Não esperem coerência e coesão em meus textos. As ideias aqui expressadas por mim, se dispõem de modo prolixo, com sentido e articulação que só eu percebo ninguém mais. contudo, não descarto a possibilidade de que, eventualmente, alguns de vocês possam concordar ou discordar delas. Afirmo, portanto, que este blog é uma tentativa minha de organizar e saber a quantas andam meu confuso pesamento, muitas vezes irônico e tantas outras cáustico.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Identidade Cultural e Movimento Culturista


Eu raramente saio de casa, mas quando saio é sempre por um bom programa. Hoje não foi diferente dos que costumo frequentar. Então vou escrever logo antes que eu esqueça (acho que já comentei em algum post que minha memória é a coisa mais fugaz do mundo). Foi a primeira vez que fui ao Bistrô Café do Bom, Cachaça da Boa. Um local super bacana, aconchegante, pois é um ambiente pequeno, o que faz com que os frequentadores acabem se esbarrando e olhando nos olhos um dos outros. Quem me falou sobre o lugar e o evento foi um amigo da internet, Carlos Brunno Barbosa, cuja escrita admiro sobremaneira. Explico minha predileção pelos escritos dele. São vestígio de nosso tempo, com nosso linguajar, nossas particularidades históricas atuais. Concordo que a Literatura tem um caráter meio cíclico, no que diz respeito a historicidade, parece que determinadas narrativas, mesmo tendo sido escritas séculos passados, estão se repetindo. Mas a dele tem esse diferencial do cotidiano nosso de cada dia. Sua poesia expressa uma opinião pessoal, pois uma poesia nada mais é do que uma parcela de todo poeta. Nele encontro uma verve pulsante e que reconheço como de meu tempo e meu dia a dia também. 

Para meu grande prazer, encontrei-o pela primeira vez nesse evento; assim como Juliana, a musa de meu amigo, uma pessoa agradabilíssima, muito simpática e de bela voz (declama os versos do amado que é uma maravilha); bem como o irmão dela Zé Ricardo, um jovem educadíssimo e cheio de vontade de dar o melhor de si para a música. Mas alguns podem perguntar o porquê de eu está escrevendo tudo isso, eu respondo: é dificil encontrar jovens como esses três que hoje tive a maior satisfação em conhecer. São jovens preocupados e engajados no desejo de um fazer artístico para um mundo melhor. Como não me curvar a tão grande ideal? Como não me envergonhar quando comparo a atitude deles que sairam de Valença para vir ao Centro do Rio participar do evento e eu tão próxima com preguiça de sair e ver as novidades que estão pipocando nesse caldeirão cultural.

Voltando ainda ao lugar, cheguei antes que o evento tivesse começado. De início fiquei um pouco sem graça porque não conhecia ninguém, mas depois foram chegando mais pessoas, inclusive esses novos amigos da Literatura e da Cultura de modo geral. O evento começa o seu andamento e daí por diante tudo passa a ter uma certa familiaridade, todos parecem se identificar como parte de tudo (a cultura tem esse poder). A música ativa algo dentro dos indivíduos que os fazem relaxar, a bebida adianta muito mais rapidamente esse processo (por falar nisso, o capuccino com cachaça é delicioso - não deixem de tomar caso vá a esse bistrô), mesmo em pessoas introspectivas como eu.

A anfitriã, Janaína da Cunha, me pareceu bem contundente em suas posições com relação a cultura e aos artistas quando ressalta a necessidade da união e não de competição entre eles.

As poesias recitadas, cada qual com suas particularidades temáticas, muito interessante. Algumas destacarei, mas não esperem pormenores excessivos, já os esqueci. Perguntem como é que me lembro, não sei. Sei apenas que me lembro, não das palavras, mas da sensação que elas me provocam, quer seja poesia, música ou outra espécie de arte. As pessoas normalmente tem memória de alguma frase ou verso. Eu quando leio uma poesia, crio um contexto que me leva a fazer uma associação com outro contexto, e este me remeterá a uma sensação e é essa sensação que me faz saber se gostei ou não de algo. Afeeee, tem coisas que nunca conseguiremos expressar em palavras. Toda essa lorota é para justificar minha incapacidade mnemônica. 

