Como é triste saber que para lidar com determinadas pessoas, preciso é que se tenha estômago de avestruz. Ah! a diversidade dos indivíduos. Um grande padecimento no paraíso. rsrsr (sem graça)
É um blog inspirado na Maiêutica para responder a perguntas que insistem em não aceitar respostas. Pretendo reconstruir meu mundo. Por hora encontra-se suspenso de qualquer juízo, embora saiba que há um substrato existencial do qual não posso me isentar.
Não esperem coerência e coesão em meus textos. As ideias aqui expressadas por mim, se dispõem de modo prolixo, com sentido e articulação que só eu percebo ninguém mais. contudo, não descarto a possibilidade de que, eventualmente, alguns de vocês possam concordar ou discordar delas. Afirmo, portanto, que este blog é uma tentativa minha de organizar e saber a quantas andam meu confuso pesamento, muitas vezes irônico e tantas outras cáustico.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
domingo, 30 de setembro de 2012
Nos Embalos do Identidade Cultural e do Movimento Culturista
Bem, parece que esse evento se tornará parte de meus movimentos sociáveis. Vou dizer o porquê, Senhoras e Senhores!
Foi a segunda vez que participei do Evento Identidade Cultural e Movimento Culturista, que me foi apresentado pelo amigo, Carlos Brunno, do Sarau Solidões Coletivas. Acreditem! Nunca vi uma concentração tão alta de arte por metro quadrado, como foi ontem no Bistrô Café do Bom, Cachaça da Boa. Foi uma especulação artística mais do que rentável, foi espetacular. Querem saber como se enriquece até a alma das 11:30 às 17:00? Apareçam por lá no próximo evento e verão com seus próprios olhos e sentirão com suas próprias almas.
Eu deveria me preocupar em falar sobre esse evento (pois merece mais do que aplausos, merece todo o cuidado que um jardim requer), mas não vou, pois minha finalidade nesse blog é dizer o que sinto sobre isso ou aquilo. Meu relato será sobre o prazer que senti em ter assistido a apresentação de tanta gente boa, que estou ainda nas nuvens e não sei bem ao certo por onde vou começar (talvez pelo começo, que acham rsrs hummm). Então vou inspirar profundamente e expirar ......... pairo sobre mim mesma e elevo o pé direito para baixar na terra ..... inspiro mais profundamente e expiro..... baixo o pé esquerdo..... inspiro e expiro mais uma vez e vamos lá.
Raramente acordo mal humorada (atualmente). Quando tenho um compromisso que desejo que dê tudo certo, faço meus rituais para trazer bons fluidos. Tipo ouvir minhas músicas prediletas às 7:00 da manhã (não me perguntem sobre meus vizinhos, mas isso não é tão frequente - terão de me aturar, eu também os aturo). Dependendo do horário, já começo a fazer aquela faxina na cara (dá um trabalho dos diabos ficar um pouqinho apresentável) e depois parto sem demora, mesmo estando atrasada. Foi o que aconteceu ontem. Cheguei as 13:00 e já não tinha mais mesa. Janaína, a fada das criaturas desengonçadas (euzinha), me apresentou a uma amiga e perguntou se eu podia ficar na mesa dela. Erica me adotou e quando dois amigos (Carlos Brunno e a namorada Juliana) chegaram eu perguntei se eles podiam sentar junto conosco e ela gentilmente permitiu. Então cometi uma gafe horrível. Acredita que eu, na hora de apresentá-la troquei o nome, disse que era Rita (Não se preocupem, pouco tempo depois cometi o mesmo erro - isso é muito comum em mim. Tenho uma memória desastrosa).
Vejam nem tudo eu consigo lembrar. Mas anotei algumas frases ou versos dos artistas que se apresentaram. Perdoem-me aqueles que não menciono. Lembro-me da apresentação, mas não de todos os nomes e para não cometer gafes, mais do que já cometi ontem, prefiro me calar.
Como cheguei atrasada, o Márcio Bragança já estava cantando e protestando contra algumas atitudes políticas de alguns ídolos da música nacional (estou tentando lembrar exatamente o que era, mas não consegui ainda). O Rode com seu e nosso "subúrbio" e a "(...) reunião das minhas [e nossas] últimas ignorâncias".
Agora falo sobre uma poeta muito, mas muito especial. Paloma Aiane, uma adolescente talentosíssima. Mas não falo de talento por generosidade ou por querer ser simpática. Falo de uma artista de primeira categoria. Talvez num futuro ela opte por não ser poeta. Mas digo que se ela quiser, hoje, for incentivada e tiver oportunidade, não tenho dúvidas que atingirá o topo. Eis como ela começou sua apresentação: "Não faço poesia, escrevo usando a linguagem poética". Isso é só pra se ter noção da força dessa garota. A poesia "Tempo de Renovação" é uma crítica política impressionante para uma menina de 16 anos. Outra poesia foi "Quero cuidar de você". Esse poema foi cantado. Separei um ínfimo fragmento que ela escolheu, da Hilda Hilst para nos brindar "A vida é crua ... líquida" A apresentação de Paloma não se restringe apenas a leitura, mas a uma performance primorosa de canto e gestuais. Isso sem contar com a voz que me encantou com sua suavidade e afinação. A apresentação dessa jovem, nos remete as antigas perfomances dos Aedos em que versos, voz e corpo convergiam para que a poesia se fizesse presente de modo indelével na alma dos espectadores. Foi isso que aconteceu ontem, que até chorei de tanta emoção. Uma coisa é ler sobre esse fenômeno nos livros e outra é vivenciá-lo. Foi incrível!
Estão pensando que parou por aqui, ledo engano, meus caros amigos. Cada indivíduo, a seu modo, contribuiu com o melhor de si. Sem mesquihez e sem avareza. A atração seguinte foi um outro capítulo digno de nota. Mel, sua voz assim como o nome é doce e energética. Seus cabelos brancos apenas indicam que idade não existe. Que é meramente um modo de contar o tempo cronologicamente, nada mais que isso. Ah! Detalhe, tudo de imporviso. Imagina se fosse previamente combinado. Ela ainda participou mais 2 vezes. Depois dessa mulher, tivemos a presença de Wellington (acho que é assim que se escreve) que afirma "Não sou eu que faço poesia, é ela que me faz" e um excerto de sua poesia fala de um baú em que guardamos coisas velhas para um último adeus e lá encontraremos um "saquinho de lágrimas". Diz, isso não é o máximo! Lembrei do Bispo do Rosário com sua coleção de coisas para mostrar a Deus quando o encontrasse. Um outro verso que gostei muito foi o de Zélia Balbina, que veio de Maricá (assim como a Mel) só para nos presentear com "(...) a pele goteja calor".
