Não esperem coerência e coesão em meus textos. As ideias aqui expressadas por mim, se dispõem de modo prolixo, com sentido e articulação que só eu percebo ninguém mais. contudo, não descarto a possibilidade de que, eventualmente, alguns de vocês possam concordar ou discordar delas. Afirmo, portanto, que este blog é uma tentativa minha de organizar e saber a quantas andam meu confuso pesamento, muitas vezes irônico e tantas outras cáustico.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Histórias do apart-ovo - o gato





Nessa quarta (12/04/2017), à noite, depois de tantas provas corrigidas, levanto para esticar o esqueleto e relaxar olhos e mente, abro a janela e dou de cara com essa carinha de pidão, de terrivelmente sofrente (é muito bem tratado, só para constar dos autos) rsrsrsr. Eu já o havia visto nessa mesma posição. O que mais me chamou a atenção é que ele busca nessa janela alguma coisa no alto. Não sei o que ele busca, talvez a possibilidade de uma escapadinha rsrsr, mas de alguma forma, eu também encontro-me na mesma posição que ele: busco uma nesga de céu e estrelas. Enfim, não importa o que buscamos, o fato é que à noite, somos um rosto em uma moldura janelar.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Histórias do apat-ovo - A chuva




A transição do ano 2016 para 2017 foi um tanto sofrida e espremida política e financeiramente, mas nada que não pudesse contornar com um pouco de bom humor e teimosia em não sucumbi, rsrsr. 

Bem, 2017 começo em um novo lar, brincando de casinha como nunca antes havia brincado. As paisagens mudaram, já não posso ver a lua em seu nascimento contínuo, tenho pouca natureza frente a minha vista. Mas no mundo há belezas mil, e mesmo que elas não estejam aparentes, sempre há um modo especial de encarar as cenas e delas extrair o que de mais belo houver contido lá.

Num desses momentos, pude observar a beleza das ações humanas. Um fato tão gratuito e que poucos tem o privilégio de assistir e ver de fato. No meu apart-ovo, na primeira semana de janeiro, num dia em que o calor estava tão sufocante e o tempo se fecha e as nuvens desabam e se derramam. Água torrencial, a cena começa a se desenrolar. Duas mulheres em idade adulta e 1 menina saúdam a chuva que as alivia do calor insuportável. A pequena aproveita uma poça e pula espirrando água pra tudo quanto é lado, as mulheres se movimentam em torno de si mesmas felizes tanto quanto a criança. Não me restou outra coisa senão fruir tal cena abertamente e ri sem coragem de interferir para não estragar aquele instante mágico, tão mágico que não tirei foto, á coisas que só devem ficar gravadas nas retinas e nas almas de quem as testemunham.

Agora, toda vez que chove, abro a janela para ver se elas estão lá kkkkkkkkk, um dia elas voltarão, tenho certeza, até lá, sempre abrirei a janela a espera delas.

https://www.youtube.com/watch?v=cvkFlVitj6w

sábado, 20 de junho de 2015

DE QUE NOS ALIMENTAMOS?

Há alguns meses, um amigo ficou chateado porque presenciou discurso de ódio rede social, Facebook. É uma lástima que usemos esse meio para esse fim. Pensando nessa questão, escrevi um pequeno texto em homenagem a preocupação de meu amigo que também compartilho. Um outro amigo publicou na Revista ASSERERJ, maio/junho que ele edita. Escolhi essa imagem porque ela bem representa o que também sinto: um desamparo profundo nestes dias. Assim como esta pequena perdeu a mãe na guerra, também nós estamos a perder a esperança de um convívio digno com o outro. 
Essa menina perdeu a mãe na guerra e no chão do pátio do orfanato desenhou com giz a figura de uma mulher e depois se deitou sobre a mãe simbólica como buscasse se aconchegar no colo daquela que não existia mais... Ficou ali parada como se estivesse sendo acolhida da profunda sensação de desamparo e saudade que carregava em si. (http://grupodeestudospensar.blogspot.com.br/2013/06/desfazer-lacos-para-desfazer-nos.html)

Eis o texto em homenagem a meu amigo Antonio Rodrigues.

DE QUE NOS ALIMENTAMOS?

Vivemos atualmente um tempo em que o ódio persevera, tanto nas ações, quanto nos discursos. Digo isso não porque estou a parte, ao contrário, sou partícipe também desse destempero coletivo. Digo isso justamente porque sinto minha alma ressequindo-se gradativamente.

Outro dia, num desses estados de silêncios, ouvi o pedido de socorro de minha alma. Na verdade foi um grito silencioso que ressoou profundamente dentro de si e cuja vibração atravessou o próprio corpo que a abrigava. O grito liberta-se e tenta desesperadamente ecoar pelos espaços públicos e quiçá pelo universo.

Contemplei tudo isso e senti pena de minha pobre alma, que precisou fugir de mim para tentar se alimentar de outras iguarias menos nocivas que o ódio para continuar existindo. Senti mais pena ainda, por perceber que ela tentava entrar em contato com outras almas no intento de pedir auxílio, mas o que ela encontrou fora do meu corpo foram almas tão famintas quanto ela. Umas não sabiam por que sentiam fome. Estas vociferavam mais do que as outras que, de algum modo, intuíam o motivo pelo qual estavam morrendo de inanição.

Observei que minha alma ficou desnorteada e esquadrinhava tudo ao redor na tentativa de ser ouvida. Mas, como uma desvairada, percebeu que seu grito atravessava todas as almas que encontrava. Eram almas-vácuo. Dada a natureza dessas almas, seu grito jamais se propagaria nelas. Contudo, ela notou que umas poucas sentiam uma leve sensação de ouvir algo como nos últimos acordes de um som que se dissipou na travessia do espaço-tempo. 

Desolada, desértica e fustigada por tempestades violentíssimas de ódio, minha alma cabisbaixa, “rabo entre as pernas”, caminha lentamente para sua antiga morada, meu corpo.

Eu, vendo a desolação dela, chorei convulsivamente em desespero, como uma mãe que vê seu filho morrer pouco a pouco de fome e sede. Abrigo em meus braços minha alma com todo carinho e num último gesto, imploro por um prato de tolerância e uma gota de ternura.


Esse texto foi originalmente publicado na Revista ASSERERJ, eis o link: 
http://www.youblisher.com/p/1164619-REVISTA-ASSERERJ/


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A dança dos Pássaros

Mais um causo das bandas de cá. Desde que o horário de verão foi estabelecido, tenho observado duas coisas estranhas no meio ambiente que me cerca. Toda manhã, os pássaros cruzam os céus, de lá das bandas do mar. Nunca entendi muito bem isso. Enquanto uns vem de lá para cá, outros vão de cá para lá. Não sei se eles se alternam ou se uns ficam lá durante o dia e de tardezinha eles voltam para cá e vice versa. Bem, além dos tiros, de vez em quando, tenho sido acordada constantemente com barulho de algo que se choca na janela de meu quarto. Primeiro pensei que fossem as crianças tentado resgatar cafifas, mas não era. Depois fiquei de mutuca e percebi que eram pássaros, logo me lembrei daquele filme "Os pássaros" de Alfred Hitchcock, que medo rsrsr. Fiquei então tentando entender o porquê de eles estarem se chocando em minha janela por volta das 8h da manhã. Veio-me a mente que minhas janelas são espelhadas, portanto, refletem a imagem do céu. Tadinhos, me deu um peninha, e fiquei a matutar o que fazer para que eles não se machucassem. Então fiz um teste e graças aos céus deu certo. Cobrirei minha janela pelo lado de fora com um lençol até o horário de verão acabar. Agora vou dormir tranquila e eles voarão na direção certa. 