Bem, vamos lá, deixem-me tentar lembrar de alguns fragmentos antes que eles se desvaneçam e fiquem apenas impregnados em minha memória sensorial. O terceiro poema que Janaína declamou é muito bom (do livro Olhos de Lince); o poema que, segundo o autor, é agora hino do Identidade Cultural e Movimento Culturista (eu concordo, tem tudo a ver mesmo) é também muito bacana, podemos apreciá-lo na íntegra neste link http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/2012/06/solidoes-compartilhadas-efervescencia.html; a performance do Carlos com o poema 60'' o deixou exausto rsrsr; para contrabalançar a exaustão do Carlos, sua fiel escudeira lança mão de seu poema "Horas Mortas" (que aliás é muito interessante, pois me faz lembrar de alguns momentos de pura apatia [minha e não do poema] que vivemos num determinado espaço de tempo em nossas vidas e que só queremos esquecer o tempo) http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/; Juliana declamou um poema em homenagem ao avô  que o Carlos também postou no blog dele e que eu adorei http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/2011/12/solidoes-compartilhadas-solidao.html (levei a manhã quase inteira procurando esses links, mas vale a pena os poema são lindos. Ela tem uma voz muito bonita e sabe interpretar o poema com paixão. Olha esse verso sobre a morte do avô se não digo a verdade " Sono solidão... eterno o seu, perdido o meu"); agora a irreverência dos poemas "Manga" e "peitos, peitinhos e peitões" do Dalberto foi inusitado e muito legal; o poema etílico (não me lembro o nome da autora) é maravilhoso e, por fim, a música de protesto de Zé Ricardo que estava nervoso e se saiu bem, mas ele queria ter atuado melhor (não deve se preocupar, o hábito faz o monge). Uma outra atração foi as caricaturas do Fábio Fernando, traço marcante e delicado, mas o que mais me atraiu foram as cores fortes (sou completamente latina nesse aspecto). Gostaria de ter a foto de uma delas, mas não lembrei de registrar (uma pena, pena mesmo). A pluralidade das artes nesse evento é uma marca muito mais do que desejada por mim em encontros como esse. Gostaria de ter visto pinturas, esculturas, cinema, dança (essa última eu sei que tem). Enfim, eu gosto dessa efervecência cultural, e gosto de tudo ao mesmo tempo, mas sei que o local não comporta essa simultaneidade. Contudo, não custa nada sonhar não é mesmo?

Bem, eis que encerro meu relato de uma dia e uma tarde superagradável com pessoas mais bacanas ainda. Um ganho em minha existência sem dúvida. Lucrei três vezes, primeiro porque conheci o poeta de quem sou fã, aliás esse dia só foi possível porque eu havia combinado com ele de comprar seus livros. Promessas Desfeitas - quando os sonhos morrem e o poeta sobrevive (1997), Not or not ser? (2001), O último adeus - ou o primeiro pra sempre (2004), Eu e outras províncias - progressos e regressos (2008), Diários de solidão - quando a ausência faz companhia (2010) e estou aguardando um que em breve sairá do forno quentinho com o título extraordinário que já está me dando água na boca (só não lembro qual é - consegui achar o nome: "Foda-se e outras palavras poéticas"). Coitado eu o obriguei a fazer dedicatória e tudo - é claro que eu não abriria mão dessa tietagem. Ele fez dedicatórias lindas e poéticas. Segundo porque frui o máximo possível do dia e, em terceiro, porque pelo que estou descobrindo, Valença (cidade do professorpoetapateta, é como ele se autodenomina) tem um movimento cultural próprio e rico com jornais com matérias vigorosas e interessantes e eventos promovidos por um grupo de pessoas conscientes de seus deveres de cidadão, cujo endereço recomendo http://blogdovq.blogspot.com.br/. É isso!

Autorização dada, eis ai meu sorrisão celebrando o encontro com pessoas tão bacanas.


Juliana, eu e Carlos

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Hildegard von Bingen

Hildegard von Bingen
 Hildegard von Bingen, monja alemã. Uma das mulheres mais extraordinárias que tive notícia da Idade Média. Capaz de enfrentar Imperadores, Papas e reis numa época em que a mulher era tida como quase nada, como um objeto de troca, como meio de procriação com fins de gerar mão de obra para os machos sobreviverem dentro do patriarcado. 

Seja por qual discurso ela tenha se feito enxergar e ser ouvida (no caso dela o religioso), o fato é que sua existência tem ecos em nossa atualidade. Foi em primeiro lugar mística (desde sempre), poeta, musicista, linguista, 

Alfabeto criado por Hildegard

escritora, médica, profetiza, filósofa, iluminista (iluminuras), 
Iluminura

teatróloga e tantas outras funções que já nem sei mais enumerar. Sua medicina é aplicada na prática em um hospital na Suiça. Suas músicas podem ser encontradas em várias modalidades, ela mesma criou suas notações musicais (por meio de neumas), 
Fragmento de neumas

pois na época não existia ainda a Escala musical como hoje conhecemos (é só fazer uma pesquisa no "oráculo" youtube e verão sua impressionante produção).  Além de todas essas atividades, ainda encontrou tempo para fundar dois mosteiro, um ainda existe em Eibingen, na Alemanha. O outro foi destruido por conta da guerra, restando apenas ruínas. 
Mosteiro de Eibingen
Foi lançado na Alemanha um filme com a vida dessa monja (também pode ser encontrado no youtube). Bem, termino o post com uma pequena amostra musical. "Vision", adoro essa música tão forte e instigante. Uma melodia que se propagou atemporalmente e, felizmente, para meu deleite, chegou até mim.