Um outro capítulo (acho que posso fazer temporadas) foi a performance contagiante dos Urbanos em Causa. É impolgante, elétrico. Uma crítica aos desmandos e caos urbanos para lá de bão genten! Usa algumas tecnologias para nos colocar simultaneamente em contato com a música, imagens e poesia. Olhem a seleção de versos que escolhi: "O colarinho do chopp escorria em franjas (agora deu uma vontade imensa de beber esse colarinho rsrs) .... Quem me salvará? A P O E S I A", "(...) A sociedade intoxicada de verdades" e finalmente "tá tudo pacificado, tá tudo pacificado". O que mais posso dizer da apresentação de Sergio Gerônimo Delgado e Mozart Carvalho, senão, que é um trabalho de sangue suor e poesia urbana. Em seguida vimos o artista plástico e poeta Peu Freitas que expos suas máscaras sociais.
Agora vem os Dois Carlos, o Orfeu e Brunno. Orfeu nos revela que traz versos que estão "resistindo ao cimento do tempo", "úmidos com versos de areias", "estrangeiros estradas de si" e "lhe amando como o lobo ama a lua". Não é de babar? Logo depois veio a dupla Carlos Brunno e Orfeu interpretando "Uma longa viagem de Jim". Pirou meu cabeção com esses versos "Inspiração nua, acenda a luz e me diga: sou sua! / faça-me uivar com meus infinitos lobos despertos no peito / O verso não está preso / Olhos fechados que enxergam o fim das ilusões / o corpo da garota de Ipanema, numa louca dança, numa dócil orgia / e seu corpo é feito de versos loucos / a inspiração de pernas abertas ...". O poema é tão cadenciado em figuras poéticas que nos poe em estado alucinógeno. Orfeu e Brunno fazem amor com nossas almas por meio de seus versos sincopados.
Outra atração musical foi Hélio Sória que cantou e nos deu uma amostra de seu próximo trabalho intitulado "Eu não sei dizer adeus". Depois Regina Tchelly nos falou sobre seu projeto Favela Orgânica e seu risoto de casca de melancia que é um viagra natural, segundo suas palavras. Também a Juliana e Djan falaram sobre o projeto do blog para novos escritores. Logo depois foi a vez de Cristina Lebre e seus Olhos de Lince em que encontramos o poema "Orgasmo" que contém versos como "a sala é o infinito / nós, os filhos do primeiro orgasmo". Muito bela essa concepção quase teologal. Em seguida, Afrânio que falou dos lábios de sua amada, Cristina, e das "línguas que não se cabiam em si" e da arte de ser Jardineiro. Bem Cristina, eis aí o seu Jardineiro Fiel rsrsr. A Ana Anita que falou de seu blog e, se não me engano, de um projeto sobre a história de Niterói (fiquei curiosa e querendo que ela fizesse o mesmo por São Gonçalo. Ô cidadezinha abandonada pelo Sistema governamental.
Agora falo sobre o mais fabuloso desse dia: o convidado especial e centenário ou quase centenário (99 anos), Bob Lester, integrante da Banda Bando da Lua, que acompanhava Carmem Miranda. Antenadíssimo, foi o primeiro a nos falar sobre a morte da apresentadora Hebe Camargo e lhe dedicar uma música. A vitalidade desse homem é indecente, meu Deus! Ele dança com castanholas, tem uma voz limpíssima. Provavelmente devem tê-lo amamentado com a famosa casca de melancia, só pode. É uma possível explicação para tanto vigor. E mais, é um grande fã da Claudia Raia. Pessoal, por que não fazemos uma campanha para a Claudia Raia aparecer lá e dar-lhe um abraço. Acho que seria um ótimo presente para este homem de UM SÉCULO de pura poesia e meninice. Só quem o viu atuar entenderá, que quando digo que a arte eterniza e atemporaliza qualquer criatura quer no corpo quer na mente. Carlos Brunno fez uma poesia especialmente para ele em que diz "deuses não precisam de registros". De fato, deuses apenas são.
A rapper Mabu arrasou com seus versos críticos afirmando que "o que me derrubou não me deixou no chão / o futuro do Brasil está craqueando por aí" Existe verdade mais patente do que essa em nosso país? Duvido! Aproveitando ainda a Mel, Dudu, o filho do zé, cantou sua poesia "Cordel-funk do índio". Nela, ele narra a história de um índio que veio da floresta para o Rio de Janeiro e lá encontra costumes esquisitos "tinham roupa por cima e ainda tinha roupa por baixo / encapam o piru com plástico quando estão namorando / tem muito espaço livre mas nenhum pode morar / ta viciada, ta muito viciada essa sociedade da troca imediata".
O microfone aberto é um momento super especial. Janaína tem razão. A arte quer sair e quando encontra pessoas como essa poeta, mãe e mecenas, não tem correntes que a aprisionem. Faz-se até fila para que ela possa transbordar por meio de muitas vozes dos adeptos que a escolheram ou foram possuídos por ela. Janaína, não sou jornalista, encontrei no ato da escritura desse blog, um modo de respirar para viver e tentar organizar meus pensamentos e me conhecer um pouco mais (até bem pouco tempo atrás, eu nem sabia que existia para mim mesma).