Outra coisa que não estou entendo é aqueles insetos voadores que dizem ser cupins. Aqueles que aparecem quando esquenta muito e ficam ao redor das lâmpadas. Bem, eles normalmente apareciam por volta das 18h e em uma hora ou mais, desapareciam. Agora o fenômeno está acontecendo lá pelas 21h ou 22h, será que é também em decorrência do horário de verão?


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A Guerra Nada Santa dos Evangélicos




Pois é, não sei o porquê, mas lembrei dos antigos escravos e que ALGUNS tinham o "PRIVILÉGIO" de serem escravos domésticos. Hoje minha cabeça está meio ao avesso e fiquei a pensar: a QUESTÃO MAIOR PARA OS CONTRA, parece que não está em dar o direito, mas sim retira-lo do indivíduo, dito por alguns boçais, como "não normal", é querer fazer destes, menos que cidadãos, menos dignos e menos humanos.

Achei interessante o que o pastor Tom Ehrich diz no final da matéria. Será que a Bíblia se resumirá apenas a um manual sobre sexo?

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

DEPRESSÃO



Antes que os ativistas de plantão comecem a vociferar, o cão preto é uma metáfora. Veja que antes de ler, tomei a figura do cão como um elemento terapêutico, já que o meu cachorro faz-me sentir muito bem ao vê-lo brincar, correr e as vezes ficar com aquele olhar pidão para eu brincar com ele também. Eu normalmente associo esses momentos downs a uma nuvem negra (mas alguns dizem que é preconceito com o negro), agora chamo de nuvem preta. Eis que esse é um mal do século, o confronto entre nossas expectativas deformadas pelos ideais contemporâneo e a realidade, muitas vezes nos apequenam e nos tornamos um fardo para nós mesmos. No autoflagelamos pelo ideal de beleza, por um modo de vida em que se corre em direção ao dinheiro desesperadamente como um viciado salivando pela droga. Corre-se tanto durante tanto tempo para acumular o raio do dinheiro, que não se tem tempo de aproveitar o que o dinheiro poderia comprar para nos satisfazer. Tornamo-nos insaciáveis, acumuladores contumazes. Nos cercamos de coisas que dizem que vai nos fazer felizes e quando atingimos algumas dessas coisas, logo queremos outras coisas ou renovar essas mesmas coisas. Sempre penso em nós como aqueles cachorros que se movimentam em torno de si tentando pegar seu próprio rabo. Ou daqueles animais que colocamos uma cenoura a frente de seus olhos de modo que ele anda para alcançar a cenoura e nunca alcança. Alguns indivíduos, já cansados de olhar sempre para a cenoura, resvalam o olhar ao redor, em cima e em baixo, mesmo que ainda estejam com os antolhos, percebem que há outros tipos de comidas que não apenas aquela cenoura rente a seus olhos. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O Panóptico no Brasil



Acordei pensando em Foucault (sonho ou pesadelo? não sei) e suas concepções de Controle Social. Em que medida a concepção panóptica é bem sucedida aqui no Brasil, dado o alto índice de criminalidade que não é evitada? O que falta? mais câmeras ou operadores que monitorem os olhos que vigiam? Será então que o que falta é:O OLHO HUMANO QUE VÊ O QUE OS OLHOS DIGITAIS VEEM. Será que o nosso corpo social brasileiro não tem introjetado em si o medo de estar sendo vigiado? Talvez pela certeza da impunidade ou porque diante de uma vida insignificante como "normal", ao infringir à Lei, tornam-se celebridades pela mídia (fazem até uma minibiografia emergencial para o sensacionalismo), por produções cinematográficas e por best sellers na literatura. Nossa ignorância é tão crassa que nem conseguimos alcançar essa filigrana requintada de coercibilidade.


VIVO NUM PONTO QUASE CEGO DAS LENTES PANÓPTICAS GOVERNAMENTAIS. NUM PONTO ONDE A NEBLINA DE VEZ EM QUANDO SE DISSIPA, PARA LOGO EM SEGUIDA, FICAR EMBAÇADA DE NOVO.

https://www.youtube.com/watch?v=zJz2ox88gbs

terça-feira, 15 de julho de 2014

O Hedonismo do Futebol Brasileiro

Dada a minha completa indiferença futebolística, o que escrevo aqui provavelmente é fruto de minha insatisfação por conta da insatisfação do povo brasileiro pelo resultado da Copa do mundo de 2014 e as consequências iniciais advindas dele: a demissão da comissão técnica do Brasil e os olhos marejados de lágrimas do Felipão se sentindo duplamente magoado pela CBF e pela Globo de televisão. Ingenuidade dele?
Esse homem não tem o direito de ser Humano, apenas o dever de ser uma Máquina de Vitórias

A demanda que impulsiona o futebol e o carnaval aqui no Brasil é o Hedonismo, puro e simples hedonismo. Ora, somos um povo educado a base da filmografia hollywoodiana em que a fundamentação é a ideia do super herói, aquele que nunca erra e quando erra, é um erro fatal, Game over. Então, esperar que instituições oportunistas segurassem o técnico é no mínimo tolice, porque essa indústria encontra sua matéria prima no prazer da massa nada racional, apenas emoção desvairada. Segundo essa demanda, o desejo deve ser satisfeito a qualquer preço, a qualquer preço. Portanto, se o brinquedo não der prazer sempre, será substituído o quanto antes.  O prazer que foi anteriormente dado, não tem a menor relevância. Ter treinado a Seleção Brasileira do PENTA, juntamente com o Parreira que havia sido técnico do TETRA (esse, mais do que o outro, deve estar se sentindo duplamente magoado), não é justificativa suficiente para a permanência dele no comando da Seleção Brasileira de 2014 pós Copa, já que o HEXA não foi conquistado e, para piorar, foi um resultado dos mais negativos possíveis para a história do futebol brasileiro.

No Brasil, quem trabalha nessas duas áreas do entretenimento, tem de ser super homem. Tem de abrir mão de sua humanidade para ser Deus ou o Diabo. Suprindo todos os desejos da massa, é um Deus. Contudo, se o desejo da massa for negligenciado, torna-se um demônio e, como tal, tem de ser exorcizado e aniquilado. Não há margem de erro para o gozo da massa, ele tem de ser completamente satisfeito, sempre e sempre e sempre. Somos uma massa ninfomaníaca, no sentido de que sempre buscamos o prazer desenfreado. 