Lua Branca - Chiquinha Gonzaga

 

Hoje lembrei da música "Lua Branca" de Chiquinha Gonzaga. A melodia está a ressoar em minha memória.  



Lua Branca
Maria Bethânia
Oh, lua branca de fulgores e de encanto,
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo,
Ah, Vem tirar dos olhos meus, o pranto,
Ai, vem matar essa paixão que anda comigo.

Oh, por quem és, desce do céu, ó lua branca,
Essa amargura do meu peito, ó vem, arranca,
Dá-me o luar de tua compaixão,
Ah, vem, por Deus, iluminar meu coração.

E quantas vezes, lá no céu, me aparecias,
A brilhar em noite calma e constelada.
E em tua luz então me surpreendias
Ajoelhado junto aos pés da minha amada.

E ela, a chorar, a soluçar, cheia de pejo,
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo.
Ela partiu, me abandonou assim,
Oh, lua branca, por quem és, tem dó de mim!

domingo, 29 de julho de 2012

Com amor... Da idade da razão

Com amor ... Da idade da razão
Belíssimo filme. Tão leve como devem ser as coisas profundas e importantes em nossas vidas. Um mergulho em busca de nós mesmos para que venhamos a ser o que somos, já que a realidade embota a visão da alma e nos impede de nos encontrarmos.

"Venha a ser o que tu és" eis a sentença do poeta grego Píndaro (520 a.C.). Uma frase super complexa de ser interpretada, mas que tem em sua condensação imperativa uma essência prá lá de filosófica que nos incita a voltar ao nosso caldo originário e rever determinadas posições atuais que tomamos como verdade absoluta e que talvez não sejam tão absolutas assim. 
Píndaro (520 a.C.)
Para fechar com chave de ouro, lança-se mão de uma máxima do meu belíssimo Dândi, Oscar Wilde:

"É importante ter sonhos grandes o suficiente 
para não perde-los de vista quando os perseguimos". 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O que Mesmo Hugo Cabret Inventou?

Não foi o autômato, não foi o relógio e nem o cinema.

Então o que danado ele inventou? Comecei a assistir o filme ontem, mas estava com sono e acabei deixando para assistir hoje pela manhã. Depois que assisiti, quis escrever sobre ele, fiquei o resto da manhã pensando o que iria escrever. E a questão da invenção de Hugo matelava minha cabeça. De tanto queimar a mufa e dar corda com manivela nos dois neurônios que tenho, formulei uma hipótese:

HUGO INVENTOU A SI MESMO.

Apesar de não ser especialista em figuras de linguagem nem em linguística, contudo, ouso arriscar que Hugo é a Metalinguagem de si mesmo e da Metáfora criada pelo autor do livro "A invenção de Hugo Cabret" de Brian Selznick.

Num determinado ponto do filme ele diz que somos parte de uma máquina que não tem peças sobressalentes, portanto, se não somos uma peça sobressalente, temos uma finalidade específica no mundo. Veja que Hugo se pensa como engrenagem de uma grande máquina e, como engrenagem ele age consciente de que não é o todo, mas parte de um mecanismo que precisa funcionar.

Hugo gosta de consertar coisas que pararam de funcionar, que já não exercem bem suas funções. Desse modo, quando ele encontra Ben Kingsley - Georges Méliès que é um dos precursores da Sétima Arte e dos efeitos especiais, ele tenta consertá-lo. 
Georges Méliès (1861-1938)
Ele encontra-se morto porque ninguém mais se lembra dele, pois com a guerra, a ilusão do cinema frente a realidade vista pelos soldados e por todos que foram afetados por ela, deixa de ser empolgante. 

No entanto, parece que a realidade atualmente é tão dura e incompreensível que tudo é mais interessante e anestesiante que ela. São tantos meios que anestesiam, que alguns indivíduos navegam na alienação profunda desde o adulto até as crianças.

Algumas pessoas reclamaram que o tempo do filme é muito longo para as crianças. Ah! a grande questão do tempo e realidade para as crianças. Ao que parece até mesmo nós adultos concordamos com a ideia de que criança não é capaz de permanecer muito tempo diante de algo que julgamos interessante. Mas se isso é verdade, por que será que as crianças ficam horas e horas diante do computador ou jogos? Elas as vezes permanecem, o equivalente a uma jornada de trabalho adulto (8 ou mais horas), hipnotizados por uma tela..
 O que faremos com as Alienações de nossas crianças? De nossos jovens e de nós mesmos?