Eu iria terminar meu relato por aqui. Mas qual não foi minha surpresa ao sair do Bistrô. A arte é algo que fica impregnado na gente. Ela atrai arte. Sua natureza faz com que ela se esparrame e atraia tudo que tem sua essência. A poucos metros do Bistrô, em frente ao Palácio Tiradentes, encontrei um gurpo que protestava contra a poluição política visual e sonora. Os cartazes de propaganda política serviam de tela para pintores (uma ótima finalidade, diga-se de passagem). Conversei com alguns ativistas e segui o meu caminho em direção as Barcas. Porém, antes de chegar a meu destino, me deparo com os pilares do viaduto da praça XV sendo pintados por artistas, foi como Wagner se denominou. Perguntei-lhe se era grafiteiro e ele disse que não. Pois o grafiteiro não tem permissão para fazer o que ele estava fazendo com permissão da Prefeitura. Aceitei sua concepção. Afinal de contas, ele é quem mete a mão na massa. Eu so sou uma abelhuda. Uma voyeur das manifestações artísticas. Enfim, a obra do rapaz é instigante. Dimensões muito grande, é de se esperar, já que sua tela é uma pilastra gigantesca. As cores são muito bonitas. Dá uma sensação de um mundo pujante. O desenho revela um boca comum a dois corpos. Dois seres compartilhando uma mesma boca. Cara, eu gostei para caramba. E ainda tem alguns retardados que dizem que esses rapazes são vagabundos. Que vagabundo se ocuparia de uma pintura por 10 horas consecutivas para vê-la pronta. Tudo bem, não sou ingenua. Sei que há algumas coisas estranhas, mas me digam, em nossa comportada sociedade também não o há? Quem quiser ver, pode ir à Praça XV e depois me fala como ela ficou (não estava pronta ainda).![]() |
| Eis aí a imagem terminada. Ficou linda! |
Acabo sem prévio aviso. Até a próxima!
sábado, 8 de setembro de 2012
Estados Psicodélicos e Nostágicos I
Todos os meses entro em estado de tensão máxima, é a maldita TPM. É um misto de nostalgia e superagitação mental. Alguns dizem que parece bipolaridade. Não sei, mas não consigo definir se é ruim ou não. Pois, se por um lado, choro igual bebezinho com fome só porque o arroz queimou, por outro, minha criatividade é acionada e fico na maior fissura (me dá um trabalho dos diabos me controlar. Olha que nem barbitúricos tomo, imagine só se o fizesse? rsrsrs).

Homens, acreditem! Não é nada fácil transitar entre esses dois estados de ânimo concomitantemente.
Para piorar ainda mais a situação, resolvi, nesse feriadão, assistir uma seleção de filmes: Meia Noite em Paris, Branca de Neve e o Caçador, Melancholia, Utopia, Valente e o videoclip da música final deste último filme, "Answer (mais adiante, num outro post - a saga continuará - falarei a respeito dela). Dentre esses 5, só um não puxa pra baixo. É "Meia Noite em Paris".
![]() |
| Marion Cotillard e Owen Wilson |
Meia Noite em Paris é um filme de Woody Allen. É leve, delicioso de ver. Uma comédia romântica. A estrutura espaço-temporal é uma arquitetura técnica bem elaborada. Um quê de loucura do Woody. Aliás, a maioria de seus filmes tem uma cisão com o tradicional. Ele é uma criatura que pode se dar a esse luxo. É cultíssimo e sabe como ninguém utilizar seu vasto conhecimento na elaboração técnica e conteúdo de seus filmes (nossa, acho que tem muito "ura" nesse parágrafo, mas vou deixar assim, senão não escrevo metade do que pulula nessa memória de ameba). Bem, voltando a ruptura do espaço-tempo, há uma intersecção no tempo presente e passado. Gil se descobre perdido em Paris à noite e, senta-se numa escadaria, quando aparece um carro antigo e seus ocupantes o chamam para dar uma volta e, essa volta, o leva para o passado, na década de 20.
O tempo presente é monótono, decepcionante, sem cor e sem vida para Gil, o escritor hollywoodiano desencantado com seu ofício. No entanto, o passado é vibrante, cheio de expectativas, agitado, criativo. Seu singelo passeio o leva a uma festa onde ele inacreditavelmente se encontra com Cole Porter, Scott Fitzgerald e sua excêntrica esposa, Zelda Fitzgerald, Ernest Hemingway entre outras celebridades históricas do mundo das artes. É o mundo onde a arte é o pilar central, no presente, ela é um mero adereço. Algo para ser apenas jogado de modo pedante por alguns Medalhões (como bem classificaria Machado de Assis).
No passado, a nata artística desfila serelepe. Tem-se representantes do cinema, da artes pictóricas, da dança, da música. Dentre os já mencionados, podemos acrescentar Pablo Picasso e sua amante Adriana, Salvador Dalí, Luis Buñuel, Gertrud Stein, Man Ray, Joséphine Baker, Paul Gauguin, T.S. Eliot, Henri de Toulouse-Lautrec, Henri Matisse, entre tantas outras personalidades brilhantes desse Clube das Artes.
Falando sobre clube, estou a ruminar essa questão há algum tempo. Lembro de alguns exemplos e vejo que não têm o mesmo sentido. Não sei se é por causa da velocidade de nossas vidas ou se por uma questão de ego exaltado. Mas o fato é que nos antigos pontos de encontros de artes não havia hora marcada com antecedência. Todos ou parte se encontravam num horário para tomar chá, café, bebidas, etc. Não tinha um agendamento prévio. Falava-se de tudo e de todos. Os ânimos ficavam exaltados, mas o que resultava era a própria arte em ação, em construção. Alguns se odiavam e debatiam em público seus gostos e desgostos artísticos. Lavava-se a roupa suja ali e depois outra vez.
Hoje, eu sinto uma certa apatia no mundo literário e, de modo geral, das artes. Os Clubes são herméticos, cheios de patotinhas tão infantis que me irritam. Não há abertura para discussão e, quando há, ficam ofendidos sobremaneira. A maioria que se encontra está em estado permanente de defesa desses egos. Os comentários se perdem em ferramentas digitais que poderiam revitalizar esse diálogo e suprir a distância entre artistas e artistas e entre espectadores e artistas.
Caramba! Se o meio digital tem possibilidades de interações diversas, parece que nesse âmbito, precisam ainda serem repensadas. Tudo bem que uns podem afirmar que disponibilizam o texto no meio virtual e se os visitantes gostarem ou não, tanto faz. Concordo do ponto de vista do gosto, mas discordo do ponto de vista da perda e do enriquecimento que esse diálogo poderia trazer às pessoas e à Cultura. Para exemplificar isso que estou me referindo tão alopradamente, vou lançar mão de uma algumas personalidades.
Primeira dupla, Goethe e Schiller. Eram amigos pessoais e divergiam na arte em que cada um acreditava. Goethe defendia o romantismo e Schiller atuava numa vertente chamada Sturm und Drang (tempestade e ímpeto). Quando Schiller morreu, Goethe perdeu seu grande interlocutor e incentivador. Eram críticos entre si. Um instigava o outro a prosseguir, mesmo que divergindo.