Mas acho que também serviria no sentido do sexo mesmo. As marias chuteiras que não me deixam mentir. Aliás, será que os campeões das Olimpíadas na Antiga Grécia, não tinham como prêmio o direito de escolher alguns dos mais belos corpos e distribuir, nesses corpos, um pouco do prazer que eles estavam sentindo? Com os nossos jogadores, parece que isso também ocorre.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Exposição TRONCO de Afonso Tostes e Estudos para medir forças de Ivan Grilo

Casa França Brasil - Rio de Janeiro 

Mais uma de minhas aventuras pela arte no Rio de Janeiro.No dia 21 de janeiro de 2014, fui levada por um amigo a fazer um tour por várias Galerias de Artes no Cassino Atlântico em Copacabana. Visitamos umas 15 ou mais, além de irmos em dois Centros Culturais e a livraria Cultura no Centro. Senti cheiro do velho e do novo. Tantas cores, tantas linhas curvas, retas, perpendiculares e tantas luzes que dão a obra iluminada perspectivas do aconchego, do lúdico e sobretudo a experiência estética tão discutida e controversa em nossa atualidade. O olhar do perito, do crítico e do artista muitas vezes entra em desacordo com o do espectador ingênuo. Digo ingênuo porque não tem aquele lastro teórico e nem a experiência do fazer artístico. Desse modo, se o artista emula uma experiência do fazer, o crítico executa seu escrutínio mediante seu conhecimento e o espectador frui, ele é afetado pela materialidade quer mental ou concreta da obra de arte diante dele. Muitos são os olhos e olhares que recaem sobre a arte e é essa diversidade e circunstâncias que evidenciam ou silenciam uma determinada obra no tempo.

Em uma dessas galerias, encontrei um galerista muito atencioso e entusiasmado com seu trabalho e começamos a conversar sobre espectador e arte e entramos no assunto do valor e julgamento da obra de arte. Ele disse-me tantas coisas interessantes, mas infelizmente não me recordo de todas, apenas de uma questão que ficamos a discutir um pouco mais. Ele afirmava que, na contemporaneidade, se uma obra de arte não se revela ao espectador é porque ela não cumpriu sua função objetiva e o artista fracassou. Caramba, quando eu o ouvi dizer tal coisa, por minha cabeça vararam milhares de argumentações e não sabia exatamente por onde começar a retorquir a afirmação, principalmente porque a obra de arte atualmente é conceitual, desse modo, como garantir objetivamente algo que nasce primordialmente da subjetividade do artista?

Eu entendo o desespero de muitas pessoas quererem entender ipsis literis a obra que se encontra diante de seus olhos. Entendo o que o galerista quis dizer quando se refere a essa objetividade. No entanto, o que não conseguimos ainda delimitar, sem margem de dúvidas, quais são os critérios que definem uma obra de arte como tal, porque se assim não o for, tudo é obra de arte. Não condeno o conhecimento do rapaz quanto a essas questões, apenas parto de minhas experiências que me fazem questionar não apenas o que ele afirmou, mas também o que me leva a ir a tais lugares.

O que nos faz sair de casa para ver uma exposição pictórica, escultórica, fotográfica, uma instalação etc., assistir um filme, ver uma peça teatral, ir a um sarau, ler um livro? Eu quero o fora do cotidiano, a arte para mim é esse sair de si e entrar no outro sem um preconceito sobre ela. No momento em que me ponho dentro da ...... 

Demorei muito a retornar a esse post e já não me recordo o que ia escrever. Lembro que não falei sobre a exposição na Casa França Brasil, sei que era sobre a escravidão e seus vestígios até o dia de hoje. Eu iria conversar com a pessoa que me levou lá, contudo, isso já não é mais possível, portanto, fica o hiato em minha escrita. Quem sabe um dia retorne a ela. Desculpem.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Lançamento do Livro "Clube de Leitura de Icaraí: 15 anos entre livros"





Noite de Autógrafos

A Livraria Icaraí e a Editora da UFF convidam os leitores em geral para o lançamento do livro "Clube de Leitura Icaraí - 15 anos entre livros". O livro inclui uma antologia de textos de 27 autores do clube de leitura que lerão trechos de suas obras durante o Evento.


Dia: 14/02/2014


Horário: 18h00 - 21h00


Local: Livraria Icaraí
Rua Miguel de Frías, 9

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Saga Crepúsculo moderna


E aqui vai uma poesia do livro "A queda para o alto" de Sandra Mara Herzer, dedico especialmente para aqueles que tem sede de sangue. Pensando bem, acho que nossa sociedade tem se mostrado mais vampiresca do que a saga Crepúsculo, pelo menos a face deles eram mais belas, essa que vejo aplaudindo os mortos, me parece deformada pelo próprio medo e pela covardia de admitir que sua reação e ação é só um reflexo irracional de uma animal coagido pela falência de instituições governamentais, sociais e morais. 

Mataram João Ninguém

Quando o próximo sangue jorrar
daquele por quem ninguém irá chorar,
daquele que não deixará nada para se lembrar
daquele em quem ninguém quis acreditar.
Quando seus olhos só puderem fitar o escuro
quando seu corpo já estiver inerte, frio e duro,
quando todos perceberem morto João Ninguém
e quando longe de todos ele será seu próprio alguém.
Tantas mãos, tantas linhas incertas,
tantas vidas cobertas, sem ninguém pra sentir,
Tantas dores, tantas noites desertas
tantas mãos entreabertas, sem ninguém pra acudir.
Qualquer dia vou despir-me da luta
pisar em coisas brutas, sem me arrepender.
Tão difícil ver a vida assassinada
quando estamos já tontos pra tentar sobreviver.
As perguntas sem respostas, sem nada, 
as vidas curtas e desamparadas
o último grito que não foi ouvido
calaram mais um homem iludido.
E no mundo não dão mais argumentos
pra fugir aos lamentos
De quem sozinho falece.
de quem sozinho falece.
Para esses, não há mais compreensão,
não há mais permissão, para que se tropece.
Na televisão, o aguardo da cotação
um instante ocupado, para dizer morto João Ninguém
mas a aflição ataca, a cotação subiu ou caiu?
e João morreu... ninguém ouviu.
Eu vou distribuir panfletos,
dizendo que João morreu
talvez alguém se recorde
do João que falo eu.
Falo daquele mendigo que somos
pelo menos em matéria de amor,
daquele amor que esquecemos de cultivar
o qual com tanto dinheiro, ninguém jamais coroou.

Um brinde a esse sangue tão belo que escorre pelas escadarias, pelo chão de nossas cidades tão civilizadas. Um grande viva e abraço generoso nas mães de tantos joão ninguéns, mostremos nossa solidariedade para com essa criatura que teve a audácia de por no mundo monstros como esses (agora fiquei em dúvida se falo dos que são linchados ou dos que lincham). Digamos a essa mulher: não chores querida, o que estas vendo, não é gente, não é teu filho, é apenas uma coisa que nos incomodava, é só isso, agora vais viver mais segura, estamos tornando o mundo mais seguro, mais civilizado, aquieta-te e doooooooooorme profundamente, porque estamos cá, nós, os justiçeiros, do lado de fora, garantindo e teu sono relaxante e teu sossego diário.