Sei que essa crítica fugiu completamente ao que eu intentava dizer, mas, paciência! Assim que eu puder assistir outra vez o filme comento mais.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Contingência


 Caramba! 

Como podemos nos conceber partículas de poeira universal e ainda assim construirmos coisas grandiosas (não é o meu caso claro), penso em homens que sem nenhum instrumento para lhes auxiliar na exploração astronômica, foram capazes de mapear e medir os astros até nosso conhecimento atual, por pura especulação racional e posteriores cálculos (sem calculadora, diga-se de passagem). Isso me impressiona sobremaneira. Para mim é espantoso, simplesmente espantoso.


Deu o título desse blog de "O Mundo Mental de Maria", mas esse mundo é uma grande incógnita, pois, você como indivíduo ja é um mundo, dentro de cada um de nós tem mundos diversos [psíquico, químico, biológico, espiritual, etc], vivemos dentro de um mundo físico [Terra] que situa-se dentro de uma Vialáctea que se situa dentro do Universo. Portanto, há um regresso ao infinito se levarmos a questão às ultimas consequências não é mesmo?

Levando isso tudo em conta e fazendo uma comparação no âmbito do indivíduo, vejo que quanto mais olho para trás, mais percebo o quanto era improvável estar no ponto em que me encontro hoje. Um ponto geográfico, um ponto físico, um ponto psíquico e finalmente um ponto emocional amadurecido. E não estou falando de um amadurecimento como ápice de sabedoria, mas como consciência de vida latente se manifestando no que comumente chamamos de "Real". Uma práxis existencial que tem uma teleologia aristotélica (pujante em potência), em que o erro que se desvela como erro para o indivíduo é tão conscientemente prazeroso e sábio quanto o acerto raciocinado. Porque ter consciência do erro é saber que não se errará novamente, a não ser que se queira ou que seja irresistivelmente difícil de ser evitado.

A consciência é uma teia interligada a tudo que nos rodeia e que percebemos consciente ou inconscientemente pelos nossos 5 sentidos e tantos outros internos que racionalmente, para nós, são desconhecidos. Ramificações infinitas que dependerão unicamente de nosso caminhar. 

 
 ÓHHHHH VIDA! 
QUANTOS MISTÉRIOS 
A SEREM DESVENDADOS


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Flor da Noite

Como não se embriagar de ternura, como não se derreter de amor e ir dormir plena e agasalhada pelo universo ao ouvir essa música na voz da extraordinária intérprete Nana Caymi cantando "Flor da Noite" de Celso Fonseca.

IMPOSSÍVEL!!!!!!!!!!!!


Flor Da Noite

Celso Fonseca

Dorme, tudo dorme
Sobre o mundo cai o véu
Veste o infinito
Véu da noite, cai do céu
 

Se outro alguém te lembrar de nós dois
Não diz prá esse alguém
O que passou e ficou prá depois
Seja o que for além
De mim
Ninguém
Assim


Sonha, tudo sonha
O universo vai ao léu
Verso do meu sonho
Flor da noite, carrossel

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O Olimpo e a Crise na Grécia

Li esse conteúdo no blog de um colega de faculdade e não posso privar meu colegas de mais uma oportunidade para desopilar o fígado. Acho que posso classificar como uma teogonia final. Adoreiiiiiii!
No entanto, reconheço que é um pouco de humor "insensível". A situação econômica da Grécia é desastrosa e triste. O país está ante um abismo profundo. São dezenas de milhares de pessoas desempregadas e o governo não sabe o que fazer. Se por um lado aceita as condições que lhe são impostas, recebe um dinheirinho que não resolverá a situação, por outro e consequentemente, a população fica cada vez mais acuada e desamparada. Porque no fundo, o mais importante não é acudir o povo e sim sacudí-lo, como pó que se sacode do tapete para bem longe de nossa casa. 