Segunda dupla, Van Gogh e Gaughin. Talvez não divergissem tanto, mas têm suas particularidades e estilos próprios. Juntos exploraram e experimentaram o mundo das cores. Hoje percebemos o quão benéfico foi para as artes essa união entre os dois.
Agora vamos trazer a discussão para dias mais próximos a nós. Elejo meu adorado J. J. R. Tolkien e C.S. Lewis. Encontravam-se regularmente para lerem capítulos um do outro. Discutiam a estrutura da narrativa, o estilo, o pano de fundo. É claro que não concordavam sobre muitas coisas, mas o movimento de suas criações era visível, era corrente. Eles sabiam em que pé andava a arte de seu tempo e deles mesmos, porque eles faziam parte desse movimento.
Enfim, ainda desejo que em nossa atualidade possamos alcançar essa maturidade discursiva e não nos fechemos em nossos egos e deixemos escapar as possibilidades desse movimento em nossa arte verdadeiramente contemporânea do hoje, do agora. É isso o que desejo. Muito embora não seja artista, mas me considero uma grande apreciadora e amante de todos os tipos de artes.
Fontes: (quem não conhecer todos os personagens do filme, podem visitar essa página eletrônica http://www.ospaparazzi.com.br/celebridades/meia-noite-em-paris-saiba-quem-e-quem-4788.html - lá encontrarão uma relação de quem é quem).
No passado, a nata artística desfila serelepe. Tem-se representantes do cinema, da artes pictóricas, da dança, da música. Dentre os já mencionados, podemos acrescentar Pablo Picasso e sua amante Adriana, Salvador Dalí, Luis Buñuel, Gertrud Stein, Man Ray, Joséphine Baker, Paul Gauguin, T.S. Eliot, Henri de Toulouse-Lautrec, Henri Matisse, entre tantas outras personalidades brilhantes desse Clube das Artes.
Falando sobre clube, estou a ruminar essa questão há algum tempo. Lembro de alguns exemplos e vejo que não têm o mesmo sentido. Não sei se é por causa da velocidade de nossas vidas ou se por uma questão de ego exaltado. Mas o fato é que nos antigos pontos de encontros de artes não havia hora marcada com antecedência. Todos ou parte se encontravam num horário para tomar chá, café, bebidas, etc. Não tinha um agendamento prévio. Falava-se de tudo e de todos. Os ânimos ficavam exaltados, mas o que resultava era a própria arte em ação, em construção. Alguns se odiavam e debatiam em público seus gostos e desgostos artísticos. Lavava-se a roupa suja ali e depois outra vez.
Hoje, eu sinto uma certa apatia no mundo literário e, de modo geral, das artes. Os Clubes são herméticos, cheios de patotinhas tão infantis que me irritam. Não há abertura para discussão e, quando há, ficam ofendidos sobremaneira. A maioria que se encontra está em estado permanente de defesa desses egos. Os comentários se perdem em ferramentas digitais que poderiam revitalizar esse diálogo e suprir a distância entre artistas e artistas e entre espectadores e artistas.
Caramba! Se o meio digital tem possibilidades de interações diversas, parece que nesse âmbito, precisam ainda serem repensadas. Tudo bem que uns podem afirmar que disponibilizam o texto no meio virtual e se os visitantes gostarem ou não, tanto faz. Concordo do ponto de vista do gosto, mas discordo do ponto de vista da perda e do enriquecimento que esse diálogo poderia trazer às pessoas e à Cultura. Para exemplificar isso que estou me referindo tão alopradamente, vou lançar mão de uma algumas personalidades.
Primeira dupla, Goethe e Schiller. Eram amigos pessoais e divergiam na arte em que cada um acreditava. Goethe defendia o romantismo e Schiller atuava numa vertente chamada Sturm und Drang (tempestade e ímpeto). Quando Schiller morreu, Goethe perdeu seu grande interlocutor e incentivador. Eram críticos entre si. Um instigava o outro a prosseguir, mesmo que divergindo.
Segunda dupla, Van Gogh e Gaughin. Talvez não divergissem tanto, mas têm suas particularidades e estilos próprios. Juntos exploraram e experimentaram o mundo das cores. Hoje percebemos o quão benéfico foi para as artes essa união entre os dois.
Agora vamos trazer a discussão para dias mais próximos a nós. Elejo meu adorado J. J. R. Tolkien e C.S. Lewis. Encontravam-se regularmente para lerem capítulos um do outro. Discutiam a estrutura da narrativa, o estilo, o pano de fundo. É claro que não concordavam sobre muitas coisas, mas o movimento de suas criações era visível, era corrente. Eles sabiam em que pé andava a arte de seu tempo e deles mesmos, porque eles faziam parte desse movimento.
Enfim, ainda desejo que em nossa atualidade possamos alcançar essa maturidade discursiva e não nos fechemos em nossos egos e deixemos escapar as possibilidades desse movimento em nossa arte verdadeiramente contemporânea do hoje, do agora. É isso o que desejo. Muito embora não seja artista, mas me considero uma grande apreciadora e amante de todos os tipos de artes.
Fontes: (quem não conhecer todos os personagens do filme, podem visitar essa página eletrônica http://www.ospaparazzi.com.br/celebridades/meia-noite-em-paris-saiba-quem-e-quem-4788.html - lá encontrarão uma relação de quem é quem).
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Oficinas de Criações Cinematográficas
Um excelente oportunidade para fazer cursos gratuitos que normalmente custam os olhos da cara. Quem puder, aproveite!
domingo, 26 de agosto de 2012
Identidade Cultural e Movimento Culturista
Eu raramente saio de casa, mas quando saio é sempre por um bom programa. Hoje não foi diferente dos que costumo frequentar. Então vou escrever logo antes que eu esqueça (acho que já comentei em algum post que minha memória é a coisa mais fugaz do mundo). Foi a primeira vez que fui ao Bistrô Café do Bom, Cachaça da Boa. Um local super bacana, aconchegante, pois é um ambiente pequeno, o que faz com que os frequentadores acabem se esbarrando e olhando nos olhos um dos outros. Quem me falou sobre o lugar e o evento foi um amigo da internet, Carlos Brunno Barbosa, cuja escrita admiro sobremaneira. Explico minha predileção pelos escritos dele. São vestígio de nosso tempo, com nosso linguajar, nossas particularidades históricas atuais. Concordo que a Literatura tem um caráter meio cíclico, no que diz respeito a historicidade, parece que determinadas narrativas, mesmo tendo sido escritas séculos passados, estão se repetindo. Mas a dele tem esse diferencial do cotidiano nosso de cada dia. Sua poesia expressa uma opinião pessoal, pois uma poesia nada mais é do que uma parcela de todo poeta. Nele encontro uma verve pulsante e que reconheço como de meu tempo e meu dia a dia também.