Uma amiga disse que esse post era muito forte, que iria curtir, mas que não iria compartilhar. Olhem esse conto da Clarice Lispector, será que por ela ser quem é, é menos forte que o meu? Será que ela diz coisas que não disse? E olha que nem conhecia esse conto, uma amiga é que postou no face hoje. Sabe que o que mais me entristece é que esse conto foi publica em 1979 e a realidade nossa de cada dia é igual, nada mudou. Tudo é um círculo vicioso.

http://revistapittacos.org/2014/02/10/mineirinho/

Sobre a poeta Sandra Mara Herzer. 

Sobre a violência

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Luzia Veloso - Feliz aniversário!

Minha querida Luzia Veloso, o que escrever para ti? Difícil escrever para artista tão delicada, tão criativa, sendo eu tão tão sem UP, por isso, resolvi que um poema seu, poderia me representar melhor nesse dia tão santificado que é a data da boa nova para seus pais: o seu nascimento. O mundo ganhou muito com sua existência.Veja a capa de seu livro “Impressões” que é uma efusão explosiva de vida e colorido. Sua arte é como o ânimo que é soprado e dar vida a alma. Seu espírito artístico incita à vida e sua pessoa nos comove pela delicadeza do seu ser. Mas vamos deixar de lero lero e sintamos sua arte triplamente: no fazer plástico, no falar sobre o fazer e no expressar poeticamente essas experiências.



A ARTE

Participei de um grupo de artistas,

na Oficina de Escultores do Ingá.

Lá o coordenador propunha

que fôssemos pesquisar.

Fui buscando materiais e elaborando projetos.

Naquela época ia, diariamente,

caminhar na areia da praia,

sempre bem perto do mar,

observando a quebrada das ondas

e ali bem rente, aos meus pés,

lindas bolhas transparentes

formavam espumas em flocos e,

eis que me vem à lembrança,

a bucha vegetal orgânica,

planta mágica que me atraiu

e, natural ou tingida,

impingiu em minha vida

inspiração para criar.



Quem quiser conhecer um pouco mais o trabalho da artista pode visitar seu blog: 
http://luziavelosoartes.blogspot.com.br/

domingo, 1 de dezembro de 2013

Coleção


Uns colecionam coisas que lhes dão prazer, outros como eu, colecionam involuntariamente coisas que nos são nocivas, será que talvez isso nos dá prazer?

Ah! o cinismo. Grande consolo para uma eterna colecionadora de abandonos.

sábado, 19 de outubro de 2013

Homenagem a Vinícius de Moraes

VINÍCIUS DE MORAES (19/10/1913 - 09/07/1980)


Vi o documentário de Vinícius de Moraes ontem.  Impressionante a trajetória desse nosso "poetinha", que antes era chamado assim, porque muitos o consideravam um poeta menor e, hoje, nós o assim chamamos pelo afeto que sentimos por ele e sua obra. Um homem movido à paixão, se inquietava quando seu coração não batia mais nesse mesmo compasso, nesse mesmo ritmo. Foi casado nove vezes, um dado instigante de analisar. No documentário há uma indagação a esse respeito que me chamou a atenção: será que ele buscava de algum modo refutar os próprios versos "(...) que seja infinito enquanto dure" do "Soneto da fidelidade", nove tentativas talvez para provar que o amor pode ser infinito não só enquanto dure a relação, mas que a relação torne o amor infinito para além da própria duração no tempo e espaço?

Soneto da Fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.



Ao longo do documentário, vários são os depoimentos de amigos que o estimaram e ainda o tem em alta conta. Isso é raro de acontecer. É claro que tudo não é cor de rosa, mas o que é? A meu ver, Vinícius foi um homem aberto às amizades. Numa dedicatória ele diz: "A Antonio Cândido, com a mão estendida para a amizade". Segundo amigos, tinha uma personalidade amorosa. A intensidade de sua alma foi como um sopro, uma grande brisa que acariciava as palavras e elas em troca gozavam de prazer e, esse prazer é tão real que até hoje ainda somos herdeiros desses gozos. Como não se comover ante "a arte não ama os covardes", de fato, o artista tem que dar a cara a tapa, se expor e por vezes até se impor. "Intimidade perfeita com o silêncio", ora quer tumulto mental maior do que quando estamos em silêncio? Ou ainda esse "quem de dentro de si não sai! Vai morrer sem amar ninguém!". Versos como esses nos impressionam pela forte carga emotiva de uma vida que se abandonava ao encontro de emoções constantes. Como não ficar com as veias em chamas ao ler no "O Mergulhador" os versos "meus lentos dedos loucos/Passeiam no teu corpo a te buscar-te a ti", vejam que os dedos buscam no corpo algo que está não só na superfície desse corpo, mas dentro dele, em suas profundezas. Tanto a falar e tão poucas ideias que se concatenam em criar um sentido, não, definitivamente não, sou apenas uma amante espectadora que nem sabe exprimir o que vê ou sente em comparação com esse extraordinário poeta.




O Mergulhador


Como, dentro do mar, libérrimos, os polvos
No líquido luar tateiam a coisa a vir
Assim, dentro do ar, meus lentos dedos loucos
Passeiam no teu corpo a te buscar-te a ti.

És a princípio doce plasma submarino
Flutuando ao sabor de súbitas correntes
Frias e quentes, substância estranha e íntima
De teor irreal e tato transparente.

Depois teu seio é a infância, duna mansa
Cheia de alísios, marco espectral do istmo
Onde, a nudez vestida só de lua branca
Eu ia mergulhar minha face já triste.

Nele soterro a mão como a cravei criança
Noutro seio de que me lembro, também pleno...
Mas não sei... o ímpeto deste é doído e espanta
O outro me dava vida, este me mete medo.

Toco uma a uma as doces glândulas em feixes
Com a sensação que tinha ao mergulhar os dedos
Na massa cintilante e convulsa de peixes
Retiradas ao mar nas grandes redes pensas.

E ponho-me a cismar… - mulher, como te expandes!
Que imensa és tu! maior que o mar, maior que a infância!
De coordenadas tais e horizontes tão grandes
Que assim imersa em amor és uma Atlântida!

Vem-me a vontade de matar em ti toda a poesia
Tenho-te em garra; olhas-me apenas; e ouço
No tato acelerar-se-me o sangue, na arritmia
Que faz meu corpo vil querer teu corpo moço.

E te amo, e te amo, e te amo, e te amo
Como o bicho feroz ama, a morder, a fêmea
Como o mar ao penhasco onde se atira insano
E onde a bramir se aplaca e a que retorna sempre.

Tenho-te e dou-me a ti válido e indissolúvel
Buscando a cada vez, entre tudo o que enerva
O imo do teu ser, o vórtice absoluto
Onde possa colher a grande flor da treva.

Amo-te os longos pés, ainda infantis e lentos
Na tua criação; amo-te as hastes tenras
Que sobem em suaves espirais adolescentes
E infinitas, de toque exato e frêmito.

Amo-te os braços juvenis que abraçam
Confiantes meu criminoso desvario
E as desveladas mãos, as mãos multiplicantes
Que em cardume acompanham o meu nadar sombrio.

Amo-te o colo pleno, onda de pluma e âmbar
Onda lenta e sozinha onde se exaure o mar
E onde é bom mergulhar até romper-me o sangue
E me afogar de amor e chorar e chorar.