O OLIMPO E AS CONSEQUÊNCIAS DA CRISE NA GRÉCIA !!
1. Zeus vende o trono para uma multinacional coreana.
2. Aquiles vai tratar o calcanhar na saúde pública.
3. Eros e Pan inauguram prostíbulo.
4. Hércules suspende os 12 trabalhos por falta de pagamento.
5. Narciso vende espelhos para pagar a dívida do cheque especial.
6. O Minotauro puxa carroça para ganhar a vida.
7. Acrópole é vendida e aí é inaugurada uma Igreja Universal do Reino de Zeus.
8. Eurozona rejeita Medusa como negociadora grega: "Ela tem minhocas na cabeça!".
9. Sócrates inaugura Cicuta's Bar para ganhar uns trocados.
10. Dionisio vende vinhos à beira da estrada de Marathónas.
11. Hermes entrega currículo para trabalhar nos correios. Especialidade: entrega rápida.
12. Afrodite aceita posar para a Playboy.
13. Sem dinheiro para pagar os salários, Zeus libera as ninfas para trabalharem na Eurozona.
14. Ilha de Lesbos abre resort hétero.
15. Para economizar energia, Diógenes apaga a lanterna.
16. Oráculo de Delfos vaza números do orçamento e provoca pânico nas Bolsas.
17. Áries, deus da guerra, é pego em flagrante desviando armamento para a guerrilha síria.
18. A caverna de Platão abriga milhares de sem-teto.
19. Descoberto o porquê da crise: os economistas estão falando grego!

terça-feira, 26 de junho de 2012

"EU QUERO LHE USAR"

"ESSA NOITE EU QUERO LHE USAR"

Essa é a frase de efeito do coronel Jesuíno na minissérie Gabriela.

Maitê Proença e José Wilker
Caras amigas, não se assustem caso seus parceiros cheguem para você muito sutilmente, dando sinais de um aumento de temperatura e em vez de dizer "eu quero transar" digam "eu quero lhe usar". Sabe, de um momento para outro eu passei a considerar a palavra transar tão mais romântica do que usar não acham?
Entretanto, não posso deixar de pensar que a frase é mais sincera, retrata melhor relações atuais tão desprovida de emoção, são puramente físiológicas, estritamente ligadas a fricções de genitálias e tão somente isso. Assisti a explicação de um veterinário sobre o que seria o Cio. Ele disse que os animais sentem uma coceira e a cópula seria a tentativa de fazer a coceira parar, será que em nós também é coceria, será que estamos "involuindo" e nos animalizando??????????????
Falando sério, quando eu ouvi essa frase eu ri tanto, mas ri tanto que me deu cólicas e meu maxilar travou. Depois do ataque de histeria que tive, fiquei a analisar a questão e ficou uma indagação: será que a situação da mulher como objeto mudou? Ou foi o homem que também se tornou um objeto sexual? Provavelmente em ambas situações haja perda potencial de humanidade.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

DISCURSO DE BRITTANY TRIFFORDE

Toda RIO+20 resumida nas palavras de uma adolescente de 17 anos neozelandesa, Brittany Trifforde.



Agora toda a indignação de algumas pessoas adultas (como eu) diante do descaramento de muitos governantes, cujo maior objetivo é posar bem para foto e pronunciar frases vazias e cliches, foi expressada também com todas as letras por Brittany. 

EIS A FRASE MAIS COERENTE E CONTUNDENTE DA RIO+20 VEIO DA BRITTANY TRIFFORDE E VAMOS COMBINAR QUE ESSA FRASE É UM TAPA COM LUVA DE PELICA.

"Vocês estão aqui para salvar as
 suas peles ou para nos salvar?"

domingo, 17 de junho de 2012

Apresentação teatral de "Os Lusíadas" de cor

Gente, fiquei abismada e tão maravilhada com uma notícia que um ex-professor meu publicou no face, informando que o poeta António Fonseca passou 4 anos decorando os cantos de "Os Lusíadas" e apresentou mais ou menos ao estilo das antigas apresentações do teatro grego em 10h, com direito a coro e tudo mais. 

" À medida que avanço isto parece uma história da carochinha heróica, de umas pessoas pequenas que se inventam naquilo que invetam. É estranho. Isto cheira a um mundo tão antigo e por outro lado tão sem tempo" (fragmento de seu diário online). 

De fato, o poeta não tem tempo. Ele apenas faz o que aprendeu fazer, ou seja, encantar seus ouvintes. É um encantador de almas. Almas que desejam ardentemente serem arrebatadas para os mundos de suas imaginações inspiradas.


António Fonseca
O cuidado com que esse artífice tem para com o seu trabalho é quase obssessivo. Estuda as questões estilísticas, busca compreender melhor como funciona a memória para não sobrecarregá-la. Pede ajuda a uma nutricionista para preparar o corpo, pois pensa em média estudar todos os dias por 4 ou 5 horas. Corpo, mente e arte convergem numa cooperação simultanea e orgânica neste fantástico poeta-ator angolano que defende a tradição oral com toda força.

A apresentação da maratona desse recital aconteceu no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, no dia 09 de junho de 2012 e com término previsto para o dia 10 de junho, com a colaboração da comunidade vimaranense.


O relato dessa empreitada está registrado no diário no seguinte link: http://lusiadasdecoracao.blogspot.pt/p/diario.html

Não li tudo ainda, mas como sou lenta mesma, compartilho essa deliciosa notícia com meus queridíssimos colegas e amantes de Literatura. À medida em que avançarei na leitura do diário, colocarei minhas impressões aqui.


