteirinha,
amor ao mar.
Ah! Você que saber
o que é o amor...
Amar é querer trazer para bem perto
aquilo que está longe,
abraçar, esforço de pôr dentro
aquilo que está fora,
beber, com prazer, aquilo que fez
os olhos sorrir.
Pois é: ela bebia do mar
tudo o que via,
e o mar nela morava
e ela o mar namorava:
a imensidão azul mistério,
as coisas que viviam nas suas funduras:
corais vermelhos,
algas verdes,
peixes de cores brilhantes,
icebergs branco-gelados
de mares não vistos,
músicas silenciosas de catedrais encantadas.

Assim era o corpo da jovem.
Você acha estranho?
Pensava que o corpo era feito de carne,
de sangue e de ossos?
Puro engano.
Nosso corpo é feio daquilo
que o amor pôs lá dentro.
E onde o amor quis, mas não pôde,
ficou um vazio,
que é onde mora a saudade...
Assim era o corpo daquela jovem,
quase menina:
havia os sons acolhidos
por seus ouvidos, barulhos de ondas,
um paciente ir e vir sem fim
como a vida...
Odores de coisas marinhas
entravam lá dentro
pelas narinas pulsantes
e faziam bem a lugares ocultos;
perfumes azuis de marolas
e aromas de pérolas brancas...
(Você já sentiu isso, o bem
que um perfume faz, num lugar de dentro da mente
que a gente nem sabe onde fica?)

Sua pele brincava com a água
e se arrepiava toda
quando a brisa lhe fazia cócegas.
E em seus olhos se viam gaivotas de brancas asas
e barcos a vela ao vento.
Quem lhe ouvisse o coração bater
juraria que eram ondas...
Seus seios, conchas lisas que abrigavam
criaturas macias.
Seu ventre, lugar de mistérios,
como a vida secreta do mar,
caverna escura onde nadavam peixes minúsculos
e invisíveis sementes ficavam à espera.
Mas havia uma coisa que ela não podia entender:
era uma tristeza,
suave,
nostalgia.
Não lhe bastava o mar infinito.

Havia os Vazios,
Desejos,
Ausência imensa,
Saudade de algo que lhe faltava.
E ela sonhava com coisas longínquas,
e as amava:
o mar e a selva se encontrassem
e o azul e o ver se misturassem.

Ela amava o mar que nela morava,
e a selva, ausência,
pedaço que lhe faltava.
E cantava o nome de seu amado:
“Os bosques são belos, sombrios,
fundos...” (Frost).
Seus olhos se voltavam então
para o alto das montanhas, ao longe,
e viam as silhuetas de árvores
ao céu, e imaginavam
belezas e mistérios diferentes
daqueles do mar.
E amava a floresta
com que sonhava.

Seu pai nascera no meio da selva
e o seu corpo crescera
com árvores velhas de muitos anos,
frutas silvestres de muitas aves,
musgos macios de muitos verdes,
borboletas de asas de muitas cores,
aves de vozes de muitos cantos,
grilos ocultos em muitas noites,
correntes de águas de muitas pedras,
flores silvestres de muitos cheiros,
terra macia de muitos brotos,
vidas que renascem de muitas formas...
Ah! Assim era o seu corpo.
“E como ele se entregava!
Amava seu mundo interior, caos selvagem,
bosques antiqüíssimos,
sobre cujo silencioso despertar verde-luz
seu coração se erguia.” (Rilke).

Mas ele também tinha
um sentimento triste, vazio,
doía-lhe o lugar da Falta.
E quando o sol
se punha sobre o mar,
ele sentia
uma nostalgia imensa.
Como se a floresta
não lhe bastasse,
o desejo por algo
belo-distante,
ausente.
E, da sombra
verde das árvores,
olhava a luz azul do mar,
solene no horizonte,
brincalhão na areia,
e desejava mergulhar nele,
e pensava que a felicidade é isto:
a selva penetrando no mar.

Um dia os dois
se encontraram,
se amaram,
a floresta mergulhou no mar,
o mar abraçou a floresta,
suas sementes se misturaram
e uma criança nasceu...
e ela tinha no seu corpo
um pouco de mar
e um pouco de selva...