Amo-te os grandes olhos sobre-humanos
Nos quais, mergulhador, sondo a escura voragem
Na ânsia de descobrir, nos mais fundos arcanos
Sob o oceano, oceanos; e além, a minha imagem.

Por isso - isso e ainda mais que a poesia não ousa
Quando depois de muito mar, de muito amor
Emergido de ti, ah, que silêncio pousa
Ah, que tristeza cai sobre o mergulhador!

Quando a atriz Camila Morgado começou a declamar "Os acrobatas" delirei, pois queria gravar um ou dois versos, mas todos eles eram tão, tão... que desisti e apenas frui cada um deles.

Os Acrobatas

Subamos! 

Subamos acima 
Subamos além, subamos 
Acima do além, subamos! 
Com a posse física dos braços 
Inelutavelmente galgaremos 
O grande mar de estrelas 
Através de milênios de luz. 
Subamos! 
Como dois atletas 
O rosto petrificado 
No pálido sorriso do esforço 
Subamos acima 
Com a posse física dos braços 
E os músculos desmesurados 
Na calma convulsa da ascensão. 
Oh, acima 
Mais longe que tudo 
Além, mais longe que acima do além! 
Como dois acrobatas 
Subamos, lentíssimos 
Lá onde o infinito 
De tão infinito 
Nem mais nome tem 
Subamos! 
Tensos 
Pela corda luminosa 
Que pende invisível 
E cujos nós são astros 
Queimando nas mãos 
Subamos à tona 
Do grande mar de estrelas 
Onde dorme a noite 
Subamos! 
Tu e eu, herméticos 
As nádegas duras 
A carótida nodosa 
Na fibra do pescoço 
Os pés agudos em ponta. 
Como no espasmo. 
E quando 
Lá, acima 
Além, mais longe que acima do além 
Adiante do véu de Betelgeuse 
Depois do país de Altair 
Sobre o cérebro de Deus 
Num último impulso 
Libertados do espírito 
Despojados da carne 
Nós nos possuiremos. 
E morreremos 
Morreremos alto, imensamente 
IMENSAMENTE ALTO.



Comemoremos com as canções "Berimbau" e "Canto de Ossanha".
http://www.youtube.com/watch?v=0JK34NqxmvU

Para quem quiser ler sobre a biografia do poeta, pode acessar o link http://anabelamotaribeiro.pt/64095.html Um blog muito bom. Gostei bastante.

Por fim, termino essa breve homenagem ao grandioso poetinha Vinícius de Moraes. Um feliz dia de Vinícius. Até breve!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A Impotência do Ser Solitário


Quando ainda estava na faculdade, a professora passou um trabalho sobre memória e elencou Walter Benjamin como teórico. Fiquei com a temática da morte e seus ritos. Bem, não vou me aprofundar nesse assunto, só o citei porque tem um pouco a ver com o que vou dizer. 

Ontem fui submetida a um procedimento cirúrgico que em geral pode significar algo que preocupa ou algo que pode te levar ao desespero. Câncer é uma palavra que ninguém quer ouvir como diagnóstico, principalmente porque a maioria de seus familiares sucumbiram a ela. O fato é que ainda terei que esperar por 45 dias até o resultado da biópsia. 

Mas retornando a Benjamin, antes os ritos desde a doença até a morte aconteciam na casa da pessoa. Hoje há um infinidade de procedimentos para prolongar a vida, mas no transcorrer deles, o doente fica em determinado momento completamente sozinho e abandonado porque os médicos e auxiliares, dizem eles, que não podem se envolver muito para não sofrer, pois seria uma carga pesada demais já que lidam com uma linha muito tênue entre vida e morte. Concordo, mas ainda assim não se resolve o problema da falta de humanização nessas horas de desespero e impotência diante da vida de um doente que ao sair numa maca do quarto, vê apenas as laterais dos corredores e pessoas a te observar com dó, pena ou indiferença e o teto com suas lâmpadas fluorescentes que te cegam, os olhares de cima e nada mais. 

O olhar daqueles que ficam no quarto tensos e ansiosos te deixam preocupada que por um instante você esquece de sua própria condição. Mas sempre há em meio a uma multidão de profissionais que olha para você como a próxima tarefa a ser cumprida para terminar seu plantão, um que te enxerga não como algo a ser resolvido, mas como um ser humano que está numa posição incômoda e desesperadamente precisando de um olhar terno. Essas pessoas são como anjos que aparecem de um momento para outro sem prévio aviso. Tive a sorte de ser olhada por um desses anjos. Estava nervosa e quase a cair no choro (sou uma manteiga derretida) quando ela aparece e começa a brincar comigo dizendo que meu nariz é lindo é claro que o choro ficou só na intenção de cair, pois meu nariz é tão pequeno que quando tiro foto de perfil ele desaparece, fiquei meio indecisa em rir e por fim dei um sorriso titubeante e ela só saiu de perto quando viu esse sorriso. Então me acalmei e fiquei a martelar na cabeça a melodia da música de Sting "Fragile" e a frase "How fragile we are" (como nós somos frágeis) http://www.youtube.com/watch?v=lB6a-iD6ZOY&list=PL0QfJdVEYqXZ2fBlhDUjvWZfh75C8mdD0&index=72, então relaxei e pensei: se essas são minha últimas imagens e pensamentos, que sejam pelo menos agradáveis. Aos que me rodeiam já havia dito o quanto são importantes para mim, quanto aos bens, são poucos e sem valor, de modo que tudo já estava bem encaminhado, até mesmo meu testamento quanto ao funeral que escrevi neste blog em forma de poesia  neste link: http://omundomentaldemaria.blogspot.com.br/2012/09/meu-testamento.html

Levei como leituras que não li, mas que estavam ali para me acalmarem os livros da poeta Rita Magnago "Travessia do Verso" já que se houvesse um cessar que ele pudesse ser transportado nos belos versos dessa amiga e as crônicas de Carlos Rosa Moreira que me faziam lembrar das belezas de Paris e me induziam a viver para vivenciar aqueles lugares tão bem descritos por ele. Além desses, minha amiga-irmã Maria Teresinha trouxe-me Dostoiévski "Os irmãos Karamazov", Georges Duby "Eva e os padres: damas do século XII" e "Damas do século XII: a lembrança das ancestrais". Pergunto: estava ou não pronta para a morte? rsrsrs Que seja o que tiver de ser. 

Hoje, para comemorar, estou a fazer uma rabada bovina. Estão servidos?

Até breve!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Platão, o Amor, o Êxtase e os Cavalos Alados

Platão e suas comparações magistrais. Diálogo FEDRO, sobre a Ideia e Reminiscência. Embora seja um excerto que exalta a elevação da alma, a analogia nos remete despudoradamente ao corpo, tão belo e perfeito que coloca no devido lugar: às CINZAS QUE SÃO os ditos 50 tons e gêneros correlatos.