Mas, definitivamente,  posso afirmar que António Fonseca é um atleta da letra, da palavra, dos versos, das estrofes e sem dúvida alguma da poesia.

sábado, 26 de maio de 2012

Mercedes Sosa e Milton Nascimento

Sinto saudades de ser pura quando tinha meus 13, pois aos 17 já tinha vivido muita coisa estranha. Começava a conhecer a verdadeira face do ser humano, no mais "humano" do humano. Tempos necessários à sobrevivência. Mas será que deveriam ter sido Necessários mesmos?

 

Volver A Los 17

Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
Es como descifrar signos sin ser sabio competente,
Volver a ser de repente tan frágil como un segundo
Volver a sentir profundo como un niño frente a dios
Eso es lo que siento yo en este instante fecundo.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Mi paso retrocedido cuando el de ustedes avanza
El arco de las alianzas ha penetrado en mi nido
Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
Nos aleja dulcemente de rencores y violencias
Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

El amor es torbellino de pureza original
Hasta el feroz animal susurra su dulce trino
Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

De par en par la ventana se abrió como por encanto
Entró el amor con su manto como una tibia mañana
Al son de su bella Diana hizo brotar el jazmín
Volando cual serafín al cielo le puso aretes
Mis años en diecisiete los convirtió el querubín.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

CORAÇÃO DE TINTA



Um filme que me surpreendeu bastante com seu enredo. 

Um leitor classificado como o língua encantada, qualidade extraordinária e assustadora ao mesmo tempo. Ser um língua encantada lhe dar o poder de trazer personagens das histórias. No entanto, para cada personagem trazido de dentro dos livros, um tem que entrar. Um equilíbrio estranho. A filha do língua encantada herda de seu pai o mesmo dom.

Um personagem que não conhece o seu final e tem medo de conhecer. Ele conhece seu criador e não fica muito satisfeito. O autor do livro fica deslumbrado em ver os personagens vivos. 

É um enredo realmente muito criativo. Eu recomendo para aqueles que gostam de brincar com a ficção e a "realidade" da ficção do filme. É instigante perceber uma ficção literária dentro de uma ficção cinematográfica.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Leonard Cohen


Uma voz que embevece qualquer coração e alma. Uma bela canção para se ouvir a dois, completamente perdidos um no outro.

domingo, 29 de abril de 2012

Um voo suicida

Hoje lendo um post do face de um colega do clube de leitura que falava sobre o aprisionamento de animais silvestres para falar de algo mais profundo que é a teoria do ter e do ser. Perfeita e brilhante a colocação dele.

Então, relembrei de um acontecimento em minha pacata vida. 

Meu vizinho gostava de ter passarinhos presos em sua casa. Certa vez ele pegou um passarinho que estava machucado. Ele tratou da ave, mas quando ela ficou sarado, não quis soltar. Propus um valor pela pequena ave e ele aceitou. Numa ensolarada manhã, ele soltou o pequeno pássaro, mas, na ânsia da liberdade, o passarinho cometeu um erro de ótica: voou para o céu refletido na janela envidraçada do quarto de meu filho e bateu muito forte. Não resistiu ao impacto! Morreu ali mesmo. 





 Fiquei tão triste! 
 Muitas vezes a liberdade é tão desejada que não sabemos lidar muito bem com ela. Em outras, ela é tão vital, que decididamente é melhor perder a vida por ela do que viver aprisionada.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Edith Piaf

Piaf - um hino ao amor



Piaf, a voz do pardalzinho engendrada na sarjeta. A trajetória de Piaf foi uma sucessão de abandonos e infortúnios, que só o instinto de sobrevivência poderia ter sustentado aquela pequena criatura até o topo de seu indiscutível talento e posterior sucesso. 


Quanto a montagem do filme, eu não gostei muito. Há muitas idas e vindas que não facilita a compreensão do espectador que não conhece a hístória da cantora. A tentativa de começar pelo fim e ir alternando e intercalando os eventos, para mim, não agradou. 

A respeito do temperamento de Edith Piaf, que o filme explora em demasia, é forte, mas acho que deve haver mais coisas que deveriam ser abordadas e que eu fiquei esperando até o fim e não vi.