Para meu grande prazer, encontrei-o pela primeira vez nesse evento; assim como Juliana, a musa de meu amigo, uma pessoa agradabilíssima, muito simpática e de bela voz (declama os versos do amado que é uma maravilha); bem como o irmão dela Zé Ricardo, um jovem educadíssimo e cheio de vontade de dar o melhor de si para a música. Mas alguns podem perguntar o porquê de eu está escrevendo tudo isso, eu respondo: é dificil encontrar jovens como esses três que hoje tive a maior satisfação em conhecer. São jovens preocupados e engajados no desejo de um fazer artístico para um mundo melhor. Como não me curvar a tão grande ideal? Como não me envergonhar quando comparo a atitude deles que sairam de Valença para vir ao Centro do Rio participar do evento e eu tão próxima com preguiça de sair e ver as novidades que estão pipocando nesse caldeirão cultural.
Para meu grande prazer, encontrei-o pela primeira vez nesse evento; assim como Juliana, a musa de meu amigo, uma pessoa agradabilíssima, muito simpática e de bela voz (declama os versos do amado que é uma maravilha); bem como o irmão dela Zé Ricardo, um jovem educadíssimo e cheio de vontade de dar o melhor de si para a música. Mas alguns podem perguntar o porquê de eu está escrevendo tudo isso, eu respondo: é dificil encontrar jovens como esses três que hoje tive a maior satisfação em conhecer. São jovens preocupados e engajados no desejo de um fazer artístico para um mundo melhor. Como não me curvar a tão grande ideal? Como não me envergonhar quando comparo a atitude deles que sairam de Valença para vir ao Centro do Rio participar do evento e eu tão próxima com preguiça de sair e ver as novidades que estão pipocando nesse caldeirão cultural.
Voltando ainda ao lugar, cheguei antes que o evento tivesse começado. De início fiquei um pouco sem graça porque não conhecia ninguém, mas depois foram chegando mais pessoas, inclusive esses novos amigos da Literatura e da Cultura de modo geral. O evento começa o seu andamento e daí por diante tudo passa a ter uma certa familiaridade, todos parecem se identificar como parte de tudo (a cultura tem esse poder). A música ativa algo dentro dos indivíduos que os fazem relaxar, a bebida adianta muito mais rapidamente esse processo (por falar nisso, o capuccino com cachaça é delicioso - não deixem de tomar caso vá a esse bistrô), mesmo em pessoas introspectivas como eu.
A anfitriã, Janaína da Cunha, me pareceu bem contundente em suas posições com relação a cultura e aos artistas quando ressalta a necessidade da união e não de competição entre eles.
As poesias recitadas, cada qual com suas particularidades temáticas, muito interessante. Algumas destacarei, mas não esperem pormenores excessivos, já os esqueci. Perguntem como é que me lembro, não sei. Sei apenas que me lembro, não das palavras, mas da sensação que elas me provocam, quer seja poesia, música ou outra espécie de arte. As pessoas normalmente tem memória de alguma frase ou verso. Eu quando leio uma poesia, crio um contexto que me leva a fazer uma associação com outro contexto, e este me remeterá a uma sensação e é essa sensação que me faz saber se gostei ou não de algo. Afeeee, tem coisas que nunca conseguiremos expressar em palavras. Toda essa lorota é para justificar minha incapacidade mnemônica.
Bem, vamos lá, deixem-me tentar lembrar de alguns fragmentos antes que eles se desvaneçam e fiquem apenas impregnados em minha memória sensorial. O terceiro poema que Janaína declamou é muito bom (do livro Olhos de Lince); o poema que, segundo o autor, é agora hino do Identidade Cultural e Movimento Culturista (eu concordo, tem tudo a ver mesmo) é também muito bacana, podemos apreciá-lo na íntegra neste link http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/2012/06/solidoes-compartilhadas-efervescencia.html; a performance do Carlos com o poema 60'' o deixou exausto rsrsr; para contrabalançar a exaustão do Carlos, sua fiel escudeira lança mão de seu poema "Horas Mortas" (que aliás é muito interessante, pois me faz lembrar de alguns momentos de pura apatia [minha e não do poema] que vivemos num determinado espaço de tempo em nossas vidas e que só queremos esquecer o tempo) http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/; Juliana declamou um poema em homenagem ao avô que o Carlos também postou no blog dele e que eu adorei http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/2011/12/solidoes-compartilhadas-solidao.html (levei a manhã quase inteira procurando esses links, mas vale a pena os poema são lindos. Ela tem uma voz muito bonita e sabe interpretar o poema com paixão. Olha esse verso sobre a morte do avô se não digo a verdade " Sono solidão... eterno o seu, perdido o meu"); agora a irreverência dos poemas "Manga" e "peitos, peitinhos e peitões" do Dalberto foi inusitado e muito legal; o poema etílico (não me lembro o nome da autora) é maravilhoso e, por fim, a música de protesto de Zé Ricardo que estava nervoso e se saiu bem, mas ele queria ter atuado melhor (não deve se preocupar, o hábito faz o monge). Uma outra atração foi as caricaturas do Fábio Fernando, traço marcante e delicado, mas o que mais me atraiu foram as cores fortes (sou completamente latina nesse aspecto). Gostaria de ter a foto de uma delas, mas não lembrei de registrar (uma pena, pena mesmo). A pluralidade das artes nesse evento é uma marca muito mais do que desejada por mim em encontros como esse. Gostaria de ter visto pinturas, esculturas, cinema, dança (essa última eu sei que tem). Enfim, eu gosto dessa efervecência cultural, e gosto de tudo ao mesmo tempo, mas sei que o local não comporta essa simultaneidade. Contudo, não custa nada sonhar não é mesmo?