"Quanto à beleza, __ como te disse, __ ela brilhava entre todas aquelas Idéias Puras, apesar de nossa prisão terrena, seu brilho ainda ofusca todas as outras coisas. a visão é ainda o mais sutil de todos os nossos sentidos. Não pode, contudo, perceber a sabedoria. Despertaria amores veementes se oferecesse uma imagem tão clara e nítida quanto as que podíamos contemplar para além do céu. Somente a beleza dá-nos esta ventura de ser a coisa mais perceptível e arrebatadora. Aquele que não foi iniciado ou que se corrompeu, não se eleva com ardor para o além, para a beleza em si mesma. Apenas conhece o que aqui se chama belo, e não adora aquilo que vê. Como um quadrúpede, dedica-se ao prazer sensual, tratando de unir-se sexualmente e de procriar filhos. Se for dado à intemperança, não terá medo nem vergonha de se entregar aos prazeres contra a natureza. O que foi iniciado há pouco, e que outrora muito contemplou, ao ver um rosto divino ou um corpo que bem encarna a beleza, sente certa estranheza e um pouco da antiga emoção e volta, pois, a olhar esse belo corpo, adora-o como adoraria um deus. E, se não tivesse receio de ser considerado monomaníaco, ofereceria sacrifícios ao objeto do seu amor como a um deus. Quando contempla o seu amor, apodera-se do amante uma crise semelhante à febre: modificam-se-lhe as feições, o suor poreja em sua fronte e um calor estranho corre pelas suas veias. Logo que percebe, através dos olhos, a emanação da beleza, sente esse doce calor que alimenta as asas da sua alma. Esse calor derrete os entraves da vitalidade, aquilo que, pelo endurecimento, impedia a germinação. O afluxo do alimento produz uma espécie de intumescência, um sopro de crescimento do corpo das asas. Esse ímpeto vai se espalhar por toda a alma.


Esta, quando as asas começam a desenvolver-se, ferve, incha e sofre da mesma maneira como padecem as crianças que, ao lhe nascerem novos dentes, sentem pruridos e irritação nas gengivas. Também a alma freme, padece e sente dores, ao lhe crescerem as asas. Quando contempla a beleza de um belo objeto, e dele provêm corpúsculos que saem e se separam __ o que gera a vaga de desejo (himeros), a alma encontra então o alívio para as dores e a alegria. Mas, quando está separada do amado, fenece. E as aberturas de onde saem as asas também contraem e, fechando-se, impedem a saída da asa que, presa no interior juntamente com a vaga do desejo a palpitar nas artérias, faz pressão em cada saída sem abrir caminho. Desse modo, a alma toda, atormentada em seu próprio âmago, sofre e padece, e no seu frenesi não encontra repouso. Impelida pela paixão, ela se lança à procura da beleza. Quando a revê ou a encontra de novo, reabrem-se-lhe os poros. A alma respira novamente e já então não sente o aguilhão da dor e goza, nesse momento, da mais deliciosa volúpia. Por isso não a abandona voluntariamente.” (Platão, “Fedro” [250 à 252])


Belíssimo não? lembro-me que na época em que li esse livro, eu encontrava-me em vias de me separar e é claro que a carência afetiva e física acabaram me deixando vulnerável emocionalmente e quando isso acontece comigo, o mais provável é que me apaixonasse (platonicamente) e não deu outra. A velha história da paixão da aluna pelo mestre. Foi esse professor que indicou a leitura. Ele era, para a maioria das mulheres, estranho e nada atraente, mas eu via naquele homem coisas impressionantes. Certa vez ele veio me perguntar algo e no exato instante em que olhou para mim, o sol incidiu sobre seus olhos e a cor de mel deles era simplesmente encantadora e, desse momento em diante, tudo nesse homem me apaixonava. Seu perfil era baixa de estatura, careca e cabelos longos nas laterais, olhos cor de mel, magro e nada belo segundo os parâmetros em voga. Mas quando começava a discorrer sobre filosofia e Grécia Antiga era simplesmente mágico. Li com sofreguidão o livro e quando cheguei na alegoria dos cavalos alados em diante, já impregnada por tantos discursos sobre o amor, fiquei mais suscetível ainda e nos meus sonhos surgiu esse poema, nada sutil ou metafórico.




Dois são os cavalos
que deveriam nos conduzir
ao êxtase supremo.
Um dos cavalos nos impele aos céus
o outro a fincar-se à Terra

O embate é ferrenho,
a alma se divide e titubeia
ante que direção tomar
nessa incrível disputa.

Corpo e alma
e uma única dúvida:
seguir o puro sangue
ou o cavalo mestiço?

A batalha dura
uma eternidade.
Defesas caídas,
o mestiço assume o controle

Já não ouço mais o puro.
Deixo o mestiço conduzir-me.
A luta agora é outra.
Apelos incontroláveis e
um só desejo: pequenas mortes

Corpo exausto,
abrupto silêncio,
o coração ainda bate forte
depois... paz.



No dia em que iríamos discutir essa passagem especificamente, fiquei incomodada por lembrar do sonho que tive com o entusiasmadíssimo professor. Pasmem agora, como eu havia esquecido de trazer o livro, ele emprestou o livro dele para mim e uma amiga, sentamos juntas e qual não foi minha surpresa, escrito ao lado dessa passagem estava "falo ereto", não aguentei e sai da sala rindo e ninguém entendeu nada. Pode, a criatura havia pensado coisa semelhante também. Como podia ficar ouvindo a leitura sem ficar envergonhada? Ah! os arroubos amorosos e oníricos. Enfim, ainda me lembro dessa pequena aventura platônica, só que já não me envergonho mais. Quem quiser ler a alegoria dos cavalos alados pode encontrar nas passagens 246-247, do diálogo FEDRO.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

De São Gonçalo à Paris com escala em Niterói

Este relato ainda faz parte das comemorações de meu aniversário (23/07).

Combinei de almoçar com minha amiga no Plaza Shopping de Niterói no dia 20 de julho porque ela faz aniversário no dia 21, então, todos os anos nos encontramos e comemoramos juntas nossos aniversários (na verdade somos um grupo de três musquiteiras, mas a caçula está com uma filhinha linda e nem sempre pode estar junto conosco fisicamente). Mas antes do almoço eu tinha que fazer um exame em jejum. Após o exame, parto para uma lanchonete ou padaria para comer alguma coisa, pois já estava meio trêmula de fome (odeio ficar em jejum. Com certeza jamais serei uma freira). Nada me apeteceu nem na lanchonete nem na padaria (a flor do Rink não estava cheirosa). Parti para o Rei do Mate e pedi um capuccino grande, 4 pãezinhos de queijo e uma fatia de bolo de laranja. Depois de matar metade da fome, relaxei e peguei o livro de crônicas de Carlos Rosa Moreira, "A Montanha, o mar, a cidade" que havia comprado no dia 18/07 (mais um presente que me dei - eu me adoro mais ainda nesse mês e faço quase todas as minha vontades). Comecei a lê-lo e ia bebericando o café enquanto esperava minha amiga chegar. Entre uma página e outra, observava os transeuntes (como é de meu costume), meu humor melhorou consideravelmente. Quando escrevi este relato, eu disse que sabia o porquê de eu ter ficado azeda e que isso não vinha ao caso, pois era mais aconselhável mandar a situação para os confins da Conchinchina de meu inconsciente, já que não podia mandar para os confins da ponte que partiu (deu certo, pois já nem lembro o que havia me deixado chateada. Estou aprendendo a reter por pouco tempo dores e chateações - lição difícil, mas necessária).