Fora esses pormenores, que são definitivamente menores mesmo diante da música "La vie en rose", a letra e a tradução encontrei neste link http://letras.terra.com.br/edith-piaf/30686/traducao.htm

La Vie En Rose

Des yeux qui font baisser les miens,
Un rire qui se perd sur sa bouche,
Voilà le portrait sans retouche
De l'homme auquel j'appartiens

[Refrain]
Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas,
Je vois la vie en rose.
Il me dit des mots d'amour,
Des mots de tous les jours,
Et ça me fait quelque chose.
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Donc je connais la cause.
C'est lui pour moi,
Moi pour lui dans la vie,
Il me l'a dit, l'a juré
Pour la vie.
Et dès que je l'aperçois
Alors je sens en moi
Mon coeur qui bat

Des nuits d'amour à plus finir
Un grand bonheur qui prend sa place
Des ennuis des chagrins s'effacent
Heureux, heureux à mourir.

Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas,
Je vois la vie en rose.
Il me dit des mots d'amour,
Des mots de tous les jours,
Et ça me fait quelque chose.
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Donc je connais la cause.
C'est toi pour moi,
Moi pour toi dans la vie,
Il me l'a dit, l'a juré
Pour la vie.
Et dès que je l'aperçois
Alors je sens en moi
Mon coeur qui bat

A Vida Cor-de-rosa

Olhos que fazem baixar os meus
Um riso que se perde em sua boca
Ai está o retrato sem retoque
Do Homem a quem eu pertenço

(Refrão)
Quando ele me toma em seus braços
Ele me fala baixinho
Vejo a vida cor-de-rosa
Ele me diz palavras de amor
Palavras de todos os dias
E isso me toca
Entrou no meu coração
Um pouco de felicidade
Da qual eu conheço a causa
É ele pra mim,
Eu pra ele na vida,
Ele me disse, jurou
Pela vida.
E assim que eu o vejo
Então sinto em mim
Meu coração que bate

Noites de amor que não acabam mais
Uma grande felicidade que toma seu lugar
Os aborrecimentos e as tristezas se apagam
Feliz, feliz até morrer

Quando ele me toma em seus braços
Ele me fala baixinho
Vejo a vida cor-de-rosa
Ele me diz palavras de amor
Palavras de todos os dias
E isso me toca
Entrou no meu coração
Um pouco de felicidade
Da qual eu conheço a causa
É ele pra mim,
Eu pra ele na vida,
Ele me disse, jurou
Pela vida.
E assim que eu o vejo
Então sinto em mim
Meu coração que bate
E "Hymne a l'amour" O link da letra e tradução é esse http://letras.terra.com.br/edith-piaf/80990/traducao.html


Hymne A L'amour

Le ciel bleu sur nous peut s'effondrer,
Et la terre peut bien s'écrouler,
Peu m'importe. Si tu m'aimes,
Je me fous du monde entier.
Tant qu'l'amour inond'ra mes matins,
Tant que mon corps frémira sous tes mains,
Peu m'importe les problèmes,
Mon amour, puisque tu m'aimes.

J'irais jusqu'au bout du monde,
Je me ferais teindre en blonde,
Si tu me le demandais.
J'irais décrocher la lune,
J'irais voler la fortune,
Si tu me le demandais.

Je renierais ma patrie,
Je renierais mes amis,
Si tu me le demandais.
On peut bien rire de moi,
Je ferais n'importe quoi,
Si tu me le demandais.

Si un jour la vie t'arrache à moi,
Si tu meurs, que tu sois loin de moi,
Peu m'importe, si tu m'aimes,
Car moi je mourrais aussi.
Nous aurons pour nous l'éternité,
Dans le bleu de toute l'immensité,
Dans le ciel, plus de problèmes.
Mon amour, crois-tu qu'on s'aime?

Dieu réunit ceux qui s'aiment.

Hino Ao Amor

O céu azul sobre nós pode desabar,
E a terra pode bem desmoronar,
Pouco me importa. Se você me ama,
Eu me lixo do mundo inteiro.
Enquanto o amor inundar as minhas manhãs,
Enquanto o meu corpo tremer sob as suas mãos,
Pouco me importam os problemas,
Meu amor, já que você me ama.

Eu iria até o fim do mundo,
Eu tingiria meus cabelos em loiro,
Se você me pedisse.
Eu iria desprender a lua,
Eu iria roubar a fortuna,
Se você me pedisse.

Eu renegaria a minha pátria,
Eu renegaria os meus amigos,
Se você me pedisse.
Podem muito bem rirem de mim,
Eu faria o que quer que seja,
Se você me pedisse.

Se um dia a vida te arrancar de mim,
Se você morrer, se você estiver longe de mim,
Pouco me importa, se você me ama,
Pois eu morreria também.
Nós teríamos para nós a eternidade,
No azul de toda a imensidão.
No céu, mais nenhum problema.
Meu amor, você acha que a gente se ama?