Bem, vamos lá, deixem-me tentar lembrar de alguns fragmentos antes que eles se desvaneçam e fiquem apenas impregnados em minha memória sensorial. O terceiro poema que Janaína declamou é muito bom (do livro Olhos de Lince); o poema que, segundo o autor, é agora hino do Identidade Cultural e Movimento Culturista (eu concordo, tem tudo a ver mesmo) é também muito bacana, podemos apreciá-lo na íntegra neste link http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/2012/06/solidoes-compartilhadas-efervescencia.html; a performance do Carlos com o poema 60'' o deixou exausto rsrsr; para contrabalançar a exaustão do Carlos, sua fiel escudeira lança mão de seu poema "Horas Mortas" (que aliás é muito interessante, pois me faz lembrar de alguns momentos de pura apatia [minha e não do poema] que vivemos num determinado espaço de tempo em nossas vidas e que só queremos esquecer o tempo) http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/; Juliana declamou um poema em homenagem ao avô que o Carlos também postou no blog dele e que eu adorei http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/2011/12/solidoes-compartilhadas-solidao.html (levei a manhã quase inteira procurando esses links, mas vale a pena os poema são lindos. Ela tem uma voz muito bonita e sabe interpretar o poema com paixão. Olha esse verso sobre a morte do avô se não digo a verdade " Sono solidão... eterno o seu, perdido o meu"); agora a irreverência dos poemas "Manga" e "peitos, peitinhos e peitões" do Dalberto foi inusitado e muito legal; o poema etílico (não me lembro o nome da autora) é maravilhoso e, por fim, a música de protesto de Zé Ricardo que estava nervoso e se saiu bem, mas ele queria ter atuado melhor (não deve se preocupar, o hábito faz o monge). Uma outra atração foi as caricaturas do Fábio Fernando, traço marcante e delicado, mas o que mais me atraiu foram as cores fortes (sou completamente latina nesse aspecto). Gostaria de ter a foto de uma delas, mas não lembrei de registrar (uma pena, pena mesmo). A pluralidade das artes nesse evento é uma marca muito mais do que desejada por mim em encontros como esse. Gostaria de ter visto pinturas, esculturas, cinema, dança (essa última eu sei que tem). Enfim, eu gosto dessa efervecência cultural, e gosto de tudo ao mesmo tempo, mas sei que o local não comporta essa simultaneidade. Contudo, não custa nada sonhar não é mesmo?
Bem, eis que encerro meu relato de uma dia e uma tarde superagradável com pessoas mais bacanas ainda. Um ganho em minha existência sem dúvida. Lucrei três vezes, primeiro porque conheci o poeta de quem sou fã, aliás esse dia só foi possível porque eu havia combinado com ele de comprar seus livros. Promessas Desfeitas - quando os sonhos morrem e o poeta sobrevive (1997), Not or not ser? (2001), O último adeus - ou o primeiro pra sempre (2004), Eu e outras províncias - progressos e regressos (2008), Diários de solidão - quando a ausência faz companhia (2010) e estou aguardando um que em breve sairá do forno quentinho com o título extraordinário que já está me dando água na boca (só não lembro qual é - consegui achar o nome: "Foda-se e outras palavras poéticas"). Coitado eu o obriguei a fazer dedicatória e tudo - é claro que eu não abriria mão dessa tietagem. Ele fez dedicatórias lindas e poéticas. Segundo porque frui o máximo possível do dia e, em terceiro, porque pelo que estou descobrindo, Valença (cidade do professorpoetapateta, é como ele se autodenomina) tem um movimento cultural próprio e rico com jornais com matérias vigorosas e interessantes e eventos promovidos por um grupo de pessoas conscientes de seus deveres de cidadão, cujo endereço recomendo http://blogdovq.blogspot.com.br/. É isso!
Autorização dada, eis ai meu sorrisão celebrando o encontro com pessoas tão bacanas.
Autorização dada, eis ai meu sorrisão celebrando o encontro com pessoas tão bacanas.
![]() |
| Juliana, eu e Carlos |
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Hildegard von Bingen
![]() |
| Hildegard von Bingen |
Seja
por qual discurso ela tenha se feito enxergar e ser ouvida (no caso
dela o religioso), o fato é que sua existência tem ecos em nossa
atualidade. Foi em primeiro lugar mística (desde sempre), poeta,
musicista, linguista,
escritora, médica, profetiza, filósofa, iluminista (iluminuras),
teatróloga e tantas outras funções que já nem sei mais enumerar. Sua medicina é aplicada na prática em um hospital na Suiça. Suas músicas podem ser encontradas em várias modalidades, ela mesma criou suas notações musicais (por meio de neumas),
pois na época não existia ainda a Escala musical como hoje conhecemos (é só fazer uma pesquisa no "oráculo" youtube e verão sua impressionante produção). Além de todas essas atividades, ainda encontrou tempo para fundar dois mosteiro, um ainda existe em Eibingen, na Alemanha. O outro foi destruido por conta da guerra, restando apenas ruínas.
![]() |
| Alfabeto criado por Hildegard |
escritora, médica, profetiza, filósofa, iluminista (iluminuras),
![]() |
| Iluminura |
teatróloga e tantas outras funções que já nem sei mais enumerar. Sua medicina é aplicada na prática em um hospital na Suiça. Suas músicas podem ser encontradas em várias modalidades, ela mesma criou suas notações musicais (por meio de neumas),
![]() |
| Fragmento de neumas |
pois na época não existia ainda a Escala musical como hoje conhecemos (é só fazer uma pesquisa no "oráculo" youtube e verão sua impressionante produção). Além de todas essas atividades, ainda encontrou tempo para fundar dois mosteiro, um ainda existe em Eibingen, na Alemanha. O outro foi destruido por conta da guerra, restando apenas ruínas.
| Mosteiro de Eibingen |
Foi lançado na Alemanha um filme com a vida dessa monja (também pode ser encontrado no youtube). Bem, termino o post com uma pequena amostra musical. "Vision", adoro essa música tão forte e instigante. Uma melodia que se propagou atemporalmente e, felizmente, para meu deleite, chegou até mim.
Lua Branca - Chiquinha Gonzaga
Hoje lembrei da música "Lua Branca" de Chiquinha Gonzaga. A melodia está a ressoar em minha memória.
Lua Branca
Maria Bethânia
Oh, lua branca de fulgores e de encanto,
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo,
Ah, Vem tirar dos olhos meus, o pranto,
Ai, vem matar essa paixão que anda comigo.