Voltando. Comecei a ler a primeira crônica do Carlos intitulada "Em Paris" e foi muito engraçado para eu fazer comparação entre a crônica dele e a minha insignificância matinal em Niterói. Uma comparação histriônica. O cronista começa por descrever o ambiente de Paris com tanta leveza que quase senti a brisa da manhã me tocar. Tem algumas escritas que comparo ao movimento da fita daquelas ginastas olímpicas, giram sobre si mesma, fazem piruetas suaves e elegantes, mas não deixam de ser precisas e encantadoras. Gosto da fluidez da escrita desse escritor niteroiense. Fique a pensar que enquanto ele degustava Paris, eu me aventurava a perceber o ambiente a minha volta em Niterói, assim como ele havia feito no livro.

Rue Pot de Fer 
Havia um grupo de quatro moças muito animadas, principalmente porque uma criança de aproximadamente 1 aninho chamada Igor começou a chorar porque queria ficar na mesa das garotas e não com os pais. Enfim, Igor se livrou dos pais e foi fazer gracinhas com as meninas que adoraram ficar com ele. Foi tão bom observar isso que ampliei mais ainda meu campo de visão. Então terminei de ler e comecei a rascunhar esse relato e ria, um riso tão sincero que me enterneci por mim mesma. Senti prazer de escrever pela primeira vez. Foi também pela primeira vez que me diverti fazendo isso. A escrita para mim sempre foi angustiante, mas nesse dia foi como um sopro e você fecha os olhos para intensificar ainda mais a sensação de bem estar.

Tantas vidas que passavam diante de meus olhos sem se dar conta de que eram objetos de meu exame. Não se davam conta de que eram observadas por alguém e, que, de algum modo, estão fazendo parte de minha vida naquele exato momento em que meus olhos os acompanhavam até perde-los de vista. A vida é tão pujante, por que a gente as vezes a desperdiça? Perdemos tempo demais em desertos interiores e em lamúrias inúteis.

Por fim, levantei, fui ao encontro de minha amiga e passamos horas muito agradáveis.

Termino aqui com semblante sorridente e satisfeita por lembrar daquelas horas prazeirosas. Que tenhamos um Bom dia! Até breve.

domingo, 4 de agosto de 2013

Íon de Platão - O poeta existe?



Terminada a primeira leitura de Íon de Platão, pululam ideias e noções filosóficas semelhante à pipocas estourando dentro da panela. O rapsodo exposto como ridículo pela eurística platônica, me faz indagar sobre a ruptura entre a concepção mítico-poética como algo divino e menor, ao passo que a técnica é algo maior. A arte do rapsodo não aponta para uma técnica, portanto, pode ser tudo, menos algo que possa ser descrito ou levado a sério. 

A poesia como tal não é tratada se não há uma técnica sobre ela. O rapsodo não é poeta. Exerce apenas a função de meio de manifestação divina e não de criação. Mesmo que Homero seja tratado como poeta que cria, interpretei do diálogo que, mesmo ele [Homero], também não o é, já que este seria induzido pelos deuses, numa segunda camada vem o rapsodo que de igual modo, mas que em segunda via, é perpassado pelo divino numa sucessão advinda por Homero. Eis o excerto que martela os pobres tico e teco:

"Pois coisa leve é o poeta, e alada e sacra, e incapaz de fazer poemas antes que se tenha tornado entusiasmado e ficado fora de seu juízo e o senso não esteja mais nele. Enquanto mantiver esse bem, o senso, todo homem é incapaz de fazer poemas e de cantar oráculos. Mas como não é em virtude de uma técnica que fazem poemas e dizem muitas e belas coisas acerca desses assuntos, como tu acerca de Homero, mas em virtude de uma concessão divina, cada um é capaz de fazer apenas isto a que a Musa o inspira...."

No último parágrafo, penso eu que, Sócrates termina por ressaltar que o ser divino talvez seja divino não somente pelos deuses, mas também porque nós (os espectadores) assim os classificamos como tal, quer os deuses quer os poetas e rapsodos. Enfim, como sempre, os diálogos de Platão nos põe mais minhocas na cabeça do que certezas. Vixe mãe do céu.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Instante Infinito - Ana Freitas

Introdução

O que poderia eu dizer sobre espaço-tempo sob a ótica da Física? NADA. Ou ainda sobre o material, fotograma, que a artista Ana Freitas escolheu para materializar o pensamento do físico Mário Novello sobre espaço-tempo? Piorou, não sei NADICA de NADA. Então, comecei a fuçar o santo Google, que segundo a opinião da amiga de uma amiga minha, é mais útil que marido. Solteirona que sou e de posse de tal recomendação, adotei-o rapidamente tanto para a função profana quanto para a santa. Não me divorciei ainda, pois ele tem sido um marido desvelado e tenta suprir toda a minha ignorância premente. Pois bem, o pobre marido, por mais que queira e deseje profundamente, não consegue suprir todo o meu desconhecimento sobre física e fotogramas, mas me deu uma visão panorâmica sobre essas questões. Meu relato será em estilo novelesco, por partes, vamos ver em quantas ficam, Aguardem!

Parte 1

Lá vai as bobagens de meu caos mental sobre essa questões suscitadas acima. Falarei sobre minhas impressões sobre o dia de ontem (17/07/2013), que diga-se de passagem, foi revigorante mentalmente para mim e, nesse ponto, tenho que relatar tudin tudin. Roteiro: havia combinado com um amigo de ver a exposição "instante infinito" de Ana Freitas, almoçar, ver outra exposição "A Herança do Sagrado: obras-primas do Vaticano e museus italianos", no Museu Nacional de Belas Artes e, se desse, aproveitar para dar um oi para amigos do Clic na livraria cultura. Dia lotado, porque meu aniversário será dia 23/07/2013, e sempre aproveito para me mimar o máximo possível, afinal de contas, EUzinha MEREÇO e mereço MUIIIIIIITO. Vamos a trajetória.

Primeiro, não ouvi o despertador porque fui dormir tarde assistindo filme e desmaiei (de férias, sabe como é...)  e só acordei às 10:00. Hora que eu já deveria estar saindo de casa para ir me encontrar com meu amigo às 11:00. Pulei da cama, liguei ele remarcando para às 12:00. Corri para o chuveiro e, cadê a água? Vesti-me e fui ligar a bendita bomba. Depois de alguns percalços, consegui ligá-la. Volto contente para o chuveiro e já no finalzinho do banho, falta luz. Xingo até a terceira geração de tudo e de todos. Seco-me sem ter tirado todo o condicionador do cabelo (nem preciso dizer que o cabelo ficou uma bucha e quando o vento batia então, era a visão do tártaro). Desço correndo para pegar o buzão e o que acontece, hein hein? Um lindo e lennnnnnnnnnto congestionamento. Resumindo, cheguei atrasada 35 min, mas cheguei. O que seria da vida sem os imprevistos para dar aquele PLUS?