Ah! felicidade maior
não poderia haver,
e até pensaram que seria eterna...
Foram morar lá em cima,
no lugar do Pai,
os três.
Felizes...
O pai, no seu mundo verde,
velho amigo, conhecido.
A mãe, no mundo verde,
mistério com que sempre
sonhara e desejara.
A criança, feliz,
por ser selva e ser mar.

Mas o tempo passou
e a felicidade acabou.
No peito da jovem
foi crescendo uma dor.
Primeiro era saudade mansa
que virou tristeza:
e a floresta, tão bela de longe,
virou prisão...
E o jovem que tanto amara
ficou estranho, gigante verde,
senhor da floresta,
seu carcereiro.

Ah! Ela já não podia amar a selva
e sua face se transtornou.
E o mar que morava nela ficou sinistro,
uma tempestade enorme
cresceu por dentro,
e no seu rosto quebraram ondas
em cuja fúria até mesmo a criança
se debatia. E a jovem virou tristeza
por se ver assim, tão feia.
(É preciso que você saiba disto:
nós amamos as pessoas
por aquilo de belo que elas fazem
nascer em nós.
Como se fossem espelhos.
Se nos vemos belos
naqueles olhos que nos contemplam,
nós as amamos.
Mas, se nos vemos feios, as odiamos...)

E ela então compreendeu que,
por belas que as matas fossem,
ela seria sempre uma estranha,
exilada, sem lar.
E foi o que disse ao seu companheiro,
que a entendeu
e disse que não importava.
Viveriam à beira-mar
para que ela reencontrasse
a felicidade perdida.
E assim aconteceu.
A alegria voltou.

Mas o tempo passou
e a saudade chegou
agora ao peito do jovem,
onde a solidão foi crescendo,
tristeza de quem vive em degredo,
prisioneiro de ilhas cercadas de mar sem fim.
E a jovem que ele tanto amara
se transfigurou num mar de tristeza,
ondas que repetiam
de noite e de dia,
sem parar:
“Nunca mais, nunca mais...”

E a floresta que morava nele
se enfureceu,
e acordaram bichos sinistros,
que dormiam nela,
cobras e escorpiões,
e aflorou tudo naquele rosto
outrora manso,
e ele ficou sinistro,
e havia fogo no seu olhar,
e espinhos cortantes no seu falar.
E ele chorou ao ver o espanto
nos olhos da sua criança,
espelhos tristes,
e sentiu que já não era o mesmo,
e nunca o seria,
longe da selva,
que era o seu lar.
E então compreenderam que,
para continuar a ser belos,
era preciso que o mar e a floresta
fossem verdadeiros consigo mesmos
e morassem nos seus lugares.

E assim viveram, longe:
a jovem, à beira-mar, saudosa da floresta,
o jovem, na floresta, com saudades do mar...
E é por isso que as pessoas se separam,
por mais que isso as dilacere,
para ficarem bonitas de novo
e voltarem aos mares e florestas perdidos...
Cada separação é uma busca
de um amor que se perdeu:
em cada partida, um desejo de reencontro.

Quanto à criança,
diziam os outros, que nada sabiam:
“Não tem onde morar...”
Ignoravam os mundos onde vivera
e que no seu corpo pequeno moravam
um mar e uma selva.
E se ora estava com a mãe, à beira-mar,
ora com o pai, na floresta,
não é que um lar lhe faltasse.
Ela era mar,
era floresta,
e podia sentir-se em casa
onde quer que estivesse."


(Cantos do pássaro encantado - Rubem Alves)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Os reflexos dos espelhos I

Estou a pensar na imagem que fazemos de nós mesmos e, me passou pela cabeça que esse pensar em nós mesmos é furada, pois estamos sempre imbuidos do reflexo de um espelho interior que é comandado pelo nosso consciente, isso quer dizer que se eu não conseguir assimilar bem o que constato, tentarei relevar ou mesmo escamotear. Por outro lado, temos a visão do espelho exterior, que tanto pode ser o espelho material quanto o "outro", esse nem sempre vê o que nós mesmos consideramos que seja o nosso eu, mas sim aquilo que parecemos ser para esse outro. Desse modo, ficamos entre a cruz e a espada. Navegamos entre as águas do Ego e do Outro, será que o que verdadeiramente somos é o Inconsciente???????????????? Vivemos sempre por trás do pano de fundo e nunca entramos em cena?????