Oh, por quem és, desce do céu, ó lua branca,
Essa amargura do meu peito, ó vem, arranca,
Dá-me o luar de tua compaixão,
Ah, vem, por Deus, iluminar meu coração.
E quantas vezes, lá no céu, me aparecias,
A brilhar em noite calma e constelada.
E em tua luz então me surpreendias
Ajoelhado junto aos pés da minha amada.
E ela, a chorar, a soluçar, cheia de pejo,
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo.
Ela partiu, me abandonou assim,
Oh, lua branca, por quem és, tem dó de mim!
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo,
Ah, Vem tirar dos olhos meus, o pranto,
Ai, vem matar essa paixão que anda comigo.
Oh, por quem és, desce do céu, ó lua branca,
Essa amargura do meu peito, ó vem, arranca,
Dá-me o luar de tua compaixão,
Ah, vem, por Deus, iluminar meu coração.
E quantas vezes, lá no céu, me aparecias,
A brilhar em noite calma e constelada.
E em tua luz então me surpreendias
Ajoelhado junto aos pés da minha amada.
E ela, a chorar, a soluçar, cheia de pejo,
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo.
Ela partiu, me abandonou assim,
Oh, lua branca, por quem és, tem dó de mim!
domingo, 29 de julho de 2012
Com amor... Da idade da razão
![]() |
| Com amor ... Da idade da razão |
Belíssimo filme. Tão leve como devem ser as coisas profundas e importantes em nossas vidas. Um mergulho em busca de nós mesmos para que venhamos a ser o que somos, já que a realidade embota a visão da alma e nos impede de nos encontrarmos.
"Venha a ser o que tu és" eis a sentença do poeta grego Píndaro (520 a.C.). Uma frase super complexa de ser interpretada, mas que tem em sua condensação imperativa uma essência prá lá de filosófica que nos incita a voltar ao nosso caldo originário e rever determinadas posições atuais que tomamos como verdade absoluta e que talvez não sejam tão absolutas assim.
![]() |
| Píndaro (520 a.C.) |
Para fechar com chave de ouro, lança-se mão de uma máxima do meu belíssimo Dândi, Oscar Wilde:
"É importante ter sonhos grandes o suficiente
para não perde-los de vista quando os perseguimos".
para não perde-los de vista quando os perseguimos".
domingo, 22 de julho de 2012
quinta-feira, 19 de julho de 2012
O que Mesmo Hugo Cabret Inventou?
Não foi o autômato, não foi o relógio e nem o cinema.
Então o que danado ele inventou? Comecei a assistir o filme ontem, mas estava com sono e acabei deixando para assistir hoje pela manhã. Depois que assisiti, quis escrever sobre ele, fiquei o resto da manhã pensando o que iria escrever. E a questão da invenção de Hugo matelava minha cabeça. De tanto queimar a mufa e dar corda com manivela nos dois neurônios que tenho, formulei uma hipótese:
HUGO INVENTOU A SI MESMO.
Apesar de não ser especialista em figuras de linguagem nem em linguística, contudo, ouso arriscar que Hugo é a Metalinguagem de si mesmo e da Metáfora criada pelo autor do livro "A invenção de Hugo Cabret" de Brian Selznick.
Num determinado ponto do filme ele diz que somos parte de uma máquina que não tem peças sobressalentes, portanto, se não somos uma peça sobressalente, temos uma finalidade específica no mundo. Veja que Hugo se pensa como engrenagem de uma grande máquina e, como engrenagem ele age consciente de que não é o todo, mas parte de um mecanismo que precisa funcionar.
Hugo gosta de consertar coisas que pararam de funcionar, que já não exercem bem suas funções. Desse modo, quando ele encontra Ben Kingsley - Georges Méliès que é um dos precursores da Sétima Arte e dos efeitos especiais, ele tenta consertá-lo.
![]() |
| Georges Méliès (1861-1938) |
Ele encontra-se morto porque ninguém mais se lembra dele, pois com a guerra, a ilusão do cinema frente a realidade vista pelos soldados e por todos que foram afetados por ela, deixa de ser empolgante.
No entanto, parece que a realidade atualmente é tão dura e incompreensível que tudo é mais interessante e anestesiante que ela. São tantos meios que anestesiam, que alguns indivíduos navegam na alienação profunda desde o adulto até as crianças.
Algumas pessoas reclamaram que o tempo do filme é muito longo para as crianças. Ah! a grande questão do tempo e realidade para as crianças. Ao que parece até mesmo nós adultos concordamos com a ideia de que criança não é capaz de permanecer muito tempo diante de algo que julgamos interessante. Mas se isso é verdade, por que será que as crianças ficam horas e horas diante do computador ou jogos? Elas as vezes permanecem, o equivalente a uma jornada de trabalho adulto (8 ou mais horas), hipnotizados por uma tela..
O que faremos com as Alienações de nossas crianças? De nossos jovens e de nós mesmos?
Sei que essa crítica fugiu completamente ao que eu intentava dizer, mas, paciência! Assim que eu puder assistir outra vez o filme comento mais.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Contingência
Caramba!
Como podemos nos conceber partículas de poeira universal e ainda assim construirmos coisas grandiosas (não é o meu caso claro), penso em homens que sem nenhum instrumento para lhes auxiliar na exploração astronômica, foram capazes de mapear e medir os astros até nosso conhecimento atual, por pura especulação racional e posteriores cálculos (sem calculadora, diga-se de passagem). Isso me impressiona sobremaneira. Para mim é espantoso, simplesmente espantoso.
Deu o título desse blog de "O Mundo Mental de Maria", mas esse mundo é uma grande incógnita, pois, você como indivíduo ja é um mundo, dentro de cada um de nós tem mundos diversos [psíquico,
químico, biológico, espiritual, etc], vivemos dentro de um mundo físico [Terra] que situa-se
dentro de uma Vialáctea que se situa dentro do Universo. Portanto, há um regresso ao infinito se
levarmos a questão às ultimas consequências não é mesmo?
Levando isso tudo em conta e fazendo uma comparação no âmbito do indivíduo, vejo que quanto mais olho para trás, mais percebo o quanto era improvável estar no ponto em que me encontro hoje. Um ponto geográfico, um ponto físico, um ponto psíquico e finalmente um ponto emocional amadurecido. E não estou falando de um amadurecimento como ápice de sabedoria, mas como consciência de vida latente se manifestando no que comumente chamamos de "Real". Uma práxis existencial que tem uma teleologia aristotélica (pujante em potência), em que o erro que se desvela como erro para o indivíduo é tão conscientemente prazeroso e sábio quanto o acerto raciocinado. Porque ter consciência do erro é saber que não se errará novamente, a não ser que se queira ou que seja irresistivelmente difícil de ser evitado.