Pelo adiantado da hora, invertemos o roteiro e fomos almoçar em Niterói mesmo e depois pegamos o ônibus para o Leblon. Dentro do ônibus, meu amigo se dar conta de que não tem o endereço da galeria. Ligamos para todos os amigos para pegar o telefone do nosso colega que nos deu a dica da exposição e nada, ninguém sabia o telefone dele. Por fim, liguei para uma amiga e pedi-lhe para ver na internet, detalhe: não sabia o nome da galeria, não sabia o título da exposição, apenas o nome da artista. É claro que meu santo marido ajudou sem dúvida nessa hora e ela retornou a ligação me dando o endereço. Sempre morei no subúrbio e de Zona Sul, só conheço o nome. Meu colega conhece mais do que eu, graças aos céus e pegamos outro ônibus (lá se vai 3 ônibus) para chegar a galeria. Difícil né, mas não me arrependo e até superaria mais obstáculos para vivenciar o dia de ontem como o vivi. Talvez possam achar pouco, mas sempre experienciei uma gota tanto ou mais que um oceano. Nada é vazio para mim. Nada é pequeno ou grande, só os vejo como tal, na medida que me comovem ou afetam minha alma.

Parte 2 - Na galeria


Bem, o espaço da galeria não poderia acomodar toda a afetação que a exposição de Ana Freitas me causou mentalmente (isso porque já é uma mente caótica). Fomos recebidos pelo simpaticíssimo Jaime P. Vilaseca que nos pôs a par do trabalho da artista. Contudo, quando ele falou que a exposição havia sido pensada a partir do confronto dialético da Ana com o físico Mário e, que ela tentou materializar o que o Mário pensava ser tempo e espaço, pirou meu cabeção (o tico e o teco levaram alguns minutos para absorver a informação), como diz uma música. Aloprei internamente, dado meu semblante fechado e circunspecto não transparecer meus surtos. Acho, segundo a descrição de como fazer um fotograma, que foi mais ou menos o que aconteceu comigo. É como se eu fosse o papel, a exposição e o que ela suscitou de meus pensamentos, foram os objetos e quando a luz é jogada (não sei se é de cima para baixo ou de baixo para cima), foram impressos em mim-papel e depois se fixaram em minha alma. A seguir, vamos ver alguns desses objetos mentais.

O processo da artista foi registrado em cadernos (é claro que me identifiquei com isso, tenho pilhas deles também) e estão disponíveis na exposição para o visitante ler. Para não dizer que eu surto sem motivos, olha o que a Ana se pergunta: qual a espessura do limite? O que me fez lembrar automaticamente da questão do Ser e do não-ser que não é de modo algum do Parmênides, pois se o ser é, onde fica o limite do que não é? Pois se tudo é ser, haveria linearidade, tudo plano sem fissuras ou desníveis. Como interpreto a realidade não como um continuum, devo conceber que tem de existir um não-ser e para tanto, que limite é esse entre o SER e o NÃO-SER (eita Górgias, me acode) e qual seria a espessura, grossa, fina, milimétrica ou incognoscível?

Pulemos agora para o Tempo. Manuseio um objeto que Ana denominou de "instante infinito" e que me faz pensar num tempo que se dobra sobre si mesmo. Pensando nisso, me cai direto na cabeça, Santo Tomás de Aquino e sua concepção sobre Os instantes (que provavelmente levarei toda minha vida e não ficarão muito claros para mim) em seus Opúsculos Filosóficos cujo título do segundo capítulo é: "como o instante está presente em todo tempo, na mesma coisa, diferente segundo a razão", antes, no proêmio, ele diz que para compreendermos os instantes, temos que conhecer a natureza da duração, pois "o instante é concomitante a toda duração". Ora, pensemos na afetação que a exposição causou em mim. Eu sou um determinado tempo que tem uma duração específica (não devo chegar aos 100 anos, por exemplo), no entanto, li essas considerações do Aquinate num determinado instante de minha vida, contudo, em outro instante de minha vida, retorno ao instante dos instantes de Tomás de Aquino. Bem, nada mais razoável do que concluir precipitadamente que existe um tempo e nesse tempo, finitos instantes e dentro desses finitos instantes, outros tantos finitos instantes abrigados dentro de um tempo finito pela duração. Isso levando em conta, apenas eu como amostra, mas, se levarmos em conta que existem trilhões de outros eus e objetos que também tem duração, então o tempo pode ser infinito contendo infinitos instantes e dentro destes, outros tantos instantes tão infinitos quanto. Como não concordar com o que o Cosmólogo Mário Novello diz: "A matéria, a energia, o espaço e o tempo se entrelaçam em um processo eterno", ou como ele pensa o espaço-tempo como algo diáfano, tênue, etéreo e fluido.



Uma outra maravilha da exposição é a ampulheta vazada que ela intitulou de Tempoeira. Perceba que se a ampulheta fosse fechada, estaria representando um tempo específico e criado, no entanto, ela vazada nos dar a real sensação de que o tempo se materializa na poeira que penetra pela abertura e vai se acumulando ou cai direto a outra extremidade. Chegará uma hora em que haverá tanta poeira acumulada que o tempo será visível para o espectador. A pergunta que pode surgir é: quanto tempo demorará para que o tempo se materialize? Eu digo que não importa o tempo, só o fato de ele escoar livremente já é condição fundamental para a sua materialidade, contudo, ainda está contido num espaço específico que é a ampulheta.

Por fim termino aqui meu relato experienciado na exposição de Ana Freitas que se consubstanciou em uma verdadeira vertigem mental. Uma experiência que Joaquim Marçal conclui ser um "tudo-ao-mesmo-tempo-aqui-agora-e-em-todo-lugar". 

Quem quiser ainda pode visitar seu trabalho que ficará até o dia 20/07/2013, na Galeria Portas Vilaseca, na rua Ataulfo de Paiva, 1079, loja 109 - subsolo - Leblon. O site é http://www.portasvilaseca.com.br/

Até breve!




quarta-feira, 24 de abril de 2013

Edgar Zúñiga Jiménez - Artista plástico.


Hoje o dia está lindo, ensolarado e sem aquele calor insuportável. Revendo essa série desse artista, percebo que quando estou desistindo da humanidade, vem a arte e me convence a dar mais uma chance. Fico estarrecida com a capacidade humana de produzir sentido e beleza às coisas. Nunca entendi muito bem a relação de Nietzsche com a arte, mas se for algo parecido com isso, acabei de entender, mesmo que tenha sido desenhado (sempre soube que meu cérebro é movido à manivela). Meu intelecto para os doutos é medíocre e para os ignorantes é louco, pendo mais para o não ser do que para o ser rsrsr. Estou ferrada mesmo, para as duas espécies sou um ser perjorativo (só psicanálise na veia para se tentar resolver essa existência rsrsrsrs).

Mas voltando à Arte, lembrei da Capela Sistina e da imagem de Deus e sua Criação: o Homem. Deus estende o dedo para tocar o homem, esse religare me leva a crer que as lentes que filtram o humano até mim é sem dúvida a Arte plástica, literária e todas as outras formas. É ela a intermediária, é ela que me traz a beleza quer divina ou profana. Essa série me remete a Atlas e aos totens. Mesmo sendo belo, o mundo as vezes nos impinge um peso quase insuportável, por outro, nos revela belezas mil. "Eita nóis", quer mais caos do que isso? rsrsrsrs.

Neste link podemos encontrar um pouco da biografia desse maravilhoso escultor da Costa Rica.