Os reflexos dos espelhos II

No post anterior, manifestei minha inquietude com relação a imagem do que supostamente somos. Hoje, lendo HEGEL, encontrei em um fragmento algo desassossegador.

"(...) essa violência que a consciência sofre - de se lhe estragar toda a satisfação limitada - vem dela mesma. No sentimento dessas violência, a angústia ante a verdade pode recuar e tentar salvar o que está ameaçada de perder. mas não poderá achar nenhum descanso: se quer ficar numa inércia carente-de-pensamento, o pensamento perturba a carência-de-pensamento, e seu desassossego estorva a inércia. Ou então, caso se apóie no sentimentalismo, que garante achar tudo bom a seu modo, essa garantia sofre igualmente violência por parte da razão, que acha que algo não é bom, justamente por ser um modo. Ou seja: o medo da verade poderá ocultar-se de si e dos outros por trás da aparência de que é um zelo ardente pela verdade, que lhe torna difícil e até impossível encontrar outra verdade que não aquela única vaidade de ser sempre mais arguto que qualquer pensamento - que se possua vindo de si mesmo ou de outros. Vaidade essa capaz de tornar vã toda a verdade, para retornar a si mesma e deliciar´se em seu próprio entendimento; dissolve sempre todo o pensamento, e só sabe achar seu Eu árido em lugar de todo o conteúdo ..." (HELGEL, Fenomenologia do Espírito - número 80)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

FREUD

Freud diz: o homem nasce com pênis, mas precisa confirmar o falo. Interessante essa afirmação. É uma carga muito pesada para o homem carregar, mas parece que ele tem se saido bem até hoje (é claro que há exceções). Talvez seja por isso que eles pensem 24h em se autoafirmar. As mulheres corroboram com essa ideia, mas não aceito que a mentalidade desse mesmo homem seja uma nulidade.

domingo, 28 de agosto de 2011

O Mito da Caverna de Platão

 Acho que estou começando a despertar de uma longa hibernação e a luz do dia está me cegando um pouco, preciso primeiro me acostumar a luz.

Uma amiga disse que estou em convalescença conjugal ou resguardo matrimonial, concordo com ela. Quero ter luz propria, por isso quero um relacionamento e não um compromisso. 
  Isso tem me custado muito psicologicamente, mas nao vou deixar um idiota me derrubar, acredite, tenho uma força interior assustadora.


sábado, 27 de agosto de 2011

Covardia e medo

Aos 17 anos era a pessoa mais surpreendente e sonhadora do mundo. Mas após o casamento, tornei-me a pessoa mais covarde e medrosa. Hibernei nesses estados durante 19 anos e após esse longo tempo, eis-me aqui a relatar isso. A hibernação não me aleijou de todo, porém, estou me reabilitando desse mal. Por vezes tenho atitudes tão retroativas e percebo que minha adolescencia e fase adulta tão reprimida busca no mais primitivo em mim, algo para reativar o sistema psiquico -quimico para estimular emoções antes nao vivenciadas, não sei se isso é bom ou ruim, mas posso pelo menos olhar a situação de modo "metalinguistico", uma reflexão sobre o proprio ato que na adolescencia isso seria inviável.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O Dia D

São Gonçalo, 02 de agosto de 2011.
Há 18 anos estou me preparando para esse dia. Sentia um medo profundo do dia em que veria o homem com quem convivi ir embora. Na verdade não sei bem o que senti ou o que estou sentindo. Só sei que não está doendo. Um amiga (meu grilo falante) quando ficou sabendo do acontecido, porque liguei para ela já meio chorosa, disse: "que bom, só assim você vai poder seguir sua vida, pois ele já não estava ai mesmo, estava só ocupando espaço". Não é maravilhoso ter amigos, muito mais do que maridos as vezes.

Não chorei, já não havia mais lágrimas para isso. Estou sim, apreensiva porque agora sou eu que tenho que administrar as rédeas de minha vida e a situação financeira, que sem emprego é preocupante. Mas não posso sofrer de véspera. Agora é viver um dia de cada vez e esperar pelo que vem.