A consciência é uma teia interligada a tudo que nos rodeia e que percebemos consciente ou inconscientemente pelos nossos 5 sentidos e tantos outros internos que racionalmente, para nós, são desconhecidos. Ramificações infinitas que dependerão unicamente de nosso caminhar.
ÓHHHHH VIDA!
QUANTOS MISTÉRIOS
A SEREM DESVENDADOS
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Flor da Noite
Como não se embriagar de ternura, como não se derreter de amor e ir dormir plena e agasalhada pelo universo ao ouvir essa música na voz da extraordinária intérprete Nana Caymi cantando "Flor da Noite" de Celso Fonseca.
IMPOSSÍVEL!!!!!!!!!!!!
Flor Da Noite
Celso Fonseca
Dorme, tudo dorme
Sobre o mundo cai o véu
Veste o infinito
Véu da noite, cai do céu
Se outro alguém te lembrar de nós dois
Não diz prá esse alguém
O que passou e ficou prá depois
Seja o que for além
De mim
Ninguém
Assim
Sonha, tudo sonha
O universo vai ao léu
Verso do meu sonho
Flor da noite, carrossel
Sobre o mundo cai o véu
Veste o infinito
Véu da noite, cai do céu
Se outro alguém te lembrar de nós dois
Não diz prá esse alguém
O que passou e ficou prá depois
Seja o que for além
De mim
Ninguém
Assim
Sonha, tudo sonha
O universo vai ao léu
Verso do meu sonho
Flor da noite, carrossel
quarta-feira, 27 de junho de 2012
O Olimpo e a Crise na Grécia
Li esse conteúdo no blog de um colega de faculdade e não posso privar meu colegas de mais uma oportunidade para desopilar o fígado. Acho que posso classificar como uma teogonia final. Adoreiiiiiii!
No entanto, reconheço que é um pouco de humor "insensível". A situação econômica da Grécia é desastrosa e triste. O país está ante um abismo profundo. São dezenas de milhares de pessoas desempregadas e o governo não sabe o que fazer. Se por um lado aceita as condições que lhe são impostas, recebe um dinheirinho que não resolverá a situação, por outro e consequentemente, a população fica cada vez mais acuada e desamparada. Porque no fundo, o mais importante não é acudir o povo e sim sacudí-lo, como pó que se sacode do tapete para bem longe de nossa casa.
O OLIMPO E AS CONSEQUÊNCIAS DA CRISE NA GRÉCIA !!
1. Zeus vende o trono para uma multinacional coreana.
2. Aquiles vai tratar o calcanhar na saúde pública.
3. Eros e Pan inauguram prostíbulo.
4. Hércules suspende os 12 trabalhos por falta de pagamento.
5. Narciso vende espelhos para pagar a dívida do cheque especial.
6. O Minotauro puxa carroça para ganhar a vida.
7. Acrópole é vendida e aí é inaugurada uma Igreja Universal do Reino de Zeus.
8. Eurozona rejeita Medusa como negociadora grega: "Ela tem minhocas na cabeça!".
9. Sócrates inaugura Cicuta's Bar para ganhar uns trocados.
10. Dionisio vende vinhos à beira da estrada de Marathónas.
11. Hermes entrega currículo para trabalhar nos correios. Especialidade: entrega rápida.
12. Afrodite aceita posar para a Playboy.
13. Sem dinheiro para pagar os salários, Zeus libera as ninfas para trabalharem na Eurozona.
14. Ilha de Lesbos abre resort hétero.
15. Para economizar energia, Diógenes apaga a lanterna.
16. Oráculo de Delfos vaza números do orçamento e provoca pânico nas Bolsas.
17. Áries, deus da guerra, é pego em flagrante desviando armamento para a guerrilha síria.
18. A caverna de Platão abriga milhares de sem-teto.
19. Descoberto o porquê da crise: os economistas estão falando grego!
terça-feira, 26 de junho de 2012
"EU QUERO LHE USAR"
"ESSA NOITE EU QUERO LHE USAR"
Essa é a frase de efeito do coronel Jesuíno na minissérie Gabriela.
![]() |
| Maitê Proença e José Wilker |
Caras amigas, não se assustem caso seus parceiros cheguem para você muito sutilmente, dando sinais de um aumento de temperatura e em vez de dizer "eu quero transar" digam "eu quero lhe usar". Sabe, de um momento para outro eu passei a considerar a palavra transar tão mais romântica do que usar não acham?
Entretanto, não posso deixar de pensar que a frase é mais sincera, retrata melhor relações atuais tão desprovida de emoção, são puramente físiológicas, estritamente ligadas a fricções de genitálias e tão somente isso. Assisti a explicação de um veterinário sobre o que seria o Cio. Ele disse que os animais sentem uma coceira e a cópula seria a tentativa de fazer a coceira parar, será que em nós também é coceria, será que estamos "involuindo" e nos animalizando??????????????
Falando sério, quando eu ouvi essa frase eu ri tanto, mas ri tanto que me deu cólicas e meu maxilar travou. Depois do ataque de histeria que tive, fiquei a analisar a questão e ficou uma indagação: será que a situação da mulher como objeto mudou? Ou foi o homem que também se tornou um objeto sexual? Provavelmente em ambas situações haja perda potencial de humanidade.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
DISCURSO DE BRITTANY TRIFFORDE
Agora toda a indignação de algumas pessoas adultas (como eu) diante do descaramento de muitos governantes, cujo maior objetivo é posar bem para foto e pronunciar frases vazias e cliches, foi expressada também com todas as letras por Brittany.
EIS A FRASE MAIS COERENTE E CONTUNDENTE DA RIO+20 VEIO DA BRITTANY TRIFFORDE E VAMOS COMBINAR QUE ESSA FRASE É UM TAPA COM LUVA DE PELICA.
"Vocês estão aqui para salvar as
suas peles ou para nos salvar?"
Assinar:
Postagens (Atom)




