Deus reúne os que se amam.

sábado, 21 de abril de 2012

Frida Kahlo

Frida Kahlo foi excepcional como mulher, para além dos padrões da sociedade da época e também como artista tardia.   
A estética do filme é super interessante. Tem umas montagens que dá leveza até mesmo no diagnóstico do acidente da pintora. As cores bem ao estilo latino, vibrantes, bem como o vestuário e os acessórios. As músicas são outro elemento excitante e forte. A história da pintora é amenizada no filme e alguns acontecimentos da vida dela foi romanceado.

Não se intimidem com as tragédias da vida de Frida Kahlo, o filme não é um drama pesado, embora isso não queira dizer que não tenha sido para ela, porque foi. Mas o diretor não quis ressaltar essencialmente a desgraça, mas a genialidade e perseverança dessa artista que contra toda a "sina", fez de sua existência uma experiência muito impactante tanto para ela e seus contemporâneos quanto para mim, que aqui me encontro em pleno feriadão a espreita do outro lado de seu tempo.
A montagem da conquista de New York por Rivera é cômica. E a gringolândia, melhor ainda huahuahua. Muito bão. 

Abaixo cito alguns diálogos e frases do filme que me comoveram. 

Sobre Diego Rivera
 
 "Tudo se encaixa na mão dele", "é a maneira como ele olha pra você", "ele acha beleza na imperfeição", "Diego não pertence a ninguém, pertence a si mesmo ..." (com toda certeza foram essas qualidades que fez com que Frida se apaixonasse por ele perdidamente até o dia de sua morte e quem sabe até depois?)

Sempre que penso em  pintores, concluo que eles transformam suas impressões em expressões mediadas pelos cinco sentidos e depois as imprimem em suas telas e estas chegam até nós, estranhamente estáticas, mas profundamente tagarelas. Nos dizem tanto. Algumas vezes nos expôem a alma do pintor e, em outras, nos faz expor as nossas. É mais ou menos o que sinto com alguns textos em que o autor escreve o que sente. Gosto de sentir o gosto da alma de quem escreve no que leio, talvez seja por isso que também escrevo o que sinto, por mais que isso me exponha. Quem sabe eu não tenha medo de esquecer o que sinto (como Manuel Bandeira que em uma poesia reclama que confiou em sua memória e ela o traiu) ou o que penso que sou. Seja lá o que for, são apenas vestígios de mim ante o Universo.

O diálogo do intelectual /filósofo marxista Leon Trótski com Frida sobre a dor é espetacular! De tirar o chapéu a sensibilidade do roteirista. Reproduzo as falas na dublagem do filme para o português:
 - Frida, como é conviver com a dor?
- Nem dá para explicar direito. Já me cortaram e me remontaram tantas e tantas vezes. Eu pareço um quebra-cabeças. Na verdade todas as operações fizeram mais estragos que o acidente. Tudo dói, mas a perna ... a perna é o pior. Mas eu estou bem. No fim das contas o nosso corpo mostra que suportamos mais do que podemos.
- É isso o que eu adoro nos seus quadros. Eles trazem essa mensagem. Você disse que ninguém os entende, mas acho que está enganada, porque seus quadros expressam o que cada um sente quando está sozinho e sofrendo
- Talvez. Leon, me fale sobre os seus filhos.
- Meus filhos... as meninas foram assassinadas, assim como um dos meninos. Nos pensávamos que o outro estava vivo na prisão. Mas aí recebemos uma carta... ele tinha sido executado também. No fim, todos morreram. Eu condenei minha família e também estou condenado.
- Não deve dizer isso.
- Mas é verdade. Stalin tem mais poder do que qualquer czar. Estou sozinho com alguns amigos e nenhum recurso contra a maior máquina assassina do mundo. A única coisa que me resta é continuar trabalhando e vivendo. Você não pode nem imaginar que alegria é para mim estar aqui vendo tudo isso. É a primeira vez em anos que me sinto gente de verdade.

Outro ponto alto do filme é o depoimento de Diego Rivera sobre a obra de Frida, na exposição que montaram em homenagem a ela em seu país, é comovente.

- Vi uma garota magra com olhos arregalados, gritando para mim "- Diego eu quero te mostrar meus quadros". Mas é claro que ela me fez descer até ela. Então eu vi e nunca mais parei de olhar. Mas eu quero falar sobre Frida não como marido, mas como artista. Um admirador. O trabalho dela é ácido e meigo. Duro como o aço e suave como uma borboleta. Admirável como um sorriso e cruel como a amargura da vida. Eu não acredito que antes tenha existido uma mulher que colocasse tanta agonia poética numa tela.

Esta é a última anotação em seu diário. É uma sentença majestosa: "Espero que a partida seja festiva, e espero nunca mais retornar". E quem poderia condená-la? Depois de passar por tudo o que passou?
Enfim, recomendo a película.